TODO AQUELE QUE CRÊ NUM DOGMA, ABDICA COMPLETAMENTE DE SUAS FACULDADES. MOVIDO POR UMA CONFIANÇA IRRESISTÍVEL E UM INVENCÍVEL MEDO DOENTIO, ACEITA A PÉS JUNTOS AS MAIS ESTÚPIDAS INVENÇÕES.

Domingo, 28 de Fevereiro de 2010

 

REENCARNAÇÃO: CONCEITO, RESUMO HISTÓRICO, RELIGIÕES E POVOS QUE A ADOTAM.

 

"Antes de nascer, a criança já viveu; e a morte não é o fim.
A vida é um evento que passa como o dia solar que renasce."
(Muller, 1970)

 

CONCEITO

Reencarnar significa voltar à carne novamente, tornar a nascer.

Reencarnação equivale a renascimento, Usa-se outro termo também: palingenesia (ou palingênese) que etimologicamente provém do grego: palin = de novo, e gignomai = gerar, isto é: novo nascimento.

Uma palavra empregada impropriamente no mesmo sentido é metempsicose, a qual deriva do grego, metempsykhosis, e foi levada do Egito para a Grécia por Pitágoras. Seu significado, entretanto, é um tanto diferente, pois supõe ser possível a transmigração das almas, após a morte, de um corpo para outro, sem ser obrigatoriamente dentro da mesma espécie. Alguns filósofos gregos aceitavam esta crença.

Plotino (205-270 a.D.) e Orígenes (185-254 a.D.) contestaram a propriedade semântica do termo metempsicose. Plotino sugeriu que se o substituísse por metensomatose, uma vez que haveria, na realidade, mudança de corpo (soma), e não de alma (psykhé).

Entretanto, parece não haver nenhuma evidência observacional em apoio a essa suposição. O renascimento deve ocorrer exclusivamente dentro da mesma espécie, conforme o que se tem observado até agora.

 

NA ANTIGUIDADE - EGITO

Há indícios de que algumas tribos paleolíticas acreditavam na sobrevivência da alma após a morte do corpo físico.

O culto do fogo ligado ao das imagens antropomórficas e das pedras, bem como os cuidados com os cadáveres, são evidências a favor desta hipótese. (Wernert. 1948, 1 vol., pp. 73-88).

Alguns antropólogos e historiadores concordam com a tese de que os paleontropideos alimentavam a esperança de um renascimento após a morte. Por exemplo, Mircea Eliade (Universidade de Chicago) diz o seguinte:

"Por outro lado, nada impede que a posição curvada do morto, longe de denunciar o medo de 'cadáveres vivos' (medo atestado em alguns povos). signifique, ao contrário, a esperança de um 'renascimento'; conhecem-se, com efeito, vários casos de inumação intencional em posição fetal." (Eliade. 1978. Tomo 1. vol. 1, p. 27].

A crença na reencarnação é antiquíssima e bastante difundida. Ela sempre constituiu o dogma básico da maioria das religiões primevas. Louis Jacolliot assim se expressa:

"O mito da transmigração das almas é talvez o primeiro sistema filosófico que se há produzido no mundo, sobre o imortalidade da alma e a origem do homem: liga-se intimamente com aquele da encarnação da divindade, nas crenças hieráticas da Índia antiga." (Jacolliot, 1892, p. 457).

É possível que a fonte mais primitiva das crenças religiosas seja o Manarva Dharma-Sastra, mais conhecido como o "Código do Manu·'. Este Código já era citado no RigVeda, há cerca de 1300 anos a.c., como sendo, então, muito antigo. No Livro XII, Manu o Legislador refere-se, nestes termos, ao destino das almas daqueles que morrem:

Após a morte, as almas dos homens que cometeram más ações tomam um outro corpo, para a formação do qual concorrem os cinco elementos sutis, e que é destinado a ser submetido às torturas das zonas inferiores.

Quando as almas revestidas desse corpo sofreram as penas purificadoras, penetram nos elementos grosseiros, aos quais se unem para retomar novo corpo, voltar ao mundo e concluir sua evolução... (Jacolliot opus. cit p. 461-462).

O sacerdote sebenita Manethon afirmava que a reencarnação era também dogma fundamental da religião egípcia. O Papiro Anana [1320 a.c.) diz o seguinte:

"O homem retorna à vida várias vezes, mas não se recorda de suas prévias existências, exceto algumas vezes em um sonho, ou como um pensamento ligado a algum acontecimento de uma vida precedente. Ele não consegue precisar a data ou o lugar desse acontecimento, apenas nota serem-lhe algo familiares. No fim. todas essas vidas ser-lhe-ão reveladas .. ".

O livro de Fontane, sobre o Egito, menciona uma referência ainda mais antiga acerca da palingênese (3.000 a,C.): 'Antes de nascer, a criança já viveu: e a morte não é o fim, A vida é um evento que passa como o dia solar que renasce," (Müller. 1970, p, 21),

Parece que o antiquíssimo autor desta sentença colheu seus conhecimentos a respeito da reencarnação, observando as recordações de vidas passadas manifestadas por crianças. Este é o método básico usado pelo Prof. H. N. Banerjee, pelo Dr. Ian Stevenson e pelos investigadores do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas - IBPP.

 

A GRÉCIA

Ferecides de Siros (Pherekydes) e seu discípulo Pitágoras (Pythagoras) - contemporâneos de Buddha - foram os principais veículos das idéias reencarnatórias que fluíram do Egito para a Grécia.

De acordo com Cícero, Ferecides foi o primeiro filósofo grego a ensinar a imortalidade da alma. Pitágoras seu discípulo afirmava recordar-se de várias encarnações pregressas. Eis algumas, a título de ilustração e por ordem de antigüidade:

1ª - Prostituta na Fenícia:

2ª - Esposa de um comerciante lojista na Lídia:

3ª - Agricultor na Trácia:

4ª - Hermotimus - Profeta que foi queimado vivo pelos seus rivais:

5ª - Euphorbus - Guerreiro troiano que lutou durante a guerra de Tróia: Pitágoras ao ver a couraça que havia servido a esse guerreiro, reconheceu-a imediatamente:

6ª - Pitágoras de Samos (580-496 a,c.) filósofo e matemático grego. (Stuart, 1977, p, 134).

Sócrates (469-399 a.C.) segundo Platão (427-347 a.C) ensinava a imortalidade da alma e a reencarnação. No diálogo entre Sócrates e Cebes, há uma passagem assim:

"Efetivamente, Cebes, retoma Sócrates, nada é mais verdadeiro, segundo creio, e nós não nos enganamos em o reconhecer. É certo que há um retorno à vida, que os vivos nascem dos mortos, que as almas dos maltas existem (e que a sorte das almas boas é melhor, aquela das más é pior,)" (Platão. 3 tomo, Phedon, p, 134, XVII d).

 

O EPISÓDIO DE ER

No livro X da República. 614-620b, há uma das mais fascinantes passagens acerca da reencarnação, descrita juntamente com um caso de OBE (Experiência fora do corpo). Trata-se do episódio de Er, filho de Armênio, originário da Panfília.

Er foi tido por morto em uma batalha. Dez dias depois, quando eram colhidos os cadáveres já em putrefação, o seu foi encontrado intacto. Levaram-no para casa para ser cremado, mas no décimo segundo dia, quando já se achava estendido sobre a pira, retornou à vida. Após recobrar os sentidos, contou o que viu do lado de lá.

Er explicou detalhadamente a sua caminhada juntamente com outros que haviam também morrido, até o local em que as almas dos mortos são julgadas por juízes divinos e depois selecionadas, seguindo as boas em direção às regiões celestiais, e as más às regiões infernais. A ele os juízes recomendaram que se mantivesse ali, para observar tudo e relatar aos homens o que viesse presenciar a seguir.

Logo mais. Er assistiu à chegada àquele local, das almas que já houveram passado anteriormente pelo céu e pelo inferno, e que retornavam para, mais tarde, seguirem novo destino. Segundo ele soube, as recompensas e as penas duravam em média o equivalente a mil anos terrestres. Alguns sofriam mais tempo, devido à maior gravidade de suas faltas. De um modo geral, as penas eram aplicadas na razão de dez por um. Aqueles que, ao contrário, haviam feito o bem ao redor de si, que haviam sido justos e piedosos, obtinham a recompensa na mesma proporção.

Depois de estagiar na planície, por sete dias, cada grupo levantava o acampamento e viajava quatro dias, após o que chegava a um sítio de onde se avistava uma coluna de luz que atravessava todo o céu e a terra. Após mais um dia de marcha. chegava-se ao centro da referida luz, onde se acha o liame entre o Céu e a Terra. Ali estava suspenso o imenso fuso da Necessidade que faz girar todas as esferas [planetasl. O próprio fuso gira sobre os joelhos da Necessidade.

No topo de cada círculo encontra-se uma Sereia que gira com ele, emitindo um som único, de uma nota apenas; e essas oito notas compõem, em conjunto, uma só harmonia (a harmonia das esferas, de Platão). Três outras mulheres, sentadas a intervalos iguais e ao seu redor, cada uma sobre um trono, as filhas da Necessidade, Lachesis, Clotho e Atropos, cantam acompanhando a harmonia das Sereias. Elas representam: Lachesis o passado. Clotho o presente, Atropos o futuro.

Quando as almas chegam àquele lugar, devem apresentar-se a Lachesis. E, então, um hierofante coloca-as em ordem: depois, tomando de sobre os joelhos de Lachesis diversos modelos de vida, sobe em um estrado elevado e fala assim:

"Declaração da virgem Lachesis, filha da Necessidade: Alma efêmeras, vós ireis começar uma nova carreira e renascer na condição mortal. Não será jamais um gênio que vos determinará a sorte, sereis vós mesmas que escolhereis o vosso gênio. Que a primeira designada por sorteio escolha em primeiro lugar a vida à qual será ligada pela necessidade. A virtude absolutamente não tem mestre; cada uma de vós, conforme a honre ou a desdenhe, tê-la-á ou mais mais menos. A responsabilidade pertence àquele que escolhe. Deus não será em absoluto o responsável". (Platão, 4 tomo, República, 617e).

Em seguida, o hierofante deita a sorte para que cada qual obtenha o devido lugar na escolha do seu destino. Depois disso ele expõe diante das almas ali presentes os modelos de vida, em número muito superior ao dos candidatos.

Escolhidos os tipos de vida desejados, todas aquelas almas dirigiram-se a Lachesis, na ordem que se lhes fixara por sorte, Lochesis deu a cada uma o gênio que fora preferido, para sentir-lhe de guardião durante a existência e fazer cumprir seu destino.

Depois os respectivos gênios as conduziram a Clotho, o qual, sob o turbilhão do fuso, fixou o destino de cada uma. Em seguida, passaram pela trama de Atropos, para tornar irrevogável o que foi fixado por Clotho. Então, sem retornar, cada alma passou sob o trono da Necessidade; e quando todas se reuniram deo outro lado, seguiram para a planície do Lethes, onde faz um calor terrível que queima e sufoca, porque essa planície é nua e desprovida de vegetação.

Chegada a tarde, aquelas almas acamparam às margens do Rio Ameles, cuja água não pode ser colhida por nenhum vaso. Cada alma é compelida a beber certa quantidade daquela água. Devido à sede, muitas bebem mais do que se deve. Mas, bebendo-a perde-se a lembrança de tudo, sobrevém o esquecimento do passado. Er não bebeu daquela água: haviam-lhe proibido de fazê-lo, pois deveria conservar a memória de tudo o que testemunhara, para relatar aos seus companheiros, mais tarde.

Dessedentadas, as almas procuram dormir para descansar. Porém, em meio à noite, um súbito estrondo se fez ouvir, seguido de um terremoto. Cada alma foi repentinamente lançada em uma direção diferente nos espaços superiores, rumo ao lugar de seu renascimento, e tombaram sobre a Terra como estrelas cadentes.

Quanto a Er, sua alma retornou ao corpo que se achava sobre a pira prestes a ser cremado, despertou e logo relatou aos seus companheiros a sua excitante aventura.

 

ORIENTE E OUTROS POVOS

As religiões predominantes na Índia são o Hinduismo forma moderna do Brahmanismo, e o Jainismo. que segue as diretrizes de Mahavira (540 a.C.]. Ambas são reencarnacionistas.

Outra religião muito difundida no Oriente é o Buddhismo, fundada por Siddartha Gautama - o Buddha (560-480 a.c.] -que nasceu em Kapilavastu, Índia, nas faldas (sopé) do Himalaia, e pertencia à tribo dos Sákias.

A reencarnação e a lei do Karma constituem os postulados básicos do Buddhismo, O objetivo primacial da "Doutrina Buddhista" consiste na libertação do Samsara círculo vicioso das reencarnações sucessivas mediante a prática das virtudes prescritas na 4ª, Nobre Verdade Ariyo Atthangiko Maggo ou o nobre caminho das oito sendas.

O Buddhismo tem uma enorme difusão. Os principais países onde ele floresce há muitos anos são: Índia, Ceilão, China, Vietnã, Coréia, Japão, Birmânia, Tibet, Camboja, Indonésia, Mongólia e Tailândia.

Mencionaremos apenas de passagem mais outros povos e religiões que aceitam a crença na reencarnação. Pérsia - hoje Irã; Zoroastrismo, ou Mazdeísmo, fundado por Zoroastro (500 a.C.), cujo livro sagrado é o ZendAvest, ensinava a reencarnação.

Os Celtas, Druidas e Teutões eram reencarnacionistas quando Cesar os encontrou.

Na Inglaterra, a Feitiçaria ensinava a reencarnação, antes do advento do Cristianismo.

Na França, os Cátharos (Século XI e XII d.C.) aceitavam a crença na reencarnação.

