TODO AQUELE QUE CRÊ NUM DOGMA, ABDICA COMPLETAMENTE DE SUAS FACULDADES. MOVIDO POR UMA CONFIANÇA IRRESISTÍVEL E UM INVENCÍVEL MEDO DOENTIO, ACEITA A PÉS JUNTOS AS MAIS ESTÚPIDAS INVENÇÕES.

Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010

 

A base de nossos estudos será a Bíblia Sagrada, 68ª edição, Editora Ave Maria Ltda., da qual tiramos as seguintes instruções de como lê-la:

"Terminamos recomendando ao leitor procurar desenvolver em si a consciência dos" CINCO SENTIDOS’, indispensável para conseguir uma verdadeira leitura cristã da Bíblia: o sentido da fé, o sentido da história, o sentido do movimento progressivo da revelação, o sentido da relatividade das palavras e – O QUE SINTETIZA TUDO O MAIS (grifo nosso) – o bom senso".

Conforme esta recomendação e para não fugirmos do bom senso é necessário nos apoiarmos na lógica e na razão.

A Bíblia é dividida em duas partes: o Antigo e o Novo Testamento. O Antigo Testamento conta a história do povo judeu, tendo em Moisés a base principal da revelação Divina aos homens. Já o Novo Testamento conta a vida de Jesus na Terra e os fatos ocorridos para a divulgação da Boa Nova pelos seus apóstolos devendo, portanto, ser a base fundamental para todos os cristãos.

O nosso estudo será especificamente do Antigo Testamento, pois a maioria das correntes religiosas o tem como a palavra de Deus, cujo sentido é que tudo que ali está é a verdade insofismável.

Iniciaremos pelo capítulo I da Gênesis, versículos 1 a 5: "No princípio, Deus criou os céus e a terra. A Terra estava informe e vazia, as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: "Faça-se a luz! "E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. Deus chamou à luz de DIA, e às trevas de NOITE. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o primeiro dia. Comparemos esta passagem com a dos versículos 14 a 19: Deus disse:" Façam-se luzeiros no firmamento dos céus para separar o dia da noite; sirvam eles de sinais e marquem o tempo, os dias e os anos; e resplandeçam no firmamento dos céus para iluminar a Terra. E assim se fez. Deus fez os dois grandes luzeiros: o maior para presidir ao dia, e o menor para presidir à noite; e fez também as estrelas. Deus colocou-os no firmamento dos céus para que iluminassem a Terra, presidissem ao dia e à noite e separassem a luz das trevas. E Deus viu que isto era bom. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o quarto dia. ".

Vejamos no 1º dia cria a luz e separa a luz das trevas e no 4º dia cria o sol a lua e as estrelas, coloca-os nos céus para que separassem a luz das trevas, ora para nós que habitamos a Terra a nossa luz provem justamente do sol, da lua e das estrelas que foram criados no 4º dia, então que luz é essa que foi criada no 1º dia? Ou será que Deus tinha esquecido que havia criado a luz e a criou novamente?

Seguindo em frente veremos a criação do homem e Deus proibindo-o de comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, dizendo que se dela comesse morreria, depois criou, também a mulher. Vem a serpente e induz a mulher a comer do fruto da árvore e esta por sua vez induz o homem. Ao perceber isto Deus castiga a serpente, o homem e a mulher. Perguntaríamos: quando foi que o homem e a mulher souberam que o que tinham feito não estava correto, não foi após comerem o fruto proibido? Ou seja, até este momento eles agiram sem conhecimento do que era o bem ou o mal, assim sendo o castigo então foi aplicado em inocentes? E quais foram os castigos? À serpente Deus disse