Na Africa, os Bagongos e Bassongos, bem como outras tribos localizadas próximo do Rio Congo, não só crêem na reencarnação, como fazem referência às marcas-de-nascença reencarnatórias ("birthmarks").

No Alasca, os índios Tlingit e os Esquimós são reencarnacionistas, O mesmo se dá com os Peles-Vermelhas Winnibagos e os índios Chippeway. Outros países como a Turquia e o Líbano possuem grande número de Drusos, os quais aceitam a reencarnação como crença religiosa. (Stevenson, 1966).

 

JUDAÍSMO E CRISTIANISMO

Os antigos judeus admitiam o renascimento. A Cabala ensina a reencarnação.

Flavius ]osephus [37 a 95 a.D.). intelectual e historiador judeu, em sua famosa obra De Bello Judaico, faz a seguinte advertência aos soldados judeus que preferiam desertar, suicidando-se:

"Não vos recordais de que todos os espíritos puros que se encontram em conformidade com a Vontade divina vivem nos mais humildes dos lugares celestiais, e que no decorrer do tempo eles serão novamente enviados de volta paro habitar corpos inocentes? Mas que as almas daqueles que cometem suicidio serão atiradas às regiões trevosas do mundo inferior" (Josephus, 1910).

No velho e novo Testamentos há várias passagens em que se notam alusões à crença na reencarnação, cultivada pelos primitivos adeptos do Judaísmo e do Cristianismo, Ei-las: Velho Testamento: Job, 1:21: Jeremias, 1:5; Malachias; 1:2-3, Novo Testamento: Matheus, X1:7-15; XVI:13-14, XVII:10-13: Marcos. VIII:27-28, IX:11-13: Lucas, 1:17, VII:24-28, 1X:18-19: João:1-13, VII:56-58. IX:1-3: Efésios, 1:3-5,

Nem todas as descobertas empíricas ou teóricas foram imediatamente aceitas e incorporadas ao sistema dominante dos conhecimentos científicos. Pelo contrário, algumas chegaram a ser energicamente combatidas.

A reencarnação evidentemente é uma das crenças mais antigas da humanidade. Ela parece apoiada nos fatos observados empiricamente pelos nossos antepassados, em todos os tempos e lugares.

Entretanto, somente agora, ela começa a conquistar o título de verdade científica e a ganhar o seu reconhecimento como LEI NATURAL.

Cremos que a maioria das pessoas admitirá a suma importância desse fato, talvez o mais significante no que concerne à natureza do homem e à sua destinação dentro do contexto cósmico.

Hernani. G. Andrade

publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 01:11

 

 

Como é compreensível, a planificação para reencarnações é quase infinita, obedecendo a critérios que decorrem das conquistas morais ou dos prejuízos ocasionais de cada candidato. Na generalidade, existem estabelecidos automatismos que funcionam sem maiores preocupações por parte dos técnicos em renascimento, e pelos quais a grande maioria de Espíritos retorna à carne, assinalados pelas próprias injunções evolutivas.

Ao lado desse extraordinário automatismo das leis da reencarnação, há programas e labores especializados para atender finalidades específicas, na execução de tarefas relevantes e realizações enobrecedoreas, que exigem largo esforço dos Mentores encarregados de promover e ajudar os seus pupilos, no rumo do progresso e da redenção.

Sem nos desejarmos deter em pormenores dos casos especiais, referentes aos missionários do Amor e aos abnegados cultores da Ciência e da Arte, os candidatos em nível médio de evolução, antes de serem encaminhados às experiências terrenas, requerem a oportunidade, empenhando os melhores propósitos e apresentando os recursos que esperam utilizar, a fim de granjearem a bênção do recomeço, na bendita escola humana...

Examinados por hábeis e dedicados programadores, que recorrem a técnicas mui especiais de avaliação das possibilidades apresentadas, são submetidos a demorados treinamentos, de acordo com o serviço a empreender, com vistas ao bem-estar da Humanidade, após o que são selecionados os melhores, diminuindo, com esse expediente, a margem do insucesso. Os que não são aceitos, voltam a cursos de especialização para outras atividades, especialmente de equilíbrio, com que se armam de forças para vencer as más inclinações defluentes das existências anteriores que se malograram, bem como para a aquisição de valiosas habilidades que lhes repontarão, futuramente, no corpo, como tendências e aptidões.

Concomitantemente, de acordo com a ficha pessoal que identifica o candidato, é feita a pesquisa sobre aqueles que lhe podem oferecer guarida, dentro dos mapas cármicos, providenciando-se necessários encontros ou reencontros na esfera dos sonhos, se os futuros genitores já estão no veículo físico, ou diretamente quando se trata de um plano elaborado com grande antecedência, no qual os membros do futuro clã convivem, primeiro, na Erraticidade, donde partem já com a família adrede estabelecida...

Executada a etapa de avaliação das possibilidades e a aproximação com a necessária anuência dos futuros pais, são meticulosamente estudados os mapas genéticos de modo a facultarem, no corpo, a ocorrência das manifestações físicas como psíquicas, de saúde e doença, normalidade ou ou idiotia, lucidez e inteligência, memória e harmonia emocional, duração do cometimento corporal e predisposições para prolongamento ou antecipação da viagem de retorno, ensejando, assim, probabilidades dentro do comportamento de cada aluno à aprendizagem terrena...

Fenômenos do determinismo são estabelecidos com margem a alternâncias do uso do livre-arbítrio, de modo a permitir uma ampla faixa de movimentação com certa independência emocional em torno do destino, embora sob controles que funcionam automaticamente, em consonância com as leis do equilíbrio geral. São travados debates entre o futuro reencarnante e os seus fiadores espirituais, com a exposição das dificuldades a enfrentar e dos problemas a vencer, nascendo e se desdobrando a euforia e a esperança em relação ao futuro.

Em clima de prece, entre promessas de luta e coragem, sob o apoio de abnegados Instrutores, o Espírito mergulha no oceano compacto da psicosfera terrena e se vincula à célula fecundada, dando início a novo compromisso. Os que amam, na Espiritualidade, ficam expectantes e interessados pelos acontecimentos, preocupados pelos sucessos que se darão, e buscando interceder nas horas graves, auxiliando nos momentos mais difíceis, encorajando sempre...

A REENCARNAÇÃO, porém, que leva a parcial esquecimento das responsabilidades, em razão da imantação celular que se faz, é sempre cometimento de grande porte e alta gravidade. Conseguindo o êxito do renascimento, continua o intercâmbio, durante a primeira infância, com os Amigos da retaguarda espiritual e, à medida que o corpo absorve o Espírito ou este se assenhoreia daquele, vão-se apagando as lembranças mais próximas enquanto ressumam as fixações mais fortemente vivas no ser, dando nascimento às tendências e paixões que a educação e a disciplina moral devem corrigir a benefício do educando.

Nunca cessam, em momento algum, os socorros inspirativos que procedem da esfera espiritual, em contínuas tentativas pelo aproveitamento integral do valioso investimento a que o Espírito se propôs. O retorno é feito, quase sempre, com altos índices de fracasso, com agravamento de responsabilidades; de insucesso, em decorrência da invigilância e da indolência, dando margem à amargura e à perturbação; de perda do tentame, graças à fatuidade e aos graves comprometimentos do pretérito, de que não se conseguiram libertam...

Pode-se compreender a preocupação afetuosa dos Benfeitores Espirituais que acompanham os seus pupilos, à medida que estes se afastam da sua influência benéfica e se transferem espontaneamente de área vibratória, entregando-se aos envolvimentos perniciosos e destrutivos. Instam, esses nobres cooperadores do bem, para que os seus protegidos retornem ao roteiro traçado, usando de mil recursos sutis, ou de interferências mais vigorosas, tais como as enfermidades inesperadas, os acidentes imprevistos, as dificuldades econômicas, a carência afetiva, de modo a despertarem do anestésico da ilusão os que se enovelaram nos fios da leviandade ou se intoxicaram pelo bafio do orgulho, do egoísmo, da cólera...

A REENCARNAÇÃO é o maior investimento da vida ao Espírito em processo evolutivo, o qual, sem ela, padeceria a hipertrofia de valores intelecto-morais, pela falta do ensejo da convivência com aqueles que se lhe vinculam pelo amor santificado, pelo amor asselvajado das paixões dissolventes, ou pelo amor enlouquecido no ódio, na violência, na perseguição... A conjuntura carnal constitui valiosa aprendizagem para a fixação dos recursos mais elevados do bem e do progresso na escalada inevitável da evolução.

Sem dúvida, o parcial olvido dos compromissos assumidos responde por alguns fatores do insucesso, mas, ao mesmo tempo, isto constitui a mais expressiva concessão do amor do Pai, evitando que se compliquem os fenômenos da animosidade e do ressentimento, das mágoas e das preferências exclusivistas, que tenderiam a reunir os afins nos gostos e afetos, produzindo um clima de desprezo e agressão contra aqueles que se lhes opusessem.

Como jamais retrograda o Espírito, no seu processo evolutivo, os insucessos não atingem as conquistas, que permanecem, agravando, isto sim, o programa de responsabilidades de que se desobrigará, quando falharem as provações remissoras, mediante as expiações redentoras que serão utilizadas como terapêutica final. Todas as conquistas da inteligência - e sempre são logradas novas etapas, nesse campo, em cada reencarnação - permanecem, embora as aquisições morais, mais lentas, porém mais importantes, somente através de sacrifício e renúncia, de amor e devotamento conseguem ser alcançadas.

Com as luzes projetadas pelo Espiritismo, na atualidade, o empreendimento da reencarnação adquire hoje mais amplo entendimento pelos homens, que reconhecem a sua procedência espiritual, identificando-a e, por sua vez, preparando-se para o retorno à vida que estua e nela se encontra, inevitavelmente, seja no corpo ou fora dele.

 

REMINISCÊNCIAS E CONFLITOS PSICOLÓGICOS
O processo da reencarnação está a exigir estudos acurados por embriogenistas, biólogos e psicólogos, de modo a poderem penetrar nos seus meandros, que lhes permanecem ignorados, o que dá margem, nessas áreas de estudo, quando diante de determinados acontecimentos, a opiniões sem fundamentação, porque destituídas do conhecimento das causas, cujos efeitos contemplam. Iniciando-se, no momento da fecundação, alonga-se o processo reencarnatório até a adolescência do ser, quando, a pouco a pouco, atinge a plenitude. (Consultado o Espírito Manoel P. Miranda, este esclareceu, por intermédio de Divaldo Franco, que mesmo terminado aos 7 anos o processo reencarnatório, este se vai fixando, lentamente, até o momento da transformação da glândula pineal, na sua condição de veladora do sexo).

As impressões mais fortes das experiências passadas fixam-se no corpo em formação, através de deficiências físicas ou psíquicas, saúde e inteligência, de acordo com o tipo de comportamento que caracteriza o estado evolutivo do Espírito. Estabelecidos os programas cármicos referentes às necessidades de cada ser, outros fatores contribuem, durante a gestação e o parto, para ulteriores fenômenos psicológicos no reencarnante.

Graças à simpatia ou animosidade que o vinculam aos futuros genitores, estes reagem de forma positiva ou não, envolvendo o filho em ondas de ternura ou revolta que o mesmo assimila, transformando-se essas impressões em fobias ou desejos que exteriorizará na infância e poderá fixar, indelevelmente, na idade adulta. Porque lúcido, acompanhando o mergulho na organização física, percebe-se desejado ou reprochado, registrando os estados familiares, bem como os conflitos domésticos do meio onde irá viver.

Vezes ocorrem, em que o pavor se torna tão grande, que o Espírito desiste da reencarnação ou, em desespero, interrompe inconscientemente o programa traçado, resultando em aborto natural a gestação em andamento. Os meses de ligação física com a mãe são, também, de vinculação psíquica, em que o recomeçante em sofrimento pede apoio e amparo, ou, se ditoso, roga ternura para o fiel cumprimento do plano feliz que se encontra em execução.

Adicionando-se às LEIS DO MÉRITO os fenômenos emocionais dos futuros pais, esses resultarão em heranças, que fazem pressupor semelhanças com o clã, estudadas pelas modernas leis da genética. - Tal pai, tal filho - afirma o refrão popular, demonstrando a força dos genes e cromossomos nos códigos da hereditariedade. A verdade, porém, é diversa. Se ocorrem semelhanças físicas e até psicológicas, estas adquiridas mediante convivência familiar, o mesmo não se dá nos campos moral e intelectual.

O Espírito é o herdeiro das próprias conquistas passadas, graças às quais se expressa no campo da atividade nova. No entanto, os comportamentos familiares influem sobre a conduta do reencarnante, que se impregna - especialmente quando se trata de Espírito imperfeito - dos conflitos e das vibrações perniciosas que lhe irão influenciar profundamente o procedimento.

Reações de várias ordens se manifestarão na criança, como resultantes da insegurança que experimenta no berço novo, desdobrando-se em rebeldia e insatisfação, nervosismo e incapacidade intelectual, durante a infância e a adolescência, com agravantes para o futuro, caso o amor dos pais não interrompa a caudal das reminiscências infelizes. O auxílio do psicólogo, a terapia cuidadosa ajudam no mecanismo de reajustamento da criança, todavia, aos pais cumprem a tarefa maior, assistindo e amparando o filhinho temeroso e desconfiado, necessitado de segurança e tranquilidade.

Não nos referimos aqui ao capítulo adicional das obsessões, que exercem forte interferência no quadro complexo da reencarnação, respondendo por graves injunções no comportamento infantil. Detemo-nos, apenas, nas reminiscências, ora do domínio do inconsciente atual, que irrigam a consciência com temores e conflitos, produzindo estados de desequilíbrio, que poderiam ser evitados. Enurese noturna, irritabilidade, pavores de toda espécie, timidez, ansiedade encontram nas ocorrências da vida fetal, em relação à mãe e aos demais familiares, muitas das suas causas.