Mais à frente após Caim matar a Abel temos

: "Porque fizestes isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos; - andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida". (Gênesis 3, 14) Pelo castigo que sofreu quer dizer que antes ela andava sobre patas? Quantas? Disse também à mulher: "Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; darás à luz com dores, teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio". (Gênesis 3, 16). Fico a imaginar a perplexidade da mulher, ante tal castigo, pois até então não havia dado à luz, não sabia, portanto, nem o que era mesmo um parto, ainda mais um parto com dor. Aliás, o parto com dor seria sofrido apenas pelas mulheres ou as fêmeas dos animais também a sofreriam? Pelo que a ciência diz, elas sofrem. Seria o caso de perguntar: tiveram assim o mesmo castigo da mulher? E sobre estar sob o domínio do marido, hoje em dia não estaria sendo mais aplicado?: "Caim disse ao Senhor: " Meu castigo é grande demais para que eu possa suportar. Eis que me expulsais agora deste lugar, e eu devo ocultar-me longe de vossa face, tornando-me um peregrino errante sobre a terra. O primeiro que me encontrar, matar-me-á". E o Senhor respondeu-lhe: "Não! Mas aquele que matar Caim será punido sete vezes". O Senhor pôs em Caim um sinal, para que se alguém o encontrasse, não o matasse. Caim retirou-se da presença do Senhor, e foi habitar na região de Nod, ao oriente do Éden. Caim conheceu sua mulher. Ela concebeu e deu à luz Henoc. E construiu uma cidade, à qual pôs o nome do seu filho Henoc.

Vejamos: após Caim matar a Abel sobraram Adão, Eva e o próprio Caim, como se justifica seu medo de alguém querer matá-lo? Será que Deus esqueceu-se que não havia na Terra mais ninguém, não precisava, portanto de marcá-lo para que não o matassem, não é mesmo? Depois que Caim saiu daquela região encontra com uma mulher com quem tem um filho e chega até a fundar uma cidade, perguntamos: que mulher era esta? Que povo era este que foi habitar a cidade que fundou?

Em Gênesis 6, 3:

"O Senhor então disse: "Meu espírito não permanecerá para sempre no homem, porque todo ele é carne, e a duração de sua vida será só de cento e vinte anos".

Apesar disto encontramos pessoas que viveram muito além deste tempo: Adão 930 anos, Set 912 anos, Enos 905 anos, Cainan 910 anos, Malaleel 895 anos, Jared 962 anos, Henoc 365 anos, Matusalém 969 anos, Lamec 777 anos, Noé 950 anos, Sem 600 anos, Arfaxad 435 anos e Salé 430 anos, conforme podemos ler no capítulo 5 da Gênesis.

No livro Êxodo, cap. 20 temos os dez mandamentos, dos quais citaremos apenas o III – Santificarás o dia de sábado e o V – Não mateis, para comparação com o cap. 31, 14-15: Guardareis o sábado, pois ele vos deve ser sagrado. Aquele que o violar, será morto, quem fizer naquele dia uma obra qualquer, será cortado do meio de seu povo. Trabalhar-se-á durante seis dias; mas o sétimo dia será um dia de repouso completo, consagrado ao Senhor. Se alguém trabalhar no dia de sábado será punido de morte. O que fazer diante desta determinação? Se, por ordem de Deus, matarmos alguém que trabalhou sábado, não estaremos infringindo o V mandamento, também uma ordem de Deus?

Mas voltemos um pouco a Gênesis, 6, 56

Seguindo em frente vejamos algumas passagens do Deuteronômio, iniciaremos pelo capítulo 21, 18-21

No capítulo 22, 5: "

Em Deuteronômio 22, 22:

Na passagem do Deuteronômio 23, 1-2:

E para encerrarmos as citações do Antigo Testamento, temos Deuteronômio 25 11-12:

Estas são apenas algumas passagens, existem várias que não possuem coerência, não têm lógica e até mesmo contraditórias. Em hipótese alguma poderemos atribuí-las a Deus, seria rebaixá-lo a uma condição vexatória. Assim do Antigo Testamento somente poderemos tirar algum proveito é dos Dez Mandamentos, única e verdadeira revelação de Deus e até ela ainda veio distorcida ou no mínimo incongruente, que atribuímos aos homens e não a Deus, como é o caso do 9º mandamento