Não obstante, é possível minimizar-lhes as consequências, através de uma atitude firme e afetuosa dos pais, particularmente da mãe, utilizando-se do sono do filhinho para infundir-lhe coragem e anular-lhe as impressões negativas, envolvendo-o em amor e conversando com ele, com sincero carinho, transmitindo-lhe a confiança de que romperá a barreira invisível das dificuldades, enfim, alcançando-lhe o íntimo.

Desde que ainda não esteja concluída a reencarnação, o Espírito ouvirá e entenderá as sugestões positivas que lhe são apresentadas, o amor que lhe é oferecido, toda a gama de afeição que lhe é destinada. Quantas vezes um conflito sexual não se originará, na criança em face da decepção da mãezinha que esperava um varão e recebeu uma menina, ou vice-versa, e, vítima, de imaturidade, declara o desagrado, explodindo em pranto injustificado, assim chocando o recém-chegado, que lhe recebe o rechaço, vindo a exteriorizá-lo, mais tarde, em forma de conflito!?

Sempre é tempo de reconsiderar-se a atitude, reconciliando-se com o ser menosprezado, graças ao grau de amor e à força do bem que se coloque no relacionamento afetivo lúcido, quando o mesmo estiver dormindo, portanto, em situação receptiva. O inconsciente receberá as novas informações, que serão arquivadas, e ressumarão, posteriormente, de forma agradável e cordial, estruturando a personalidade infanto-juvenil e proporcionando-lhe mais amplas aquisições que logrará com o tempo, conduzido por aqueles a cujo lado recomeça a caminhada redentora.

Mesmo na adolescência, quando não se soube agir antes, deve-se tentar recuperar o filho, reconquistá-lo, conversando com ele, em estado de sono, perseverando-se em um relacionamento tranquilo e gentil, também durante a fase em que esteja desperto, agindo com amor ao invés de reagindo com ira ou zombaria, quando o mesmo apresente seus conflitos, suas dificuldades...

Não será o ato de falar, pura e simplesmente, mas empatia, o contributo da emoção afetuosa com os quais a palavra se carregue, para alcançar a finalidade a que se destina. Por fim, é necessário que a carga de certeza do êxito se faça presente, conforme enunciou Jesus: "Tudo é possível àquele que crê", para que os resultados felizes coroem a empresa do amor.

MANOEL P. DE MIRANDA - TEMAS DA VIDA E DA MORTE

publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 01:04

Sábado, 27 de Fevereiro de 2010

 

 

Sacerdotes e pastores, homens de fé, sinceros e bons procuraram demonstrar-me que as religiões não estão em crise. Sustentaram que a crise é do homem e não das instituições religiosas. As religiões continuam vivas e atuantes no coração dos crentes - disseram mas os homens mundanos, que se entregam à loucura do século, conturbam a paisagem terrena. É necessário que os homens busquem a Deus, que tenham a experiência de Deus. E essa experiência só é possível quando o homem se desliga do mundo para ligar-se a Deus através da oração e da meditação. Falaram de milhares de pessoas que, no torvelinho da vida contemporânea, procuram todos os dias, a horas certas, o refúgio dos templos ou de um quarto solitário para tentar um encontro pessoal com Deus. Muitas dessas pessoas já conseguiram a audiência secreta com o Todo Poderoso. São criaturas felizes, iluminadas pela graça divina, que sustentam com sua fé inabalável a continuidade das religiões e garantem a sua expansão.

É bom que existam pessoas assim, dedicadas vestais que zelam pelo fogo sagrado. São os últimos abencerrages do formalismo religioso, flores de estufa cultivadas na penumbra das naves sagradas. Cuidam da fé como jardineiros especializados que cultivam uma espécie vegetal extremamente delicada. Acreditam que os seus canteiros floridos darão sementes para semeaduras ilimitadas por toda a superfície da Terra. Não percebem essas almas eleitas que cultivam exclusivamente a si mesmas, ocultam na aparência piedosa seus conflitos profundos e nada mais fazem do que fugir da realidade escaldante da vida. Não escondem a cabeça na areia, pois mergulham de corpo inteiro no sonho egoísta da salvação pessoal.

As práticas místicas do passado provaram mal a sua eficácia. Do Oriente ao Ocidente, multidões de gerações de crentes desfilaram sem cessar, através dos milênios, pelos templos de todas as religiões, convictas de haverem alcançado a salvação pessoal, enquanto hordas ferozes e exércitos em guerras de extermínio brutal cobriam o mundo de ruínas, cadáveres inocentes, sangue e lágrimas. Os que ouviram Deus em audiência particular não se recusaram a pegar em armas para estraçalhar seus irmãos considerados como réprobos e infiéis. Santos Bispos e Padres, pastores calvinistas, crentes populares, fidelíssimos e humildes, não acenderam suas lâmpadas votivas para iluminar as noites trevosas. Preferiram acender fogueiras inquisitórias e, quando o sol raiava, submeter piedosamente os hereges à morte redentora do garrote vil, réplica religiosa à guilhotina profana.

Lembro-me do episódio histórico de Jerônimo de Praga. Depois de haver assistido, pelas grades da prisão, seu mestre João Huss ser queimado vivo em praça pública, foi também glorificado com a graça especial de uma fogueira semelhante. No momento em que as chamas começavam a iluminar a sua figura estranha, caridosamente amarrada ao palanque do suplício (para salvação de sua alma rebelde) viu uma pobre velhinha aproximar-se da fogueira com uma acha de lenha e atirá-la ao fogo. Era a sua contribuição piedosa para a salvação do ímpio. Jerônimo exclamou apenas:

"Santa simplicidade!" Pouco depois estava reduzido a cinzas, para glória de Deus, e suas cinzas foram lançadas ritualmente nas águas do Reno.

Todas as formas de culto, todos os ritos, todos os sacramentos, todas as cerimônias religiosas, todos os cilícios foram empregados nos milênios sombrios do fanatismo religioso, para a salvação da Humanidade. E eis que agora chegamos a um tempo de descrença generalizada, de materialismo e ateísmo oficializados, de hipocrisia pragmática erigida em sustentáculo das religiões fracassadas. Deus falava diretamente com seu servo Moisés no deserto, falava-lhe cara a cara, ordenando matanças coletivas, genocídios tenebrosos, destruição total dos povos que impediam o acesso dos hebreus à terra dos cananeus, que seria tomada a fio de espada. Deus continua falando em particular a seus servos em nossos dias, para a sustentação das igrejas, enquanto o Diabo não perde tempo e alicia milhões de almas perdidas para as práticas do terrorismo, para a matança de crianças e criaturas inocentes, para assaltos e estupros em toda a face da Terra.

A experiência de Deus sustenta os crentes privilegiados e sustenta suas igrejas salvacionistas. E enquanto não chega a salvação, católicos e protestantes matam-se gloriosamente nas lutas fraticidas da Irlanda, em plena era das mais brilhantes conquistas da inteligência humana. Que estranha experiência é essa, que não revela os seus frutos, que não prova a sua eficácia? Deus estaria, acaso, demasiado velho para não perceber a inutilidade dos seus métodos de salvação pessoal em audiências privadas? E os seus servidores, os clérigos investidos de autoridade divina para implantar na Terra o Reino do Céu, porque não avisam o velho monarca da inutilidade milenarmente provada de sua técnica de conta-gotas?

Não seria mais certo tentarmos a revisão dos conceitos religiosos que nos deram a herança de tantos fracassos e tão espantosa expansão do materialismo e do ateísmo no mundo? Todas as grandes religiões afirmam a onipresença de Deus no Universo. Não obstante, todas consideram o mundo (criado por Deus) como profano, região em que as trevas dominam e o Diabo faz a incessante caçada das almas de Deus. É curioso lembrar que nos tempos mitológicos o mundo era considerado sagrado, a vida uma bênção, os prazeres naturais e as leis da procriação eram graças concedidas pelos deuses aos homens. O monoteísmo judaico, desenvolvido pelo Cristianismo, impregnou o mundo com a onipresença de Deus e o mundo tornou-se profano. Se Deus está presente num grão de areia, numa, folha de relva, num fio dos nossos cabelos e numa pena das asas de um pássaro, como, apesar dessa impregnação divina, o homem se defronta com a impureza do mundo? Por que estranho motivo necessitamos de ritos especiais para purificar a inocência de uma criança, se Deus está presente no seu olhar puro e límpido, no seu choro, na meiguice do seu rostinho ainda não marcado pelo fogo das paixões terrenas? E porque precisa o cadáver de recomendação, com aspersão de água benta, se a ressurreição dos mortos se faz, como ensina o Apóstolo Paulo na I Epístola aos Coríntios e como Jesus exemplificou na sua própria morte, no corpo espiritual e não no corpo material?

São esses e outros muitos problemas acumulados nos erros milenares dos teólogos que levam o homem contemporâneo à descrença e ao materialismo, ao ateísmo e ao niilismo. São todos esses erros que colocam as religiões em crise e as levarão à morte sem ressurreição. Considerando-se, porém, esse estranho panorama religioso da Terra numa perspectiva histórica, à luz da razão, compreende-se facilmente que os erros de ontem, até hoje sustentados pelas religiões, foram úteis e necessários nos tempos de ignôrancia, em que os problemas espirituais não podiam ser colocados em termos racionais. Há justificativas válidas para o passado religioso, mas não justificativas possíveis para o seu presente contraditório e absurdo. A tese, mais do que absurda, do Cristianismo Ateu, com que teólogos rebeldes procuram hoje remendar as vestes esfarrapadas das igrejas, só vem acrescentar maior confusão ao momento de agonia das religiões envelhecidas.

O problema da experiência de Deus poderia ser resolvido com um mínimo de reflexão. Se Deus está em nós, e por isso somos deuses em potência, segundo a própria expressão evangélica, porque necessitamos de uma busca artificial de Deus para termos a experiência da sua realidade? Se fomos criados por Deus e se Deus pôs em nós a sua marca, como afirmou Descartes - a idéia de Deus em nós, que é inata - já não trazemos, ao nascer, a experiência de Deus? E se, no desenvolver da vida humana, o homem nada mais faz do que cumprir um desígnio de Deus, assistido pelos Anjos Guardiães, porque tem ele de buscar a Deus através de uma prática artificial e egoísta, procurando preservar-se sozinho num mundo em que a maioria se perde irremediavelmente? Moisés supunha ter ouvido o próprio Deus no Sinai, mas o Apóstolo Paulo explicou que Deus lhe falara através de mensageiros, que são anjos. As pessoas que buscam hoje a experiência de Deus em audiência privada serão mais dignas do que Moisés, não estarão sujeitas a ouvir a voz de um anjo, que tanto pode ser bom quanto mau, pois as próprias igrejas admitem que os anjos decaídos andam à solta pela Terra procurando roubar para o Inferno as almas de Deus? Quem estará livre, na sua piedosa tarefa de salvar-se a si mesmo, de ser tentado pelo Diabo, que tentou o próprio Jesus nas suas meditações solitárias no Deserto?

As práticas místicas do passado não servem para a era da razão, em que nos encontramos na antevéspera da era do espírito. Orar e meditar é evidentemente um exercício religoso respeitável e necessário em todos os tempos. A oração nos liga aos planos superiores do espírito e a meditação sobre questôes elevadas desenvolve a nossa capacidade de compreensão espiritual. Mas o dogma da experiência de Deus através de um pretensioso colóquio direto e pessoal com a Divindade é uma proposição egoísta e vaidosa. Se Deus é o Absoluto e nós somos relativos, a humildade não nos aconselha a ter mais cautela em nossas relaçôes pessoais com a Divindade? São muitos os casos de perturbaçôes mentais, de obsessôes perigosas, de lamentáveis desequilíbrios psíquicos decorrentes de exageradas pretensôes das criaturas humanas no campo das práticas religiosas. A História das Religiões é marcada por terríveis experiências nesse sentido. Basta lembrarmos os casos de perturbações coletivas em conventos e mosteiros da Idade Média, onde os excessos de misticismo transformaram criaturas piedosas em vítimas de si mesmas, sujeitando-as não raro à própria condenação da igreja a que pertenciam e a que procuravam servir.

Os dogmas de fé, que formam a estrutura conceptual das igrejas, são as pedras de tropeço do seu caminho evolutivo. Partindo do princípio de que a Revelação Divina é a própria palavra de Deus dirigida aos homens, as igrejas se anquilosaram em seus dogmas intocáveis, pois a exegese humana não poderia alterar as ordenaçôes ao próprio Deus. Na verdade, a alteração se verificou em vários casos, apesar disso, mas decisões conciliares puseram a última pá de cimento nos erros cometidos. As estruturas eclesiásticas tornaram-se rígidas e as igrejas confirmaram, no seu espírito, a ossatura de pedra de suas catedrais. Vangloriam-se ainda hoje da sua imutabilidade, num mundo em que tudo evolui sem cessar. Os resultados dessa atitude ilusória e pretensiosa só poderiam ser nefastos, como vemos atualmente no lento e doloroso processo de agonia das religiões. Incidiram assim no pecado do apego, contra o qual os Evangelhos advertiram os homens. Apegaram-se de tal maneira à própria vida, que perderam a vida em abundância que Jesus prometeu aos que se desapegassem. As liberalidades atuais chegaram demasiado tarde.

A palavra dogma é grega e seu sentido original é opinião. Adquiriu em filosofia e religião o sentido de princípio doutrinário. Nas Escrituras religiosas aparece algumas vezes com o sentido de édito ou decreto de autoridades judaicas ou romanas. Entre o dogma religioso e o filosófico há uma diferença fundamental. O dogma religoso é de fé, princípio de fé que não pode ser contraditado, pois provém da Revelação de Deus. O dogma filosófico é racional, dogma de razão, ou seja, princípio de uma doutrina racionalmente estruturada. O sentido religioso superou os demais por motivo das conseqüências muitas vezes desastrosas da sua rigidez e imutabilidade. Se falarmos, por exemplo, em dogmática, esse termo é geralmente entendido como designando a estrutura dos dogmas fundamentais de uma religião. Por isso, a adjetivação de dogmática, que implica também o masculino, como nas expressões: pessoa dogmática, posição dogmática ou homem dogmático, significa intransigência de opiniões. O mesmo acontece com o substantivo dogmatismo, que designa um sistema de opiniões intransigentes.

Estas influências religiosas na semântica revelam a intensidade da rigidez a que as igrejas se entregaram, através dos séculos e dos milênios, na defesa da suposta eternidade de seus princípios básicos. Temos, portanto, no dogma de fé, um dos motivos fundamentais da crise das religiões em nossos dias. No Espiritismo, como em todas as doutrinas filosóficas, existem dogmas de razão, como o da existência de Deus, o da reencarnação, o da comunicabilidade dos espíritos após a morte. Muitos adeptos estranham a presença dessa palavra nos textos de uma doutrina que se afirma antidogmática, aberta ao livre exame de todos os seus princípios. São pessoas ainda apegadas ao sentido religioso da palavra. Não há nenhuma razão para essa estranheza, como já vimos, do ponto de vista cultural.

O problema da religião no Espiritismo tem provocado discussões e controvérsias infindáveis, porque essa doutrina não se apresenta como religião no sentido comum do termo. Allan Kardec, discípulo de Pestalozzi, adotava a posição de seu mestre no tocante à classificação das religiões. Pestalozzi admitia a existência de três tipos de religião: a animal ou primitiva, a social e a espiritual. Mas recusava-se a chamar esta última de religião, dando-lhe a designação de moralidade. lsso porque a religião superior ou espiritual, segundo ele, só era professada individualmente pela criatura que superava o ser social e desenvolvia em si o ser moral. Kardec recusou-se a falar em Religião Espírita, sustentando que o Espiritismo é doutrina científica e filosófica, de conseqüências morais. Mas deu a essas conseqüências enorme importância ao considerar o Espiritismo como desenvolvimento histórico do Cristianismo, destinado a restabelecer a verdade dos princípios cristãos, deformados pelo processo natural de sincretismo-religioso que originou as igrejas cristãs.

Essa posição espírita manteve a doutrina e o movimento doutrinário em posição marginal no campo religioso. Para os espíritas, entretanto, a posição da doutrina não é marginal, mas superior, pois o Espiritismo representaria o cumprimento da profecia evangélica da Religião em espírito e verdade, que se desenvolveria sob a égide do próprio Cristo. A religião espírita não se organizou em forma de igreja, não admite sacramentos nem admitiu nenhuma forma de autoridade religiosa de tipo sacerdotal. Não há batismo, nem casamento religioso no Espiritismo, nem confissões ou indulgências. Todos esses formalismos são considerados como de origem pagã e judaica. Entende-se o batismo como rito de iniciação, que , Jesus substituiu pelo batismo do espírito, sendo este considerado como a iniciação no conhecimento doutrinário, feita naturalmente pelo estudo da doutrina, sem nenhum ato ritual. Admite-se também que o batismo do espírito, segundo o texto do Livro de Atos dos Apóstolos sobre a visita de Pedro a casa do centurião Cornélius, no porto de Jope, pode completar-se, nos médiuns, quando se verifica espontaneamente, com o desenvolvimento da mediunidade.

Essa posição espírita no campo religioso causou numerosas dificuldades aos espíritas no tocante às relações de instituições doutrinárias com os poderes oficiais, particularmente para a declaração de religião em documentos oficiais, para o resguardo dos direitos escolares em face do ensino religioso, para a declaração de religião nos recenseamentos da população, até que medidas oficiais reconheceram esses direitos.

Em compensação, o Espiritismo ficou livre das conseqüências da crise religiosa, que não o atingiram. Sua contribuição para a racionalização dos princípios religiosos, para a reintegração da Religião no plano cultural, particularmente no tocante aos problemas científicos da atualidade, é realmente substancial. No campo filosófico a posição espírita é também vanguardeira, pois desde o século passado sua filosofia se apresenta como livre dos prejuízos do espírito de sistema, conservando-se aberta a todas as renovações que decorrem de descobertas cientificamente comprovadas. Livre da dogmática religiosa e da sistemática filosófica, apoiada inteiramente na pesquisa científica, a doutrina está de fato a cavaleiro nas crises da atualidade.

J. Herculano Pires - Agonia das Religiões

publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 19:11

Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

 