: "O Senhor viu que a maldade dos homens era grande na terra, e que todos os pensamentos do seu coração estavam continuamente voltados para o mal. O Senhor arrependeu-se de ter criado o homem na terra, e teve o coração ferido de íntima dor". Se Deus chegou a arrepender-se de ter criado o homem Ele não foi onisciente, um dos seus atributos indispensáveis, sem o qual não seria um Deus. Então falhou ao criar o homem?: "Se um homem tiver um filho indócil e rebelde, que não atende às ordens de seu pai nem de sua mãe, permanecendo insensível às suas correções, seu pai e sua mãe tomá-lo-ão e o levarão aos anciãos da cidade, à porta da localidade onde habitam e lhes dirão: Este nosso filho é indócil e rebelde; não nos ouve, e vive na embriaguez e na dissolução. Então, todos os homens da cidade o apedrejarão até que ele morra". Gostaria de saber que pai ou mãe teria a coragem de fazer isto, entregar seu filho para ser apedrejado até a morte?A mulher não se vestirá de homem, nem o homem se vestirá de mulher: aquele que fizer, será abominável diante do Senhor, teu Deus". Porque não foi claro dizendo do que realmente não gostava, ou seja, que a mulher se comportasse sexualmente como um homem ou que este se comportasse sexualmente como uma mulher. Será que estava com vergonha de falar diretamente sobre o assunto? Mas não foi Ele mesmo que criou o sexo, porque então a vergonha?"Se se encontrar um homem dormindo com uma mulher casada, todos os dois deverão morrer. O homem que dormiu com a mulher, e esta da mesma forma. Assim tirarás o mal do meio de ti". Como fica o não matarás? Não seria mais razoável expulsá-los da cidade ao invés de matá-los? "O homem cujos testículos foram esmagados ou cortado o membro viril, não será admitido na assembléia do Senhor. O bastardo não entrará tampouco na assembléia do Senhor, mesmo até a décima geração". Será que Deus só quer "machos" em sua assembléia? "Se dois homens estiverem em disputa, e a mulher de um vier em socorro de seu marido para livrá-lo do seu assaltante e pegar a este pelas partes vergonhosas, cortarás a mão dessa mulher, sem compaixão alguma". É incrível, não há como atribuir a Deus uma recomendação tão ridícula desta.: "Não desejeis a mulher do vosso próximo ". Baseados nele, pergunto, a mulher poderia desejar o marido da outra? Ou por outro lado, não teria também o mesmo sentido do 6º mandamento: "Não cometeis adultério?".

Já havíamos dito que a base para os cristãos é o Novo Testamento. E é nele que encontramos Jesus alterando as recomendações do Antigo Testamento, chegando a modificá-las como iremos demonstrar a seguir.

Em Mateus 5, 17-48, Jesus inicia dizendo:

 

 

 

Bem agora podemos entender o porquê da resposta de Jesus aos escribas e fariseus, conforme Mateus 9, 16-17: "Ninguém põe um remendo de pano novo em veste velha, porque arrancaria uma parte da veste, e o rasgão ficaria pior. Não se coloca tampouco vinho novo em odres velhos; do contrário os odres se rompem, o vinho se derrama e os odres se perdem". Sendo eles ferrenhos defensores das Leis de Moisés, não aceitavam os ensinos de Jesus e procuravam de toda a sorte pegá-Lo em contradição. Assim que o questionaram conforme narrativa de Mat. 22, 34-40: "Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se, e um deles, doutor da lei, faz-lhe esta pergunta para pô-Lo à prova:" Mestre, qual é o maior mandamento da Lei? Respondeu Jesus: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de todo o teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este é: amarás teu próximo como a ti mesmo. Nesses dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas". Com isto o Antigo Testamento foi reduzido a apenas estes dois mandamentos, e é o que fica de tudo o que expomos. Não há outra alternativa se quisermos nos apoiar no bom senso. Desta forma devemos tê-lo (o Antigo Testamento) apenas no sentido da primeira revelação divina ao povo judeu, buscando sempre separar "o joio do trigo" para que não fiquemos contra a segunda revelação divina, que foi dada aos homens por Jesus.

Paulo percebeu muito bem que deverá prevalecer a nova revelação dada por Jesus (Novo Testamento), conforme instruções que dá aos Hebreus: "Dessa maneira é que se dá a ab-rogação do regulamento anterior em virtude da sua fraqueza e inutilidade – a Lei, na verdade, nada levou à perfeição - e foi introduzida uma esperança melhor pela qual nos aproximamos de Deus". (Hebreus 7, 18-19). Tinha tanta convicção disto que novamente volta ao assunto: "Mas, agora, Jesus foi encarregado de um ministério tanto mais excelente quanto melhor é a aliança da qual é mediador, sendo esta legalmente fundada sobre promessas mais excelentes. Se, na verdade, a primeira aliança tivesse sem falhas, não teria cabimento ser substituída por uma segunda. Pois, censurando o povo é que Deus declara:" Eis que virão dias, diz o Senhor, em que estipularei uma nova aliança com o povo de Israel e com o povo de Judá... "Dizendo: Aliança nova Deus declarou antiquada a primeira. Ora, o que se torna antiquado e envelhece está próximo de desaparecer". (Hebreus 8, 6-8, 13).

As alianças citadas por Paulo são: a antiga com Moisés e a nova com Jesus. Não devemos ter mais dúvidas sobre a revogação da Lei Mosaica. Aqueles que tomam tudo que está na Bíblia como palavra de Deus, entram numa tremenda contradição quando citam constantemente textos do Antigo Testamento, pois segundo esta mesma palavra o Antigo Testamento perdeu o seu valor.

 

 

"Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não os vim abolir, mas sim para levá-los à perfeição".Isto parece ficar contraditório, entretanto o sentido é que devemos levar em conta: Não vim revogar o que Moisés disse ao seu povo, não há como questionar a necessidade de uma lei tão dura, mas quanto a vocês a lei deverá ser aperfeiçoada, pois já possuem evolução suficiente para acatá-la. Inicia as modificações dizendo; "Tendes ouvido o que foi dito aos antepassados" e para concluir "eu, porém vos digo", de onde retiramos as principais:

Moisés

Jesus

Não matarás, mas quem matar, será castigado pelo juízo do tribunal.

 

(Êxodo 20, 13).

Todo aquele que se irar contra seu irmão, será castigado apelos Juizes. Aquele que disser ao seu irmão raca será castigado pelo grande conselho. Aquele que lhe disser: louco, será condenado ao fogo da geena.

Não cometerás adultério

(Êxodo 20, 14).

Todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração.

Todo aquele que rejeitar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. (Deuteronômio 24, 1).

Todo aquele que rejeita sua mulher a faz tornar-se adúltera e todo aquele que desposar uma rejeitada, comete adultério.

Amarás a teu próximo e poderás odiar teus inimigos. (Levítico 19, 18).

Amai vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos (maltratam e) perseguem.

Olho por olho, dente por dente.

 

 

(Êxodo 21, 24).

Não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra. Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa. Se alguém obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil.

A Lei: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

Os profetas: livros históricos.

Sintetiza em: "Tudo o que quereis que os outros vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a Lei e os Profetas.

Em nota de rodapé: A Lei e os Profetas: as duas principais partes da Escritura, e por extensão: todo o Antigo Testamento. (Mateus 7, 12).

publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 19:26

 

Iremos estudar, numa análise crítica, longe do fanatismo religioso, a Bíblia para que tenhamos uma visão sobre este assunto: ficção ou realidade?

Tomaremos, para isto, alguns versículos dos capítulos 6 a 9 da Gênesis.

"O Senhor arrependeu-se de ter criado o homem na terra, e teve o coração ferido de intima dor".

(Gênesis 6, 6).

Que Deus é este que chega ao absurdo de arrepender-se de ter criado o homem. Onde estava a sua onisciência? Talvez seja um Deus humano, ou seja, de carne e osso como um ser humano, pois até coração Ele tinha.

"E disse: ‘Exterminarei da superfície da terra o homem que criei, e com ele os animais, os répteis e as aves dos céus, porque me arrependo de os haver criado’". (Gênesis 6, 7).

Se Deus após ver a maldade dos homens (O Senhor viu que a maldade dos homens era grande na terra, e que todos os pensamentos do seu coração estavam continuamente voltado para o mal, conforme se lê em Gênesis 6, 5) arrepende-se e resolve eliminar os homens da face da terra, até que tinha seus motivos, mas os animais, os répteis e as aves dos céus não tinha nenhum motivo para exterminá-los, a não ser por pura "maldade", coisa que foi o motivo da condenação dos homens. E os animais que vivem nas águas eram inocentes?

"Noé era um homem justo e perfeito no meio dos homens de sua geração. Ele andava com Deus".

(Gênesis 6, 9).