Sempre nos chamou a atenção o épico bíblico sobre a conquista da cidade de Jericó pelos hebreus, narrada no livro de Josué.
Para que possamos nos situar diante dessa história, vamos, dentro do possível, resumir sua narrativa até chegar a esse ponto da conquista. O povo hebreu pernoitava às margens do rio Jordão, já se preparando para receber a posse da terra que Deus lhe havia prometido (aliás, eliminando os donos para dá-la a ele) tem pela frente, a cidade de Jericó. Josué, que o liderava, manda dois espiões para examinarem a cidade, que são recebidos por Raab, uma prostituta. Ela os esconde do rei de Jericó, tendo deles a promessa de salvá-la quando do ataque final à cidade. Depois disso Josué instrui que, na travessia do Jordão, os sacerdotes deveriam ir à frente, carregando a Arca da Aliança; e um fato extraordinário acontece, então: o rio se divide em dois; vejamos o relato:
Josué 3,14-17: “Quando o povo deixou as tendas para atravessar o Jordão, os sacerdotes que levavam a arca da aliança caminhavam na frente do povo. Chegando ao Jordão, quando os sacerdotes que levavam a arca molharam os pés na beira da água - pois o Jordão transborda sobre as margens durante o tempo da ceifa - a água que vinha de cima parou, levantando-se num só monte, bem longe, em Adam, cidade que fica ao lado de Sartã; e a água que descia ao mar da Arabá, o mar Morto, escoou totalmente, de modo que o povo pôde atravessar diante de Jericó. Os sacerdotes, que levavam a arca da aliança de Javé, ficaram parados no leito seco, no meio do Jordão, enquanto todo o Israel atravessava a pé enxuto, até que todos acabaram de atravessar.”
Estamos diante do nosso primeiro problema, qual seja, a divisão das águas do rio Jordão. Estaria repetindo-se o acontecido no Mar Vermelho? Vamos elucidar essa questão.
Em se referindo ao fato, os tradutores Pe. Matos Soares, João Ferreira de Almeida e os missionários capuchinhos de Portugal disseram:
A grandiosidade do milagre pode ser argüida pelo fato de que se verificou no tempo e lugar preanunciado, quando o rio – por causa do degelo das neves do monte Hermon – estava em cheia e, portanto, com o dobro da largura que habitualmente tem, cerca de 60m, com águas vorticosas e rápidas que dificilmente se podia atravessar. Segundo cronista árabe Nuwairi, em 1267 as águas do Jordão interromperam o curso durante dez horas por causa de um deslizamento que lhe obstruíra o leito. Nada obsta que Deus se tenha servido de uma causa natural para conseguir seus fins. (Paulinas, 1980, p. 222-223).
O Jordão transbordava nos meses de maio e junho. Em Adã, cidade 25 km ao norte, o Jordão corre entre ribanceiras de barro de 13m de altura, sujeitas a desmoronamento. Podia ter sido o método que Deus usou para estancar as águas e deixar passar o povo, na hora determinada por Ele. (Vida Nova e SBB, 2005, p. 309).
A descrição das águas a amontoarem-se e as do sul a escoarem-se para o Mar Morto não nos deve levar a uma imagem pueril de duas colunas de água, por meio das quais passaram os israelitas. Vê-se que o autor pretende mostrar a intervenção miraculosa de Deus em favor do seu povo, no momento preciso e na medida necessária. Isto não exclui que Deus se tenha servido dos elementos naturais da região. Sabemos que as águas do Jordão, no seu leito estreito e profundo, vão minando as margens, provocando de vez em quando grandes desabamentos de terras que podem obstruir por completo, a torrente. A partir desse lugar, o leito permanece seco até que as águas rompem uma passagem e encontram de novo o seu caminho. A história conta-nos que isso aconteceu em 1267, 1914 e 1927. Em nada se diminuiria a ação de Deus se se tivesse servido miraculosamente nesse momento exato, destes elementos locais. (Santuário, 1984, p. 286).
É interessante como se faz questão de enxergar milagre em todos os fenômenos de ordem natural, como se Deus fosse um mágico retirando variados objetos de sua cartola.
Em Josué 2,7 fala-se em “vaus do Jordão”, ou seja, havia, nesse rio, trechos rasos, pelos quais se podia passar a pé ou a cavalo. Explicado isso, vejamos o que sobre o assunto disse Werner Keller:
Hoje há uma pequena ponte sobre o vau. O Jordão é estreito, muito estreito, e sempre apresentou muitos vaus. A população local conhece-os perfeitamente. Próximo de Jericó, as águas sujas de lama amarela durante a seca mal atingem dez metros de largura.
Quando Israel chegou ao Jordão, o rio estava cheio. “Porque o Jordão, sendo tempo de ceifa, inundava as margens do seu leito” (Josué 3.15). Como acontece todos os anos, havia começado o degelo das neves do Hermon. “As águas, que vinham de cima, pararam num só lugar, e levantando-se à maneira de um monte...” - como que se empilharam - “... perto da cidade de Adom... e todo o povo de Israel ia passando pelo leito do rio a pé enxuto” (Josué 3.26 e 17). El Damiyeh, um vau muito usado no curso médio, lembra esse sítio de Adom. Se as águas crescerem subitamente, poderá se formar nesse lugar raso, durante um breve período, uma espécie de açude natural, enquanto o curso inferior se mantém quase inteiramente seco.
Entretanto, o represamento da água do Jordão, que tem sido testemunhado diversas vezes, é devido sobretudo a terremotos. O último dessa espécie aconteceu em 1927. Devido a um violento abalo desmoronaram-se as margens do rio, e grandes massas de terra das pequenas colinas que se erguem ao longo de todo o curso serpeante rolaram para o rio. A água ficou inteiramente represada durante vinte e uma horas. Em 1924, ocorreu a mesma coisa. Em 1906, o Jordão entulhou-se de tal modo devido a um terremoto, que o leito do rio abaixo de Jericó ficou inteiramente seco durante vinte e quatro horas. Narrativas árabes falam de um acontecimento semelhante em 1267 da nossa era. (KELLER, 2000, p. 176-177). (grifo nosso).
Eis as explicações da arqueologia, contra a qual não adiantará protestar. Demonstrado, portanto, o caso como fenômeno de ordem puramente natural, causado por terremotos na região, que fazem com que se deslizem, para o leito do rio Jordão, grande quantidade de terra.
Estamos agora do outro lado do rio, perto de Jericó, quando Josué tem uma grata surpresa:
Josué 5,14: “... Josué levantou os olhos e viu em pé diante de si um homem com a espada desembainhada na mão. Josué se aproximou dele e perguntou: 'És a nosso favor ou a favor dos nossos inimigos?' Ele respondeu: 'Eu sou o chefe do exército de Javé, e acabo de chegar'. Então Josué prostrou-se com o rosto por terra e o adorou...”
Como se diz: gente, com uma ajuda dessa quem não ganharia uma guerra? Veja bem, caro leitor, o próprio “Chefe do Exército de Javé” (nem sabia que existia esse cargo) desce para ajudar o povo hebreu, evidenciando a tomada de partido por Deus, contrariando o fato de que “Deus não faz acepção de pessoas” (Dt 10,17; 2Cr 19,7; At 10,34; 15,9; Rm 2,11; Gl 2,6; 3,8; Ef 6,9; Cl 3,25 e 1Pe 1,17).
Agora sim, estamos diante do dia “D”; leiamos:
Josué 6,1.5: Jericó estava rigorosamente fechada por causa dos israelitas. Ninguém saía e ninguém entrava. Quando derem um toque prolongado, quando ouvirdes o som da trombeta, todo o povo lançará um grande grito; o muro da cidade virá abaixo, e o povo subirá, cada um à sua frente.
É a única cidade conquistada literalmente no grito, de que temos conhecimento. Vejamos as opiniões dos tradutores bíblicos sobre isso:
O cap. 6 oferece algumas dificuldades quanto à conservação do texto e quanto à critica literária. É, entretanto, evidente que pretende mostrar a coragem dos guerreiros e principalmente o auxilio sobrenatural. As procissões têm uma finalidade religiosa: invocar a ajuda de Deus e implorar a maldição sobre a cidade. É natural que ao mesmo tempo servissem para atemorizar os habitantes de Jericó e para os distrair, enquanto os hebreus preparavam os seus dispositivos para o ataque. De fato, em 24,11 fala-se de combate em Jericó. A narrativa, em estilo épico, não nos permite saber com exatidão como foi tomada a cidade. As repetidas escavações arqueológicas em Jericó não nos dão informações muito precisas quanto ao período a que se refere o texto sagrado, ou seja cerca de 1210 a.C. Recentemente sugere-se a hipótese de um grande túnel aberto pelos hebreus para entrarem na cidade. A poeira levantada pelas procissões não teria permitido aos habitantes que se apercebessem desses trabalhos. Como quer que fosse, a tomada de Jericó foi na mente do autor sagrado um grande milagre de Javé em favor do seu povo. (Santuário, 1984, p. 289). (grifo nosso).
Na origem deste relato há uma tradição do santuário de Guilgal que testemunhava uma liturgia ao redor de Jericó ao som de trombetas, clamores, circum-ambulação durante sete dias. Essa liturgia celebrava a providência de Deus que tinha feito desmoronar a muralha, sinal da invencibilidade das cidades. O relato antigo foi transformado tanto para acentuar seu aspecto litúrgico (arca, sacerdotes), como para dele fazer um relato de guerra sacral (Anátema); não é um relato guerreiro. O texto hebraico é notavelmente mais longo que o da LXX, omite numerosas expressões (entre parêntesis no texto). Mesmo sob sua forma primitiva, o relato não é histórico como relato de conquista, mas testemunha a seu modo a entrada das tribos em Canaã. A primeira cidade encontrada já estava destruída. A arqueologia não fornece nenhuma indicação de uma destruição de Jericó pelo fim do séc. XIII a.C. (Paulus, 2002, p. 319). (grifo nosso).
O relato da tomada de Jericó é uma espécie de modelo da estratégia usada na conquista das cidades-estado de Canaã. Na ocasião da conquista, Jericó não tinha muralhas, e talvez já nem fosse habitada, pois tinha sido destruída fazia dois séculos. Provavelmente, foi nesse lugar que começou a ser celebrada a representação ritual de uma guerra santa com pormenores litúrgicos (arca, procissão, sacerdotes, sete dias, toque de trombeta) e guerreiros (arca, guerreiros, grito de guerra, toque de trombeta). (Paulus, 2001, p. 247). (grifo nosso).
Por ocasião da conquista, Jericó não tinha muralhas e talvez nem fosse habitada, pois já fora destruída há dois séculos. Temos aqui uma comemoração festiva de caráter litúrgico (arca, procissão, sacerdotes, 7 dias, grito, toque de trombeta) e guerreiro (arca, tropas de guerra, grito, toque de trombeta, talvez a representação ritual de uma guerra santa. O tema central é a conquista maravilhosa da cidade: Deus venceu o inimigo para dar a Terra ao seu povo. (Vozes, 1989, p. 241). (grifo nosso).
Chama-nos a atenção o fato de que sabem muito bem que o acontecimento bíblico não ocorreu; mas, mesmo assim, afirma-nos tratar-se de um milagre, como é caso desta tradução, que, em se referindo a passo Js 6,20-21, diz:
A queda dos muros de Jericó não se deveu nem ao grito de guerra, nem ao som das trombetas, e não se pode explicar senão como um milagre. Portanto, toda outra interpretação deve ser rejeitada como falsa e arbitrária (Hebr. 11,30). O autor quer fazer ressaltar a intervenção divina. (Paulinas, 1980, p. 225).
Nem os que professam a mesma religião não se entendem, pois esse último pertence ao mesmo segmento religioso dos outros citados um pouco antes. Mas não vamos deixar os católicos sozinhos, pois, certamente nos acusariam de parcialidade; portanto, vejamos a opinião dos protestantes:
A tentativa de asseverar-se que a queda de Jericó ocorrera devido a qualquer causa que não seja um milagre, é totalmente contrária à natureza deste capítulo. Fala-se de um terremoto, da queda dos muros, de um assalto súbito depois de ter dado aos guardas, sobre os muros, a impressão de que se tratava apenas de procissões religiosas. O que deu força aos invasores foi verificar que Deus estava cumprindo, de maneira bem dramática as Promessas concedidas a Abraão, a Moisés e a Josué. Sem um milagre desta natureza, a poderosa fortaleza nunca cederia perante aquelas tribos do deserto, e os israelitas nunca poderiam ter tomado ânimo para empreender uma conquista, que nem mesmo o império do Egito tinha poder para realizar naquela época. (Vida Nova e SBB, 2005, p. 312). (grifo nosso).
E a arqueologia, o que ela nos diz a respeito disso? É o que veremos agora em duas obras especializadas em assuntos dessa ciência:
Teria ela [Jericó] caído vítima de quaisquer conquistadores, posteriormente integrados ao reservatório humano chamado “Israel” e cujas conquistas acabaram por passar para a Bíblia, conforme o relato bíblico da “tomada da terra”? Se, de fato, somente na época da “tomada da terra”, ou seja, em meados ou fins do século XIII a.C., os israelitas alcançam Jericó, então nem precisavam conquistá-la, pois ela já havia sido abandonada por seus habitantes! (KELLER, 2000, p.180) (grifo nosso).
Jericó estava entre as mais importantes. Como já observamos, as cidades de Canaã não eram fortificadas, e não existiam muralhas que pudessem desmoronar. No caso de Jericó, não havia traços de nenhum povoamento no século XIII a.C., e o antigo povoado, da Idade do Bronze anterior, datando do século XIV a.C., era pequeno e modesto, quase insignificante, e não fortificado. Também não havia nenhum sinal de destruição. Assim, a famosa cena das forças israelitas marchando ao redor da cidade murada com a Arca da Aliança, provocando o desmoronamento das poderosas muralhas pelo clangor estarrecedor de suas trombetas de guerra, era para simplificar, uma miragem romântica. (FINKELSTEIN e SILBERMAN, 2003, p. 119) (grifo nosso).
Confirma, portanto, o que alguns tradutores já haviam colocado. Mas, se a cidade não era habitada, a narrativa da conquista de Jericó compromete a Bíblia quanto ao seu valor histórico. Pior ainda fica quanto à sua suposta inspiração divina agindo sobre os que a escreveram.
Pelo relato bíblico, depois de incendiarem completamente a cidade, Josué mandou alguns homens até Hai, a fim de espionar a terra. Voltaram dizendo que apenas um dois o três  mil homens seriam suficientes para derrotá-la (Js 7,2-3). Entretanto...: “Hai devia estar em ruínas já no tempo de Josué, mas podia servir de refúgio e habitação para algumas pessoas.” (Santuário, 1980, p. 290). O que também pode-se confirmar com: “Hai (nome que significa 'a ruína' é atualmente et-Tell (que em árabe tem o mesmo sentido). O lugar estava em ruínas há muito tempo, na época de Josué, e é difícil atribuir a esta narrativa valor histórico”. (Paulus, 2002, p. 321). Pior ainda se quisermos atribui-lo como algo de inspiração divina.
Conforme sugestão, foram enviados os três mil homens para combater Hai; entretanto, foram derrotados. Josué ficou “possesso”, chegando a questionar Deus de tê-los deixado passar o Jordão para morrer nas mãos dos amorreus. A resposta não tardou, foram acusados por Deus de terem tomado coisas consagradas ao anátema. A questão seguinte seria descobrir-se o culpado disso, que teria como pena ser queimado; para isso lançaram-se as sortes. A maioria das pessoas que lêem a Bíblia não faz a menor idéia do que seja isso; mas é interessante explicar. Os sacerdotes carregavam duas pedras, tidas como sagradas, chamadas de urim e tumim, com as quais faziam as suas consultas à divindade. Feita a pergunta, lançavam-se essas duas pedras e, de acordo com a maneira que caíam, era obtido um sim ou um não, como resposta de Deus. Simplesmente, um verdadeiro “cara ou coroa”. Diante desse processo o culpado foi identificado como Acã, filho de Zara. Esse pobre coitado, juntamente com toda a sua família, foi queimado no fogo. Dessa forma, Israel reconciliou-se com Deus, aplacando a Sua ira.
Em Josué 8,1-29 trata exatamente da conquista de Hai; entretanto, como acabamos por adiantar, a coisa não ocorreu bem assim; vejamos o que nos explicam os tradutores bíblicos:
Como Jericó, Hai já estava em ruínas no tempo da conquista. Provavelmente, a narrativa visa mostrar outra estratégia de guerra usada contra as cidades-estado de Canaã. O comando de Javé não dispensa a prudência e o emprego de estratégias no momento oportuno. (Paulus, 2001, p. 249). (grifo nosso).
Hai, como Jericó, não era habitada por ocasião da conquista. O episódio assemelha-se a Jz 20,14-48; é possível que um episódio a famoso de conquista, do tipo estratagema, foi pouco a pouco localizado, graças ao nome sugestivo do lugar ('Ay, em hebraico, significa ruina, cf. v. 28). (Vozes, 1989, p. 243). (grifo nosso).
Ainda bem, pois seria mais uma carnificina onde passaram a fio de espada todos os habitantes de Hai; ao total doze mil pessoas, entre homens e mulheres (Js 8,24-25), sendo que o rei foi enforcado (Js 8,29).
Espalhado o terror pela região, não restou alternativa aos reis da Cisjordânia senão se unirem para combater os hebreus. Os gabaonitas tentaram uma aliança com os hebreus; entretanto, foram transformados em escravos, é o que consta no capítulo nove, fato que provocou a união dos cinco reis amorreus – os reis de Jerusalém, de Hebron, de Jarmut, de Laquis e de Eglon – que marcharam contra Gabaon, afim de a atacarem. Nessa situação drástica os gabaonitas recorreram a Josué, que marchou contra eles. Neste ponto, para garantir aos hebreus a vitória, acontece mais um extraordinário fenômeno:
Js 10,13-14: “E o sol se deteve e a lua ficou parada, até que o povo se vingou dos inimigos. No Livro do Justo está escrito assim: 'O sol ficou parado no meio do céu e um dia inteiro ficou sem ocaso. Nem antes, nem depois houve um dia como esse, quando Javé obedeceu à voz de um homem. É porque Javé lutava a favor de Israel'”.
Eis aí a prova de que consideravam a Terra como o centro do Universo. Entretanto, o que não sabiam era que o Sol não para, porém, mesmo que parasse não aumenta o dia em um minuto sequer, pois o que faz o ciclo “dia e noite” é a Terra girar em torno do seu próprio eixo. Fato desconcertante para quem acredita piamente em tudo que está escrito na Bíblia. Deus, o supremo criador do cosmo infinito, que estabeleceu todas as leis, que fazem esse maravilhoso mecanismo girar, não sabia desse pequeno detalhe.
Na seqüência do livro de Josué só vemos os hebreus matando: homens, mulheres e crianças, dominando toda a região. Disso resultou na morte de trinta e um reis, que, juntos com os seus respectivos povos, foram passados a fio de espada; somente se salvaram os gabaonitas; mas foram submetidos à escravidão.
Assim, temos a descrição da empreitada de conquista pelos hebreus, da terra prometida, que se tem como sendo “desse modo, Javé deu a Israel toda a terra que jurara dar a seus antepassados. Eles tomaram posse e nela se estabeleceram” (Js 21,43). Sei que é estranho, mas foi o próprio Javé quem disse aos hebreus: “Eu dei a vocês uma terra que não lhes custou nada,...” (Js 24,13). Absurdo pagamento de promessa: manda matar todos os povos de uma região para entregá-la aos hebreus como cumprimento de uma promessa feita; nem um ser humano faria uma coisa dessa... Será que as vidas das pessoas não valiam nada?
Quanto mais estudamos a Bíblia, maior fica a nossa convicção que ela não pode, sem prejuízo de amesquinhar a Deus, ser a Sua palavra. Só mesmo por fanatismo não se enxerga isso. Diria Jesus: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que estão fazendo!” (Lc 23,34).
 
 
 
 
publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 02:31

 

"Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para que não suceda que as calquem aos pés e, voltando-se contra vós, vos despedacem". (Mateus, 7:6)

É da sabedoria popular que "a riqueza só tem valor para quem a sabe aproveitar".

Uma boa ilustração disso é-nos oferecida pela fábula do galo que, estando a catar em um monturo vermes ou migalhas que comesse, deu com uma pedra preciosa.

Vendo-a, exclamou: Ah! se um lapidário te encontrasse! Como haveria de regozijar-se com o achado! A mim, porém, de nada vales. Melhor me serviria um grão de milho ou algum bichinho.

E, afastando-se desdenhosamente, continuou à procura de algo que lhe satisfizesse às necessidades do estômago. O mesmo se pode dizer das coisas espirituais.

A utilização de nossas forças mentais e dons psíquicos, o domínio das leis que regem a comunicabilidade com o Além, etc... são noções benéficas quando empregadas com critério, para fins edificantes; colocadas, porém, ao alcance de pessoas ignorantes ou inescrupulosas podem ser desnaturadas, aviltadas, transformando-se em instrumento para a prática do mal.

Da mesma sorte, certas verdades que sobreexcedem a ciência comum, e idéias novas que vêm contrariar os costumes da época, de início só podem ser assimiladas e saudadas com entusiasmo por uns poucos; forcejar sua aceitação geral, principalmente quando firam interesses ou infirmem privilégios, é expor-nos a violências, senão mesmo ao extermínio. A História que o diga!

Assim, ao recomendar-nos que não ofereçamos aos "cães" o que é santo, nem lancemos aos "porcos" as nossas pérolas, o Mestre referia-se, evidentemente, a determinados tipos de homens, ainda muito atrasados intelectual e moralmente, aos quais não convém sejam revelados conhecimentos superiores ao seu grau evolutivo, para que não contraiam perante a Justiça Divina maior soma de responsabilidade do que poderiam suportar, nem venham a prejudicar o próximo com o mau uso deles.

Isso não quer dizer, entretanto, que desprezemos tais criaturas, considerando-as indignas de nossa solicitude. Tampouco significa que os problemas do espírito e as questões transcendentes devam ser conhecidas exclusivamente pelos iniciados e sacerdotes. Em absoluto.

Essas palavras visam a ensinar-nos a proceder com tato e prudência, aguardando a ocasião mais oportuna para que nossa semeadura produza os resultados desejados, pois, como é notório, todos assimilam facilmente aquilo que lhes interessa, enquanto mal toleram o que nãolhes excite a curiosidade ou não lhes traga proveito imediato.