Vejamos como Noé era um homem justo e perfeito: "Noé, que era agricultor, plantou uma vinha. Tendo bebido vinho, embriagou-se, e apareceu nu no meio de sua tenda. Cam, o pai de Canaã, vendo a nudez do seu pai, saiu e foi contá-lo aos seus dois irmãos". (Gênesis 9, 20-22) Quando Noé despertou de sua embriaguez, soube o que tinha feito o seu filho mais novo. "Maldito seja Canaã, disse ele; que ele seja o último dos escravos de seus irmãos". (Gênesis 9, 24-25).

Que comportamento exemplar para um homem perfeito, se embebeda e sai nu pelo acampamento. Que homem justo, quando castiga a Canaã, seu neto, em vez de castigar a seu filho Cam, que não parece ser o filho mais novo e sim o do meio ("Noé teve três filhos: Sem, Cam e Jafet", em Gênesis 6, 10), por ter visto a sua nudez, quando a culpa era dele mesmo Noé ao sair pelo acampamento nu como se estivesse desfilando no Sambódromo em pleno Carnaval.

"Faze para ti uma arca de madeira resinosa, dividi-la-ás em compartimentos e a untarás de betume por dentro e por fora. E eis como o farás: seu comprimento será de trezentos côvados, sua largura de cinqüenta côvados, e sua altura de trinta. Farás no cimo da arca uma abertura com dimensão dum côvado. Porás a porta da arca a um lado, e construirás três andares de compartimentos". (Gênesis 6, 14-16).

No livro A História da Bíblia, de Hendrik Willem Van Loon, tradução de Monteiro Lobato podemos ler o seguinte: "Noé e os filhos puseram-se ao trabalho, sob a chacota dos vizinhos. Que estranha idéia construir um navio num lugar onde não havia água – rio nenhum, e o mar a mil milhas distante!". Ora, se uma milha equivale a 1.609 metros, temos, então, que estavam a 1.609 km do mar. Pela distancia que moravam do mar é bem provável que não tinham a menor experiência sobre construção naval, não é mesmo? Assim como conseguiram construí-la?

Conforme pudemos apurar nas notas explicativas o côvado equivale a 45 cm. Então temos: comprimento 45 cm x 300 = 135 metros, largura 45 cm x 50 = 22,5 metros e altura 45 cm x 30 = 13,5 metros. Como cada um dos três andares mediria 3.037,5 metros quadrados, a área total da arca estaria pelos 9.112,5 metros quadrados. Área muito pequena para caber tudo o que Deus ordenara a Noé colocar lá dentro. Como veremos na passagem seguinte.

"De tudo o que vive, de cada espécie de animais, farás entrar na arca dois, macho e fêmea, para que vivam contigo. De cada espécie de aves, e de cada espécie de animais que se arrastam sobre a terra, entrará um casal contigo, para que lhes possa conservar a vida. Tomarás também contigo de todas as coisas para comer, e armazená-los-as para que te sirvam de alimento, a ti e aos animais". (Gênesis 6, 19-21).

Imaginemos: Noé com sua família eram 8 pessoas, soma-se mais um casal de todos os animais vivos e mais alimentação para as pessoas e os animais que teria de durar por um ano, quando saiu Noé já tinha um neto, Canaã, qual seria o peso e o volume disto tudo? Caberia nestes poucos mais de 9.000 metros quadrados? Além de que a diversidade da alimentação dos animais, como colocar isto dentro da arca? Mais ainda, não foi ordenado a Noé colocar água dentro da arca, como os seres viveram por pouco mais de um ano sem água para beber? E o que se come não é eliminado pelo organismo? Aonde foram jogados os dejetos dos homens e dos animais, pois a arca estava quase que totalmente fechada? E o ar lá dentro, como deveria estar? Haveria ainda oxigênio para se respirar nesta arca? Será que com somente 8 pessoas eles conseguiriam alimentar todos os animais todos os dias, sem um único dia para o descanso, durante o período de um ano e pouco?

"O Senhor disse a Noé:" Entre na arca, tu e toda a tua casa, porque te reconheci justo diante dos meus olhos, entre os de tua geração. De todos os animais puros tomarás sete casais, macho e fêmea, e de todos os animais impuros tomarás um casal, macho e fêmea, das aves dos céus igualmente sete casais, machos e fêmeas, para que se conserve viva a raça sobre a terra".

(Gênesis 7, 1-3).

Aqui se fala em sete casais de animais, puros e das aves, ora, anteriormente já não havia dito ser de todos os animais um casal apenas? Não estaria em contradição?

"O dilúvio caiu sobre a terra durante quarenta dias. As águas incharam e levantaram a arca, que foi elevada acima da terra. As águas inundaram tudo com violência, e cobriram toda a terra, e a arca flutuava na superfície das águas. As águas engrossaram prodigiosamente sobre a terra, e cobriram todos os altos montes que existem debaixo dos céus; e elevaram-se quinze côvados acima dos montes que cobriam". (Gênesis 7, 17-20).

Na terra encontramos a água nos rios e mares, na atmosfera, nas nuvens, nos lençóis subterrâneos e em forma de gelo nas altas montanhas e nos pólos. As que se encontram na superfície correm para as partes mais baixas do planeta, formando os mares. E segundo a ciência 2/3 do nosso planeta é composto de água. Ora para se ter água a ponto de cobrir todos os montes da terra, temos duas hipóteses:

1ª - afundamento de toda a superfície de terra; ou...

2ª - as águas da chuva vieram de outro lugar que não a Terra, pois água do nosso planeta é pouca para cobrir todos os montes altos (Monte Everest 8.848 metros de altura).

Se considerarmos um dilúvio localizado, em determinada região da Terra, e não nela toda, é bem possível a 1ª hipótese, fora disto só em filmes de Steven Spielberg.

Interessante a nota de rodapé constante, nesta passagem, na Bíblia Sagrada, Editora Vozes: O dilúvio não foi universal . Ótimo, confirma a possibilidade de ser localizado, entretanto o que não compreendemos é que apesar disso ainda teimam em dizer que ele foi universal.mas uma grande inundação que cobriu o horizonte geográfico de Noé. A existência de histórias do dilúvio em outros povos primitivos mostra que há uma consciência geral sobre uma catástrofe que ameaçou a humanidade dos primórdios

"No ano seiscentos da vida de Noé, no segundo mês, no décimo sétimo dia do mês, romperam-se naquele dia todas as fontes do grande abismo e abriram-se as barreiras dos céus".

(Gênesis 7, 11).

"No ano seiscentos e um, no primeiro mês, no primeiro dia do mês, as águas tinham secado sobre a terra. Noé descobriu o teto da arca, olhou e viu que a superfície do solo estava seca. No segundo mês, no vigésimo sétimo dia do mês, a terra estava seca".

(Gênesis 8, 13-14).

Do início do dilúvio e até o dia em que a terra estava toda seca, passaram-se 1 ano e 10 dias (considerando-se o mês de 30 dias). Período confirmado pelo nascimento de Canaã, neto de Noé, filho de Cam.

Observar que Noé descobriu o teto da arca, o que leva a crer que neste período todo a arca estava completamente fechada, numa escuridão total. Como viveram os que lá estavam, neste período todo, sem a luz do sol?

"Ora, Deus lembrou-se de Noé, e de todos os animais e de todos os animais domésticos que estavam com ele na arca"

. (Gênesis 8, 1).

Ainda bem que Deus se lembrou, pois se isto não tivesse acontecido estaria chovendo até hoje, assim as águas já teriam transbordado do planeta, atingindo o espaço sideral.

"E Noé levantou um altar ao Senhor: tomou de todos os animais puros e de todas as aves puras, e ofereceu-os em holocausto ao Senhor sobre o altar". (Gênesis 8, 20).

É incrível que depois de todo sacrifício para salvar os animais, queima-os ao Senhor, o mesmo Deus que ordenara a Noé salvar os animais.

"O Senhor respirou um agradável odor, e disse em seu coração: ‘Doravante, não mais amaldiçoarei a terra por causa do homem – porque os pensamentos do seu coração são maus desde a sua juventude -, e não ferirei mais todos os seres vivos, como o fiz’".

(Gênesis 8, 21).