Jesus, conhecedor profundo que era da psicologia humana, sabia disso, e daí a recomendação em tela, para que não malbaratemos nossos esforços de catequese com quem se ressinta das condições mínimas de receptividade ao trato das coisas santas.

Jamais, todavia, deixou de aproveitar qualquer ensejo para o soerguimento dos caídos na degradação ou mesmo no crime, desde que percebesse neles um desejo sincero (ainda que oculto) de rebilitação moral própria.

Haja vista, entre outros, os episódios em que, com o fascínio de seu verbo, despertou para uma nova vida Zaqueu, o publicano corrupto, e Maria Madalena, a pecadora possessa de sete demônios.

Rodolfo Calligaris

publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 02:28

Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010
Neste texto estudaremos algumas passagens do Evangelho buscando compreender as palavras de Jesus, visando deixar o mais claro possível o que Ele pensava, de modo que também você, leitor, tenha elementos suficientes para tirar sua própria conclusão.
Mt 5,17-18: “Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: 'Até que o céu e a terra passem, nem um 'i' ou um 'til' jamais passará da lei, até que tudo se cumpra'”.
Essa é a passagem em que se apóiam para concluir que Jesus estaria confirmando toda a Bíblia. Mas, com essa fala, Ele estava apenas querendo dizer que devia se cumprir tudo que Dele está escrito na Lei e nos profetas, dizendo que nem um “i” ou nem um “til” do que ali consta deixaria de ser cumprido; isso ficará bem claro, no desenrolar desse estudo.
Lc 10,25-28: “E eis que certo homem, intérprete da lei, se levantou com intuito de por Jesus em provas, e disse-lhe: 'Mestre, que farei para herdar a vida eterna?' Então Jesus lhe perguntou: 'Que está escrito na lei? Como interpretas?' A isto ele respondeu: 'Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo'. Então Jesus lhe disse: 'Respondeste corretamente; faze isto, e viverás'”.
Se Jesus, quando disse a respeito da Lei (Mt 5,17-18), estivesse mesmo se referindo a todo o Pentateuco mosaico, estaria em contradição com esta passagem, pois considerou como correta a resposta do intérprete, que somente disse que está escrito o: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Ora, na legislação de Moisés existem muitas outras coisas para se cumprirem além dessas, que, segundo os exegetas, são, ao todo, 613 normas.
Lc 16,16-17: “A lei e os profetas vigoraram até João; desde esse tempo vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele. E é mais fácil passar o céu e a terra, do que cair um til sequer da lei”.
Se a Lei e os profetas vigoraram até João é porque depois de João está vigorando algo diferente, uma nova legislação. Ela não é nada mais nada menos que o Evangelho, ou seja, o Novo Testamento. A questão de “cair um til sequer da lei” se refere a tudo que há nela com relação às profecias sobre a vinda de Jesus. Assim, os acontecimentos que iriam ocorrer com Ele é que seriam cumpridos e não, como querem alguns, que todas as ordenações contidas lá, devam ser rigorosamente seguidas. Até mesmo porque, como iremos ver mais adiante, especificamente algumas delas Ele as alterou profundamente, como é o caso, por exemplo, da questão do “olho por olho”.
Lc 24,25-27: “Ele então lhes disse: 'Ó homens sem inteligência, como é lento o vosso coração para crer no que os profetas anunciaram! Não era preciso que Cristo sofresse essas coisas para entrar na glória?' E partindo de Moisés começou a percorrer todos os profetas, explicando em todas as Escrituras, o que dizia respeito a ele mesmo”.
Após ressuscitar, Jesus caminha com dois discípulos que estavam indo para a aldeia de Emaús, e lhes explica o que constava nas Escrituras a respeito dele. Iniciando por Moisés, percorre todos os profetas, ou seja, esclarece-lhes somente o que era importante e que deveria ser cumprido nesse contexto. Portanto, confirma o que estamos dizendo desde o início, quer dizer, que Ele não veio revogar ou abolir as profecias a Seu respeito. Se tudo nas Escrituras fosse mesmo importante, não iria restringir-se a só explicar o que nelas diziam sobre Ele. E para provar que não estamos distorcendo os fatos, vejamos a passagem seguinte:
Lc 24,44-45: “A seguir Jesus lhes disse: 'São estas palavras que eu vos falei, estando ainda convosco, que importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos'. Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras”.
Veja você, caro leitor, que é perfeitamente claro o que Jesus quis dizer quanto ao cumprimento das Escrituras. Não era, portanto, tudo quanto existia nelas, mas somente importava que se cumprisse tudo o que dele estava escrito nela, ou seja, sua origem da casa de Davi, sua missão, todo o seu padecimento que culminou com sua morte na cruz e sua gloriosa ressurreição. Assim, não há como entender de outra forma, a não ser que as palavras de Jesus não sirvam para nada ou que as queiramos distorcer.
Jo 1,17: “Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo”.
Aqui temos uma nítida demonstração de que a Lei de Moisés não é de suma importância para os cristãos, já que a VERDADE veio por Jesus Cristo, e é a Ele que nós procuramos seguir, e não a Moisés. Não poderemos dizer que a Lei de Moisés não teve o seu valor; é claro que teve; entretanto, como diz Jesus, somente até João (Lc 16,16). Isso porque, para um povo atrasado, ela foi um fator de desenvolvimento.
Jo 1,45: “Filipe encontrou Natanael e lhe falou: 'Achamos aquele de quem escreveram Moisés na Lei e os Profetas, Jesus, filho de José de Nazaré'”.
Passagem que vem confirmar que as profecias a respeito do Messias estavam se cumprindo no momento em que Jesus inicia a sua vida pública. E era justamente nisso que os hebreus esperavam, ansiosamente, que se cumprissem as Escrituras.
Jo 7,23: “Se um homem recebe a circuncisão no sábado, para cumprir a Lei de Moisés, por que vos irritais contra mim porque curei totalmente um homem no sábado?”.
Jo 8,5-7: “Na Lei, Moisés nos manda apedrejar as adúlteras; mas tu o que dizes? ...  Jesus...  lhes disse: ‘Aquele de vós que estiver sem pecado, atire-lhe a primeira pedra'”.
Se, realmente, as leis que Moisés passou ao povo hebreu fossem todas provenientes do Criador, por que nestas duas passagens não se diz: cumprir a Lei de Deus e Na lei, Deus nos manda, respectivamente? Porque eram leis de Moisés e não provenientes da divindade. Tanto é que, na questão da adúltera, Jesus não disse ao povo para cumprir a Lei; antes, ao contrário, revoga-a, inclusive, demonstrando uma inteligência que Lhe era peculiar. Deus também nunca diria: “Não cobiçar a mulher do próximo”, mandamento que realça ser, obviamente, um produto da cultura de uma sociedade machista daquela época; nada mais que isso, sendo, portanto, da forma que está expressa, lei dos homens e não de Deus.
Paulo, em carta aos romanos, disse-lhes o seguinte:
Rm 7,5: “Enquanto viviam segundo a carne, as paixões pecaminosas, estimuladas pela Lei, produziam fruto para a morte em nossos membros”.
Podemos deduzir desta passagem, que a Lei estimulava paixões pecaminosas? Se for isto mesmo, é porque ela, a Lei, não era a VERDADE, que veio somente com Jesus. E no versículo seguinte continua:
Rm 7,6: “Mas agora, livres da Lei, estamos mortos para aquilo que nos conservava prisioneiros, de sorte, que podemos servir a Deus conforme um espírito novo e não segundo a letra antiga”.
Livres da Lei, ou seja, que não estamos mais submissos a ela. Não é claro isso? Se podemos servir a Deus conforme um espírito novo, qual seja, os ensinamentos de Jesus, por que ficar ainda apegados a Moisés (letra antiga)? O Antigo Testamento foi revogado, ou ainda queremos permanecer na dúvida?
Mt 5,19-20: “Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus”.
Nosso quadro é: Jesus na passagem evangélica do Sermão do Monte, onde inicia dizendo os novos ensinamentos que deveremos cumprir. São as verdades que Ele passa a todos nós como roteiro de vida. São apenas os mandamentos que disse para que não os violássemos. A partir dali, também, é que altera e revoga a legislação de Moisés; confirmamos isso com as passagens relativas ao capítulo 5 de Mateus, que serão colocadas logo a seguir.
Mt 5,21-22: “Ouvistes que foi dito aos antigos: 'Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento'. Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo”.
Moisés: Não matarás. Jesus: que não devemos nem mesmo irar contra ou insultar ao nosso irmão.
Mt 5,27-28: “Ouvistes que foi dito: 'Não adulterarás'. Eu, porém, vos digo: Qualquer um que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela.
Moisés: Não adulterarás. Jesus: só o fato de olhar para uma mulher com intenção impura, já cometemos adultério.
Mt 5,31-32: “Também foi dito: 'Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio'. Eu, porém, vos digo: Qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.
Moisés: poder-se-ia repudiar a mulher. Jesus: se a repudiares estás expondo a mulher ao adultério.
Mt 5,33-37: “Também ouvistes que foi dito aos antigos: 'Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos'. Eu, porém, vos digo: De modo algum jureis: Nem pelo céu, por ser o trono de Deus; nem pela terra, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém, por ser cidade do grande Rei; nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno”.
Moisés: Não jurarás falso. Jesus: De modo algum jureis.
Mt 5,38-42: “Ouvistes que foi dito: 'Olho por olho, dente por dente'. Eu, porém, vos digo: Não resistais ao perverso; mas a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes”.
Moisés: Olho por olho, dente por dente. Jesus: Quem te ferir na face direita, volta-lhe também a outra.
Mt 5,43-48: “Ouvistes que foi dito: 'Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo'. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”.
Moisés: Odiarás o teu inimigo. Jesus: Amai os vossos inimigos.
E, objetivamente, quanto à questão da revogação do Antigo Testamento, vejamos o que encontramos de apoio a essa tese no Novo Testamento:
1Cor 15,2: “É pelo evangelho que vocês serão salvos, contanto que o guardem de modo como eu lhes anunciei; do contrário, vocês terão acreditado em vão”.
Ef 1,13: “Em Cristo, também vocês ouviram a palavra da verdade, o Evangelho que os salva”.
Paulo deixa claro que é pelo Evangelho que seremos salvos; em outras palavras, ele não aceita o Antigo Testamento como algo com que possamos nos salvar.
Hb 7,18-19: “Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou cousa alguma) e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus. E, visto que não é sem prestar juramento (porque aqueles, sem juramento, são feitos sacerdotes, mas este, com juramento, por aquele que lhe disse: O Senhor jurou e não se arrependerá; Tu és sacerdote para sempre); por isso mesmo Jesus se tem tornado fiador de superior aliança”.
Hb 8,6-8.13: “Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas. Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para segunda. E, de fato, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido, está prestes a desaparecer”.
Hb 10,9: “... Desse modo, Cristo suprime o primeiro culto para estabelecer o segundo”.
Se até aqui ainda poderia existir alguma pequena sombra de dúvida, agora foi definitivamente dissipada por estas narrativas da carta aos Hebreus. Poderíamos até dizer: “quem tem ouvidos que ouça”, mas diremos quem tem olhos veja: a aliança anterior é fraca, inútil e com defeito, enquanto que a nova é superior a ela. Quanto ao “está prestes a desaparecer”, só não desapareceu ainda por causa da insistência de alguns que querem, a todo custo, manter viva a legislação de Moisés contida no Antigo Testamento. Repetindo: Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para segunda.
Mc 2,18-22: “Como os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando, foram lhe perguntar: 'Por que é que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, e os teus não?' Jesus lhes respondeu: 'Por acaso ficaria bem que os convidados para um casamento fizessem jejum, enquanto o esposo está com eles? Enquanto está, não convém. Mas virá um tempo em que o esposo lhes será tirado. Então sim, eles vão jejuar. Ninguém costura um remendo de pano novo em roupa velha. Do contrário o remendo novo, pelo fato de encolher, estraga a roupa velha e o rasgão fica pior. Ninguém põe vinho novo em velhos recipientes de couro. Caso contrário, o vinho arrebentaria os recipientes. Ficariam perdidos os recipientes e também o vinho. Para vinho novo, recipientes novos!'”.
Seria o mesmo que Jesus dizer: Se vocês ficarem apegados aos ensinamentos de Moisés, não conseguirão suportar nem compreender o que agora vos trago. Onde se falava sobre os jejuns? Não é no Velho Testamento, que, tanto os fariseus e quanto os discípulos de João Batista, tiravam o que seguiam? Lembremo-nos de que a Lei e os Profetas vigoraram até João” (Lc 16,16). Assim, não fica claro sua revogação por Jesus? Só não o é para os que ainda insistem em seguir Moisés. Mais claro fica quando tomamos da nota de rodapé constante do Novo Testamento, Edições Loyola, o seguinte: “Tanto o pano novo como o vinho novo são símbolos duma nova era (cf. At 10,11; Hbr 1,11; Gên 49,11-12); os cristãos devem estar animados dum espírito novo, incompatível com antigas prescrições do judaísmo já ultrapassadas” (p. 57).
Há um episódio na vida de Jesus que nos levou a formar uma forte convicção que seus ensinamentos eram superiores aos de Moisés. É a passagem em que João narra, o que se supõe como sendo, o primeiro milagre de Jesus. Apesar de termos refletido muito sobre ela, ainda não tínhamos nenhuma explicação que justificasse a atitude de Jesus em transformar água em vinho, para embebedar os convidados da festa de que participava.
Vejamos o episódio:
“No terceiro dia, houve uma festa de casamento em Caná da Galiléia, e a mãe de Jesus estava aí. Jesus também tinha sido convidado para essa festa de casamento, junto com seus discípulos. Faltou vinho e a mãe de Jesus lhe disse: 'Eles não têm mais vinho!' Jesus respondeu: 'Mulher, que existe entre nós? Minha hora ainda não chegou'. A mãe de Jesus disse aos que estavam servindo: 'Façam o que ele mandar'. Havia aí seis potes de pedra de uns cem litros cada um, que serviam para os ritos de purificação dos judeus. Jesus disse aos que serviam: 'Encham de água esses potes'. Eles encheram os potes até a boca. Depois Jesus disse: 'Agora tirem e levem ao mestre-sala'. Então levaram ao mestre-sala. Este provou a água transformada em vinho, sem saber de onde vinha. Os que serviam estavam sabendo, pois foram eles que tiraram a água. Então o mestre-sala chamou o noivo e disse: 'Todos servem primeiro o vinho bom e, quando os convidados estão bêbados, servem o pior. Você, porém, guardou o vinho bom até agora'. Foi assim, em Caná da Galiléia, que Jesus começou seus sinais. Ele manifestou a sua glória, e seus discípulos acreditaram nele”. (Jo 2,1-11).
Mas qual é o verdadeiro sentido dessa passagem? Nós o encontraremos naquilo que a pessoa encarregada da festa disse para o noivo: “Todos servem primeiro o vinho bom e, quando os convidados estão bêbados, servem o pior. Você, porém, guardou o vinho bom até agora”. Considerando que, com esse primeiro ato público, Jesus inicia a sua missão, podemos dizer que o “vinho bom guardado até agora” são os ensinamentos de Jesus, superiores aos recebidos anteriormente, por meio de Moisés que seria simbolicamente o vinho de pior qualidade, até mesmo porque, e sem querer desmerecê-los, a humanidade daquela época não estava preparada para receber vinho (ensinamento) de melhor qualidade, se assim podemos nos expressar.
Tudo o que já dissemos anteriormente sobre os ensinos de Jesus, vale para corroborar essa nossa opinião. Mas podemos ainda trazer como apoio a isso: “Em comparação com esta imensa glória, o esplendor do ministério da antiga aliança já não é mais nada” (2Cor 3,10).
Provamos que Jesus não se restringiu a só revogar os rituais e sacrifícios como alguns pensam. Provamos também que não distorcemos as narrativas da Bíblia à nossa conveniência, de que tanto nos acusam. São elas, exatamente, que nos dão uma base sólida para afirmar com absoluta certeza que:
1 – O cumprimento da lei e dos profetas a que Jesus se refere no Evangelho é apenas com relação às profecias contidas nas Escrituras sobre Ele mesmo;
2 – Que somente tem que ser cumprido da Lei: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.
3 – Que nunca disse para seguirmos toda a Lei, aqui entendida como todo o Pentateuco.
Agora, podemos responder ao questionamento inicial: O Antigo Testamento foi revogado por Jesus? Sim; sem nenhuma sombra de dúvida. E é por isso que não nos sentimos na obrigação de cumprir nada do que consta nele, até mesmo para sermos coerentes com o que pensamos e por acreditar nessa fala de Jesus: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14,6). Por que Ele se colocou como sendo o caminho que conduz ao Pai e não a Moisés? É porque somente os seus ensinos é que devem ser seguidos.
Esse é o entendimento a que chegamos. Entretanto, não há como obrigar ninguém a pensar como nós. A única coisa que pedimos é para que as pessoas deixem de se apegar em demasia aos velhos ensinamentos, como se eles fossem verdadeiros. A Terra já não é mais o centro do Universo, visto que o homem, percebendo a ignorância de tal afirmativa, finalmente, aceitou a voz da Ciência. Além de que, muitas coisas não foram mudadas pelas cúpulas religiosas, justamente para que elas conservassem, a todo custo, o domínio que têm sobre o povo e, também, para que pudessem mantê-lo a todo custo. Ainda hoje encontramos as que buscam incutir a validade dos ensinamentos do Antigo Testamento não se dando conta de que “rompestes com Cristo, vós que buscais a justiça na Lei; caístes fora da graça” (Gl 5,4). Sabemos que não fazem isso por ignorância, mas por esperteza visando dominar seus “fiéis”, a fim de conseguir e manter o “poder” e o “dinheiro” na base do que podemos chamar de terrorismo religioso.
 
 
publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 23:20

 

Dada a prova das vidas sucessivas, o caminho da existência acha-se desimpedido e traçado com firmeza e segurança. A alma vê claramente seu destino, que é a ascensão para a mais alta sabedoria, para a luz mais viva. A eqüidade governa o mundo; nossa felicidade está em nossas mãos; deixa de haver falhas no Universo, sendo seu alvo a Beleza, seus meios a Justiça e o Amor. Dissipa-se, portanto, todo o temor quimérico, todo o terror do Além. Em vez de recear o futuro, o homem saboreia a alegria das certezas eternas. Confiado no dia seguinte, multiplicam-se-lhe as forças; seu esforço para o bem será centuplicado.
Entretanto, levanta-se outra pergunta: Quais são as molas secretas por cuja via se exerce a ação da justiça no encadeamento de nossas existências?
Notemos, primeiro que tudo, que o funcionamento da justiça humana nada nos oferece que se possa comparar com a lei divina dos destinos. Esta se executa por si mesma, sem intervenção alheia, tanto para os indivíduos como para as coletividades. O que chamamos mal, ofensa, traição, homicídio, determinam nos culpados um estado de alma que os entrega aos golpes da sorte na medida proporcionada à gravidade de seus atos.
Esta lei imutável é, antes de mais nada, uma lei de equilíbrio. Estabelece a ordem no mundo moral, da mesma forma que as leis de gravitação e da gravidade asseguram a ordem e o equilíbrio no mundo físico. Seu mecanismo é, ao mesmo tempo, simples e grande. Todo mal se resgata pela dor. O que o homem faz de acordo com a lei do bem, proporciona-lhe tranqüilidade e contribui para sua elevação; toda violação provoca sofrimento. Este prossegue a sua obra interior; cava as profundidades do ser; traz para a luz os tesouros de sabedoria e beleza que ele contém e, ao mesmo tempo, elimina os germens malsãos. Prolongará sua ação e voltará à carga por tanto tempo quanto for necessário até que ele se expanda no bem e vibre uníssono com as forças divinas; mas, na prossecução dessa ordem grandiosa, compensações estarão reservadas à alma. Alegrias, afeições, períodos de descanso e felicidade alternarão, no rosário das vidas, com as existências de luta, resgate e reparação. Assim, tudo é regulado, disposto com uma arte, uma ciência, uma bondade infinitas na Obra Providencial.
No princípio de sua carreira, em sua ignorância e fraqueza, o homem desconhece e transgride muitas vezes a Lei. Daí as provações, as enfermidades, as servidões materiais, mas, desde que se instrui, desde que aprende a pôr os atos de sua vida em harmonia com a Regra Universal, “ipso facto”  é cada vez menos presa da adversidade.
Os nossos atos e pensamentos traduzem-se em movimentos vibratórios, e seu foco de emissão, pela repetição freqüente dos mesmos atos e pensamentos, transforma-se, pouco a pouco, em poderoso gerador do bem ou do mal.
O ser classifica-se assim a si mesmo pela natureza das energias de que se torna o centro irradiador, mas, ao passo que as forças do bem se multiplicam por si mesmas e aumentam incessantemente, as forças do mal destroem-se por seus próprios efeitos, porque esses efeitos voltam para sua causa, para seu centro de emissão e traduzem-se sempre em conseqüências dolorosas. Estando o mau, como todos os seres, sujeito a impulsão evolutiva, vê por isso aumentar-se forçosamente sua sensibilidade.
As vibrações de seus atos, de seus pensamentos maus, depois de haverem efetuado sua trajetória, volvem a ele, mais cedo ou mais tarde, e o oprimem, o apertam no necessidade de reformar-se.
Este fenômeno pode explicar-se cientificamente pela correlação das forças, pela espécie de sincronismo vibratório que faz voltar sempre o efeito à sua causa. Temos demonstração disso no fato bem conhecido de, em tempo de epidemia, de contágio, serem principalmente as pessoas, cujas forças vitais se harmonizam com as causas mórbidas em ação, as atacadas, ao passo que os indivíduos dotados de vontade firme e isentos de receio ficam geralmente indenes.
Sucede o mesmo na ordem moral. Os pensamentos de ódio e vingança, os desejos de prejudicar, provenientes do exterior, só podem agir sobre nós e influenciar-nos desde que encontrem elementos que vibrem uníssonos com eles. Se nada existir em nós de similar, estas forças ruins resvalam sem nos penetrarem, volvem para aquele que as projetou para, por sua vez, o ferirem, quer no presente quer no futuro, quando circunstâncias particulares as fizerem entrar na corrente do seu destino.
Há, pois, na lei de repercussão dos atos, alguma coisa mecânica, automática na aparência. Entretanto, quando implica acerbas expiações, reparações dolorosas, grandes Espíritos intervêm para regular-lhe o exercício e acelerar a marcha das almas em via de evolução. Sua influência faz-se principalmente sentir na hora da reencarnação, a fim de guiar estas almas em suas escolhas, determinando as condições e os meios favoráveis à cura de suas enfermidades morais e ao resgate das faltas anteriores.
Sabemos que não há educação completa sem a dor. Colocando-nos neste ponto de vista, é necessário livrarmo-nos de ver, nas provações e dores da Humanidade, a conseqüência exclusiva de faltas passadas. Todos aqueles que sofrem não são forçosamente culpados em via de expiação. Muitos são simplesmente Espíritos ávidos de progresso, que escolheram vidas penosas e de labor para colherem o benefício moral que anda ligado a toda pena sofrida.
Contudo, em tese geral, é do choque, é do conflito do ser inferior, que não se conhece ainda, com a lei da Harmonia, que nasce o mal, o sofrimento. É pelo regresso gradual e voluntário do mesmo ser a esta Harmonia que se restabelece o bem, isto é, o equilíbrio moral. Em todo pensamento, em toda obra há ação e reação e esta é sempre proporcional em intensidade à ação realizada. Por isso podemos dizer: o ser colhe exatamente o que semeou.
Colhe-o, efetivamente, pois que, por sua ação contínua, modifica sua própria natureza, depura ou materializa o seu invólucro fluídico, o veículo da alma, o instrumento que serve para todas as suas manifestações e no qual é calcado, modelado o corpo físico em cada renascimento.
Nossa situação no Além resulta, como vimos precedentemente, das ações repetidas que nossos pensamentos e nossa vontade exercem constantemente sobre o perispírito. Segundo sua natureza e objetivo, vão-no transformando pouco a pouco num organismo sutil e radiante, aberto às mais altas percepções, às sensações mais delicadas da vida do Espaço, capaz de vibrar de forma harmoniosa com Espíritos elevados e de participar das alegrias e impressões do Infinito. No sentido inverso, farão dele uma forma grosseira, opaca, acorrentada à Terra por sua própria materialidade e condenada a ficar encerrada nas baixas regiões.
Esta ação contínua do pensamento e da vontade, exercida no decorrer dos séculos e das existências sobre o perispírito, faz-nos compreender como se criam e desenvolvem nossas aptidões físicas, assim como as faculdades intelectuais e as qualidades morais.
Nossas aptidões para cada gênero de trabalho, a habilidade, a destreza em todas as coisas são o resultado de inumeráveis ações mecânicas acumuladas e registradas pelo corpo sutil, do mesmo modo que todas as recordações e aquisições mentais estão gravadas na consciência profunda. Ao renascer, estas aptidões são transmitidas, por uma nova educação, da consciência externa aos órgãos materiais. Assim se explica a habilidade consumada e quase nativa de certos músicos e, em geral, de todos aqueles que mostram, em um domínio qualquer, uma superioridade de execução que surpreende à primeira vista.
Sucede o mesmo com as faculdades e virtudes, com todas as riquezas da alma adquiridas no decurso dos tempos. O gênio é um longo e imenso esforço na ordem intelectual e a santidade foi conquistada à custa de uma luta secular contra as paixões e as atrações inferiores.
Com alguma atenção poderíamos estudar e seguir em nós o processo da evolução moral. De cada vez que praticamos uma boa ação, um ato generoso, uma obra de caridade, de dedicação, a cada sacrifício do “eu”, não sentimos uma espécie de dilatação interior? Alguma coisa parece expandir-se em nós; uma chama acende-se ou aviva-se nas profundezas do ser.
Esta sensação não é ilusória. O Espírito ilumina-se a cada pensamento altruísta, a cada impulso de solidariedade e de amor puro. Se estes pensamentos e atos se repetem, se multiplicam, se acumulam, o homem acha-se como que transformado ao sair de sua existência terrestre; a alma e seu invólucro fluídico terão adquirido um poder de radiação mais intenso.
No sentido contrário, todo pensamento ruim, todo ato criminoso, todo hábito pernicioso provoca um estreitamento, uma contração do ser psíquico, cujos elementos se condensam, entenebrecem, carregam de fluidos grosseiros.
Os atos violentos, a crueldade, o homicídio e o suicídio produzem no culpado um abalo prolongado, que se repercute, de renascimento em renascimento, no corpo material, e traduz-se em doenças nervosas, tiques, convulsões e até deformidades, enfermidades ou casos de loucura, consoante a gravidade das causas e o poder das forças em ação. Toda transgressão da lei implica diminuição, mal-estar, privação de liberdade.
As vidas impuras, a luxúria, a embriaguez e a devassidão conduzem-nos a corpos débeis, sem vigor, sem saúde, sem beleza. O ser humano que abusa de suas forças vitais, por si mesmo se condena a um futuro miserável, a enfermidades mais ou menos cruéis.
Às vezes a reparação se efetua numa longa vida de sofrimentos, necessária para destruir em nós as causas do mal, ou, então, numa existência curta e difícil, terminada por morte trágica. Uma atração misteriosa reúne às vezes os criminosos de lugares muito afastados num dado ponto para feri-los em comum. Daí as catástrofes célebres, os naufrágios, os grandes sinistros, as mortes coletivas, tais como o desastre de Saint-Gervais, o incêndio do Bazar de Caridade, a explosão de Courrières, a do “Iena”, o naufrágio do “Titanic”, do “Ireland”, etc.
Explicam-se assim as existências curtas; são o complemento de vidas precedentes, terminadas muito cedo, abreviadas prematuramente por excessos, abusos ou por qualquer outra causa moral, e que, normalmente, deveriam ter durado mais.
Não devem ser incluídas em tais casos as mortes de crianças em tenra idade. A vida curta de uma criança pode ser uma provação para os pais, assim como para o Espírito que quer encarnar. Em geral, é simplesmente uma entrada falsa no teatro da vida, quer por causas físicas, quer por falta de adaptação dos fluidos. Em tal caso, a tentativa de encarnação renova-se, pouco depois, no mesmo meio; reproduz-se até completo êxito, ou, então, se as dificuldades são insuperáveis, se efetua num meio mais favorável.
(Léon Denis).   
publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 23:17