Os animais sendo oferecidos em sacrifício, queimando no altar, e Deus respirando o cheiro "agradável" de carne queimada. Aqui, novamente, Deus é de carne e osso, pois até respira e sente cheiro. Na fala entendemos que Deus, finalmente, por compreender que o homem tinha os pensamentos maus desde a juventude se arrepende de o ter eliminado, então promete não mais ferir os seres vivos.

"Vós sereis objeto de terror e espanto para todo o animal da terra, toda a ave do céu, tudo que se arrasta sobre o solo e todos os peixes do mar: eles vos são entregues nas mãos". (Gênesis 9, 2).

Bom, deve ter havido algum engano, pois se estiver em nossa frente um leão faminto ele não vai tremer por estarmos diante dele, com certeza, depois de nos almoçar, vai deitar e roncar feliz da vida.

"Deus disse:" Eis o sinal da aliança que eu faço convosco e com todos os seres vivos que vos cercam, por todas as gerações futuras. Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre mim e a terra. Quando eu tiver coberto o céu de nuvens por cima da terra, o meu arco aparecerá nas nuvens, e me lembrarei da aliança que fiz convosco e com todo ser vivo de toda a espécie e as águas não causarão mais dilúvio que extermine toda criatura. Dirigindo a Noé, Deus acrescentou: "Este é o sinal da aliança que faço entre mim e todas as criaturas que estão na terra".

(Gênesis 9, 12-15, 17).

Como quase esqueceu que Noé estava na arca durante o dilúvio, e para não correr o risco de esquecer-se da aliança que agora fazia com Noé, resolve colocar um arco nas nuvens, assim como nós que amarramos fitinha nos dedos para não esquecermos de algo que não podemos deixar de fazer.

Afinal, sabe que arco é esse? Não? Então vamos ver o que é na Bíblia Sagrada, Editora Vozes Ltda., 8ª Edição, em Gênesis 9, 14, 16: "Quando cobrir de nuvens a terra, aparecerá o arco-íris. Quando o arco-íris estiver nas nuvens eu o olharei como recordação da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos, com todas as criaturas que existem sobre a terra". É isto mesmo, o famoso arco-íris que aparece no céu após uma chuva como fenômeno natural, os raios do sol refletindo nas águas das nuvens se decompõem em 7 cores principais. Processo também obtido com um prisma de cristal. Mas Deus ainda não tinha conhecimento disto, não é mesmo?

"Noé viveu ainda depois do dilúvio trezentos e cinqüenta anos; a duração total da vida de Noé foi de novecentos e cinqüenta anos, e morreu".

(Gênesis 9, 28-29).

Entre outros de longa vida, temos Noé com 950 anos, frontalmente contra os argumentos dos cientistas que colocam a vida humana bem abaixo disto, com um tempo próximo desta narrativa: "O Senhor então disse: ‘Meu espírito não permanecerá para sempre no homem, porque todo ele é carne, e a duração de sua vida será só de cento e vinte anos’". (Gênesis 6, 3) É de se perguntar, será que Deus não se lembrou de Noé e ele conseguiu ultrapassar a duração da vida que Ele tinha fixado em 120 anos?

Como conclusão, podemos verificar que existem fatos na Bíblia que fogem ao censo lógico e científico. Não deixando de citar as adulterações efetuadas (como no caso do arco-íris, que não consta da Bíblia editada pela Editora Ave Maria), sabe-se lá porque motivos. Assim podemos aceitar que a história de Noé como relatada é fantasiosa, entretanto como a questão do dilúvio parece constar da cultura de outros povos, poderemos até aceitar, mas somente se ele tiver sido algo localizado e não sobre a terra toda.

E para confirmar que a história de Noé, não passa de uma lenda, vamos ver o que consta da Revista Galileu, Fevereiro/2001, nº 115:

As raízes de Noé.

Lendas sobre grandes dilúvios estão espalhadas entre diferentes culturas. Estima-se que cerca de 300 histórias desse tipo já tenham sido registradas. A de Noé, no entanto, é a mais famosa na civilização ocidental.

Estudiosos apontam que o Dilúvio, parte do livro do Gênesis, tenha sido escrito entre 550 a.C. e 450 a.C., período em que os judeus mais influentes de Jerusalém foram aprisionados na Babilônia. "O Gênesis cumpria o papel de reforçar a identidade desse povo", explica Fernando Altemeyer, professor de teologia da PUC. Inspirado na literatura babilônica, o livro mostrava que os judeus tinham uma história e um passado respeitável e deveriam buscar seu futuro a partir daqueles ensinamentos de seus antepassados.