 
  
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O homem é um ser complexo. Nele se combinam três elementos para formar uma unidade viva, a saber:
O corpo, envoltório material temporário, que abandonamos na morte como vestuário usado;
O perispírito, invólucro fluídico permanente, invisível aos nossos sentidos naturais, que acompanha a alma em sua evolução infinita, e com ela se melhora e purifica;
A alma, princípio inteligente, centro da força, foco da consciência e da personalidade. 
A alma, desprendida do corpo material e revestida do seu invólucro sutil, constitui o Espírito, ser fluídico, de forma humana, liberto das necessidades terrestres, invisível e impalpável em seu estado normal. O Espírito não é mais que um homem desencarnado. Todos tornaremos a ser Espíritos. A morte restitui-nos à vida do espaço. 
Que se passa no momento da morte?
Como se desprende o Espírito da sua prisão material?
Que impressões, que sensações o esperam nessa ocasião temerosa? 
É isso o que interessa a todos conhecer, porque todos cumprem essa jornada. A vida foge-nos a todo instante: nenhum de nós escapará a morte.
Deixando sua residência corpórea, o Espírito purificado pela dor e pelo sofrimento, vê sua existência passada recuar, afastar-se pouco a pouco com seus amargores e ilusões; depois, dissipar-se como as brumas que a aurora encontra estendidas sobre o solo e que a claridade do dia faz desaparecer. O Espírito acha-se, então, como que suspenso entre duas sensações: a das coisas materiais que se apagam e a da vida nova que se lhe desenha à frente. Entrevê essa vida como através de um véu, cheia de encanto misterioso, temida e desejada ao mesmo tempo. Após, expande-se a luz, não mais a luz solar que nos é conhecida, porém uma luz espiritual, radiante, por toda parte disseminada.
Pouco a pouco o inunda, penetra-o, e, com ela, um tanto de vigor, de remoçamento e de serenidade. O Espírito mergulha nesse banho reparador. Aí se despoja de suas incertezas e de seus temores. Depois, seu olhar destaca-se da Terra, dos seres lacrimosos que cercam seu leito mortuário, e dirige-se para as alturas. Divisa os céus imensos e outros seres amados, amigos de outrora, mais jovens, mais vivos, mais belos que vêm recebê-lo, guiá-lo no seio dos espaços. Com eles caminha e sobe às regiões etéreas que seu grau de depuração permite atingir. Cessa, então, sua perturbação, despertam faculdades novas, começa o seu destino feliz.
A entrada em uma vida nova traz impressões tão variadas quanto o permite a posição moral dos Espíritos.
 
Extraído do livro “Depois da Morte” de Léon Denis.
 

publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 23:15

 

 
 
Às dezenove horas do dia 3 de outubro de 1804, na casa do magistrado Jean-Baptiste-Antoine Rivail, localizada na cidade de Lyon, Rue Sala, 76 na França, sua esposa Jeanne Duhamel dava a luz à uma criança do sexo masculino. Era Denizard-Hippolyte-Léon Rivail que vinha ao mundo predestinado a ser o codificador da Doutrina dos Espíritos ou Doutrina Espírita como querem alguns.
No ano de 1816, aos 12 anos de idade, Rivail segue para Yverdon na Suiça onde iria prosseguir seus estudos como discípulo de Pestalozzi.
Para quem não sabe, Pestalozzi foi o que poderíamos dizer, um educador completo. Seu grande ideal só encontra paralelo com o do Cristo. E como o Cristo, Pestalozzi também deixou o caminho aberto para a humanidade poder andar de cabeça erguida, através dos princípios de educação racionada e metódica. Idealista de uma fé inquebrantável, Pestalozzi não media sacrifícios nem se preocupava muito com os resultados financeiros. Poderíamos dizer seguramente que foi um apóstolo da educação, pois entregou-se com amor, carinho e uma enorme dose de boa-vontade na sua grande obra, onde com cuidados extremos, educou crianças pobres, sentindo-se feliz em arrebanhar os deserdados da sorte. Pois bem, foi por esse grande educador que Rivail foi educado.
Já em 1818, Rivail abre cursos sobre matérias que ia aprendendo, ensinando aos seus companheiros menos adiantados.
Em Paris fundou um Instituto Técnico na rua Sevres, 35, nos mesmos moldes de Pestalozzi.
No ano de 1824, Denizard, ou melhor, Professor Rivail, publica seu primeiro livro que era dividido em volumes e tinha como título: "Curso Prático e Teórico de Aritmética".
Até o ano de 1849, Prof. Rivail tinha publicado os seguintes livros:
  1. O acima mencionado;
  2. Plano para o Melhoramento da Instrução Pública;
  3. Gramática Clássica da Língua Francesa;
  4. Qual o Sistema de Estudos mais Adequado à época?;
  5. Manual dos Exames para Certificado de Capacidade;
  6. Soluções Racionais de Perguntas e Problemas de Aritmética e Geometria;
  7. Catecismo Gramatical da Língua Francesa;
  8. Programa dos Cursos Ordinários de Química, Física, Astronomia e Fisiologia;
  9. Pontos para os Exames na Municipalidade e na Sorbone;
  10. Instruções Sôbre as Dificuldades Ortográficas.
O professor Rivail falava corretamente o inglês, alemão, holandês, espanhol e italiano e era grande conhecedor do grego e do latim.
Contava com 51 anos (1854) quando através do Sr. Fortier, seu colega na Sociedade de Magnetistas, tomou conhecimento dos fatos Espíritas. Informado de que mesas magnetizadas podiam mover-se e davam respostas quando inquiridas, Rivail foi de absoluta descrença, pois mesas não possuíam nervos nem cérebro e muito menos podiam tornar-se sonâmbulas.
Assim em maio de 1855, convidado pelo Sr. Carlotti, outro magnetista, assiste pela primeira vez, na casa da Sra. Planemaison, a ensaios de escrita mediúnica em uma ardósia com o auxílio de uma cesta.
Em 1856, o professor Rivail recebe dos Espíritos a revelação do trabalho que tem de desenvolver na Terra. E assim surge o pseudônimo Allan Kardec, com o intuito separar das obras pedagógicas escritas pelo professor Rivail, das obras da codificação que eram feitas agora pelo Sr. Allan Kardec.
O nome Allan Kardec, foi escolhido porque correspondia a um nome que teria usado em uma encarnação pregressa revelada por um Espírito, no qual dizia que o conhecia de remotas existências, uma das quais passada no mesmo solo da França, onde a sua individualidade tinha revestido a personalidade de um druida chamado Allan Kardec.
A 18 de abril de 1857, raiou para a humanidade a "Era Espírita", pois surgem nas prateleiras das livrarias os primeiros volumes de "O Livro dos Espíritos".
Em 1º de janeiro de 1858, circula o primeiro número da "Revue Espirite", editada em Paris por Kardec, e neste mesmo ano foi publicado o livro "Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas", e ainda nesse ano a 1º de abril é fundada a "Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas".
Em 1859, surge o livro "O que é o Espiritismo".
A 16 de setembro de 1860, Kardec publica a "Carta Sobre o Espiritismo", em resposta a um artigo publicado na "Gazette de Lyon".
No mês de janeiro de 1861, Allan Kardec lança à público "O Livro dos Médiuns", e ainda nesse ano, no dia 9 de outubro às 10:30 horas da manhã , em Barcelona na Espanha, são queimados num auto de fé, trezentos volumes e brochuras sobre Espiritismo, entre eles "O Livro dos Espíritos".
Em fevereiro de 1862, Kardec publica "O Espiritismo na sua Expressão mais Simples", e neste mesmo ano publica também "Viagem Espírita em 1862".
Em 1864 são editados as seguintes obras: "Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas", ou "Primeira Iniciação" em abril "Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo", chamado posteriormente de "O Evangelho Segundo o Espiritismo".
No dia 1º de agosto de 1865 é publicado o livro "O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo".
No ano de 1866, surge a "Coleção de Preces Espíritas", extraídas do livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo".
Em 1867 vem a público "Estudo a cerca da Poesia Medianímica" e em 1868, Kardec lança o livro "A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo", e o livro "Caracteres da Revelação Espírita".
Depois deste grandioso trabalho, no dia 31 de março de 1869, com 65 anos de idade, em Paris, vítima da ruptura de um aneurisma, Allan Kardec, retorna à Pátria Espiritual.
Ainda assim, no ano de 1890, é editado o livro "Obras Póstumas", reunindo os últimos escritos do Codificador Allan Kardec
BIBLIOGRAFIA:
Biografia de Allan Kardec, de Júlio de Abreu Filho, no livro "O Principiante Espírita", editora Pensamento; "Grandes Vultos do Espiritismo" de Paulo Alves de Godoy, edições FEESP; "Obras Póstumas" de Allan Kardec, LAKE - Livraria Allan Kardec Editora; Revista "Informação" N.35.
 
publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 15:37

Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

 

Entre as objeções, algumas são mais ponderáveis pelo menos na aparência, porque baseiam-se na observação de pessoas sérias.

Uma dessas observações refere-se à linguagem de certos Espíritos, que não parece digna da elevação atribuída aos seres sobrenaturais. Se quisermos reportar-nos ao resumo da doutrina atrás apresentado, veremos que os próprios Espíritos ensinam que não são iguais em conhecimentos nem em qualidades morais, e que não se deve tomar ao pé da letra tudo o que dizem. Cabe às pessoas sensatas separar o bom do mau. Seguramente, os que deduzem desse fato que tratamos com seres malfazejos, cuja única intenção é a de nos mistificarem, não conhecem as comunicações dadas nas reuniões em que se manifestam Espíritos superiores, pois de outra maneira não pensariam assim. E pena que o acaso tenha servido tão mal a essas pessoas, não lhes mostrando senão o lado mau do mundo espírita, pois não queremos supor que uma tendência simpática atraia para elas os maus Espíritos em lugar dos bons, os Espíritos mentirosos ou esses cuja linguagem é de revoltante grosseria. Poderíamos concluir, quando muito, que a solidez dos seus princípios não seja bastante forte para preservá-las do mal, e que, achando um certo prazer em lhe satisfazer a curiosidade, os maus Espíritos, por seu lado, se aproveitam disso para se introduzir entre elas, enquanto os bons se afastam.
Julgar a questão dos Espíritos por esses fatos seria tão pouco lógico como julgar o caráter de um povo pelo que se diz e se faz numa reunião de alguns estabanados ou gente de má fama, a que não comparecem os sábios nem as pessoas sensatas. Os que assim julgam estão na situação de um estrangeiro que, chegando a uma grande capital pelo seu pior arrabalde, julgasse toda a população da cidade pêlos costumes e a linguagem desse bairro mesquinho. No mundo dos Espíritos, há também desníveis sociais; se aquelas pessoas quisessem estudar as relações entre os Espíritos elevados, ficariam convencidas de que a cidade celeste não contém apenas a escória popular. Mas, perguntam elas, os Espíritos elevados chegam até nós? Responderemos: não permaneçais no subúrbio; vede, observai e julgai; os fatos aí estão para todos. A menos que a essas pessoas se apliquem estas palavras de Jesus: “Têm olhos e não vêem; têm ouvidos e não ouvem”.
Uma variante desta opinião consiste em não ver nas comunicações espíritas e em todos os fatos materiais a que elas dão lugar senão a intervenção de um poder diabólico, novo Proteu que revestiria todas as formas para melhor nos iludir. Não a consideramos suscetível de um exame sério e por isso não nos deteremos no caso: ela já está refutada pelo que dissemos atrás. Acrescentaremos apenas que, se fosse assim, teríamos de convir que o diabo é às vezes bem inteligente, bastante criterioso e sobretudo muito moral, ou então que existem bons diabos.
Como acreditar, de fato, que Deus não permita senão ao Espírito do mal manifestar-se para nos perder, sem dar-nos por contrapeso os conselhos dos bons Espíritos? Se ele não o pode, isto é uma impotência; se ele o pode e não faz, isso é incompatível com sua bondade; e uma e outra suposição seriam blasfêmia. Acentuemos que admitir a comunicação dos maus Espíritos é reconhecer o princípio das manifestações. Ora, desde que estas existem, será com a permissão de Deus. Como acreditar, sem cometer impiedade, que ele só permita o mal, com exclusão do bem? Uma doutrina assim é contrária ao bom senso e às mais simples noções da religião.
publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 03:15

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Excelente texto. Parabéns!
É como você mesmo colocou no subtítulo do seu blog...
Ok, Sergio.O seu e-amil é só esse: oigres.ribeiro@...
Ok, desejaria sim.
Ola, Sérgio.Gotaria de lhe fazer um convite:Gostar...
Obrigado e abraços.
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