A história de Noé tem muito em comum com um poema babilônico escrito por volta de 1600 a.C., que faz parte do Épico de Gilgamesh. O poema trata de um rei mítico chamado Atrahasis, que é avisado a tempo pelos deuses de que um dilúvio está prestes a destruir a humanidade. Atrahasis constrói então uma enorme embarcação, e nela coloca sua família, seus pertences e alguns animais. As semelhanças entre o Gênesis e Gilgamesh são muitas. A lenda babilônica, por sua vez, também não é original, mas baseada em uma história suméria cerca de mil anos mais antiga, provavelmente assimilada pelos babilônicos durante a conquista da região.

A versão babilônica não influenciou somente o Antigo Testamento. Entre os gregos, a lenda era muito popular, pois eles mesmos já tinham presenciado a fúria das águas devido à erupção de um vulcão no século 15 a.C. Dos gregos, a história passou aos romanos, e dessa vez, quem assume a autoria do dilúvio é o deus Júpiter, enfurecido com a má conduta humana.

Já tínhamos dado por terminado esse texto, mas encontramos fatos novos que merecem serem incluídos neste estudo. Pois ao consultar a palavra dilúvio em um Dicionário Bíblico, podemos confirma muito do que dissemos, vejam:

Os "dilúvios" extrabíblicos

As mitologias populares, constatando inundações catastróficas das quais escaparam alguns raros preferidos dos deuses, são inúmeras. A literatura babilônica, que oferece um conjunto de textos referindo-se a um "dilúvio" ao qual teria escapado uma família, graças a uma "arca", é apenas um exemplo.

Este poema é chamado "epopéia de Gilgamesh": uma versão sumérica e duas recensões acádicas chegaram até nós. As semelhanças entre as aventuras de Gilgamesh e as de Noé são impressionantes: a decisão de destruir a humanidade, o aviso feito a um homem para construir uma barca e embarcar nela animais, soltar aves quando as águas abaixassem, oferecer um sacrifício depois de passada a catástrofe e a bênção divina, tudo é idêntico.

Mas existem diferenças significativas; segundo o relato bíblico, Javé é um deus único, enquanto que todos os deuses babilônicos se agitam no texto paralelo; e, mais ainda, o dilúvio não se deve à malvadez ou à inveja de Javé, mas é um castigo da humanidade pecadora, querido por Deus.

Importante ressaltar trecho dos comentários colocados após a explicação sobre o dilúvio, é o que se segue:

"O texto bíblico do dilúvio é a versão israelita do mito babilônico. O original foi expurgado do politeísmo que o impregnava e utilizado por uma fé monoteísta e um sentido bem aperfeiçoado da divindade".

Assim, se confirma, mais uma vez, que estão conscientes que o dilúvio não passa de uma versão israelita do mito babilônico.

 

 

 

 

 

 

Bibliografia:

- Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria Ltda., 68ª edição;

- Bíblia Sagrada, Editora Vozes, 8ª Edição.

- A História da Bíblia, Hendrik Willem Van Loon, tradução de Monteiro Lobato, Editora Cultrix, São Paulo, 1981.

- Revista Galileu, fevereiro/2001, Ano 10, nº 115, Editora Globo.

- Dicionário Bíblico Universal, L. Monloubou e F.M. Du Buit, Petrópolis, RJ, Vozes, Aparecida, SP, Ed. Santuário, 1996.

"A bênção que Deus Enlil concedeu a Ut-napishtim foi transposta para uma bênção de Javé a Noé; a promessa de não mais destruir a humanidade também foi conservada. Mas o relato bíblico exprime duas teses que são pontos essenciais da fé javista: a eleição e a aliança".

publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 19:25

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Excelente texto. Parabéns!
É como você mesmo colocou no subtítulo do seu blog...
Ok, Sergio.O seu e-amil é só esse: oigres.ribeiro@...
Ok, desejaria sim.
Ola, Sérgio.Gotaria de lhe fazer um convite:Gostar...
Obrigado e abraços.
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