TODO AQUELE QUE CRÊ NUM DOGMA, ABDICA COMPLETAMENTE DE SUAS FACULDADES. MOVIDO POR UMA CONFIANÇA IRRESISTÍVEL E UM INVENCÍVEL MEDO DOENTIO, ACEITA A PÉS JUNTOS AS MAIS ESTÚPIDAS INVENÇÕES.

Quarta-feira, 31 de Março de 2010

 

As religiões, entendidas como crenças na existência de seres superiores ou forças criadoras do Universo, e que devem ser adorados e obedecidos, criaram suas doutrinas, cada qual com seus preceitos ético-morais e reverências às coisas sagradas.

As religiões geram, em seus  seguidores, sistemas de pensamentos que levam a posicionamento filosóficos, éticos e metafísicos, influindo poderosamente na maneira individual e coletiva a seguir.

Assim, quanto mais próximas estiverem as doutrinas religiosas da Verdade e da realidade, melhores serão suas influências  sobre seus adeptos.

Hoje, à luz da Revelação Espírita, sabemos que todas  as grandes religiões do mundo, desde as mais remotas eras, tiveram, em seus fundadores, os missionários encarregados de orientar e ajudar parcelas da Humanidade a progredir em conhecimentos e sentimentos.

Mas o auxilio do Alto nunca ultrapassou a capacidade de entendimento absorção dos ensinos por parte daqueles aos quais era  dirigido. Esse fato explica a linguagem figurada, sujeita a interpretações e estudos mais aprofundados a respeito dos textos religiosos antigos.

Moisés, Maomé Buda, Lao-Tsé e todos os demais enviados por Jesus, o Cristo – Governador da Terra – utilizaram linguagem inteligível à época   em que cumpriram suas missões.

Entretanto, transformadas as  condições do mundo em que atuamos e deixaram suas mensagens e ensinos, pelo progresso natural, pelas modificações dos usos, costumes e leis humanas, pelos descobrimentos científicos e pela evolução  geral do Planeta e de seus habitantes, é necessários que se  interpretem os textos antigos dos livros sagrados das religiões em suas significações legitimas.

As interpretações literais de textos escritos há milênios, sem os cuidados naturais para se buscar a significação real, levam a enganos e erros como decorrências normais.

Essas considerações  visam focalizar paradoxos que se observam no seio de determinadas religiões,  os quais se tornam incompreensíveis ou inexplicáveis perante a finalidade visada pelos princípios  religiosos, que é o da elevação dos sentimentos e dos conhecimentos da criatura humana.

Referimo-nos ao fanatismo, ao radicalismo e ao fundamentalismo que se observam em determinados movimento religiosos, gerando consequências negativas e diversificadas no seio de grande parte da Humanidade.

O fanatismo é o procedimento, a qualidade e o caráter intolerante e cego religioso.

Entusiasmado e apaixonado pelas ideias que aceitou, é incapaz de examinar qualquer pensamento, principio, ou ideal que não estejam estritamente contidos na sua doutrina. Sua vida de relação se faz extremamente difícil em face de sua presunção de superioridade com  referencia a tudo que o cerca.

Próximo  do fanatismo encontra-se o radicalismo daqueles cuja opinião ou comportamento os tornam inflexíveis, mesmo diante de evidências e provas contrárias ao ponto de vista que aceitaram.

Fanatismo e radicalismo são males que se enraízam nos movimento religiosos, principalmente protestantes, com graves prejuízos para os invigilantes que os aceitam e para aqueles que com eles se relacionam.

Aos prejuízos das interpretações do Velho e Novo Testamento somaram-se os equívocos das igrejas denominadas cristãs, com suas estruturas e hierarquias tradicionais, criando  as organizações religiosas que se desviaram do Cristianismo autentico, resultante dos ensinos do Cristo de Deus.

A interpretação que se deu as palavras céu, inferno, anjos, demônios, penitencia, dia do juízo e tantas outras constantes dos Evangelhos, na sua letra, sem considerar que Jesus se dirigia  a pessoa de pouco entendimento e que sua linguagem, tinha tantas vezes, sentido figurado para ser entendida, levou as doutrinas católica e protestante e erros e enganos evidentes.

CÉU E INFERNO, por exemplo, não podem ser configurados lugares determinados ao gozo eterno ou ao sofrimento eterno das almas, como entendem as igrejas, mas sim estado da alma, resultantes de seus pensamentos e ações no bem ou no mal.

PENITÊNCIA não deve ter o sentido de simples castigo pelo mal feito, mas sim o de arrependimento, sem prejuízo da retificação necessária.

ANJOS OU ESPÍRITOS que já se encontram em avançados estágios evolutivos, mas que iniciaram sua trajetória  como seres simples e ignorantes e não como criaturas especiais como o Criador.

DEMÔNIOS são espíritos que se desviaram, comprazem-se no mal, mas que terão oportunidade de se redimir, dentro da lei de Deus, que é justa e equitativa com toda a Criação.

O JUÍZO FINAL não é um julgamento especial em um tempo indefinido dentro da eternidade, mas sim as consequências dos atos e pensamentos de cada ser pelo automatismo das leis divinas, às quais todas as criaturas estão sujeitas.

O fundamentalismo resultante da interpretação literal, quando se junta à força do poder temporário, conduz os povos, raças e nações à violência e as guerras, como ocorreu no passado e ainda acontece (veja matarias de jornais protestantes invadem e quebram centro espíritas)

O fundamentalismo, o utilitarismo, o subjetivismo e o materialismo são desvios perigosos de vivencia  e de interpretações infelizes, com consequências sérias para que os aceita, contra os quais estão sempre presentes a mensagem do Cristo e a Doutrina Consoladora por Ele prometida e enviada.

  

 

 

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publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 04:22

Terça-feira, 30 de Março de 2010

"Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?
R - Jesus"
("O Livro dos Espíritos", Allan Kardec, questão 625)

O espiritismo é uma ciência filosófica de consequências morais. Como ciência investiga, como filosofia explica e como ética aponta-nos um roteiro seguro na nossa caminhada moral: os princípios cristãos. O espiritismo é pois uma doutrina cristã, na sua pureza original, despojando-se de todos os apêndices que entretanto o homem lhe foi pondo. Exemplo a seguir? Jesus, indubitavelmente. Só que, Jesus não é Deus e o espiritismo explica racionalmente porquê!
Muita gente quase se choca quando ouve num centro espírita que Jesus não é Deus. Também não admira, pois espíritas existem que ainda reagem assim. É como se fosse quase um sacrilégio dizer tal "barbaridade", uma ofensa, quase um desafio a Deus.
Tal ideia vem certamente do facto de a grande maioria ter sido educada dentro das ideias professadas pela Igreja Católica, onde se ministra o ensinamento da Santíssima Trindade - Pai, Filho e Espírito Santo - onde existem três entidades numa e uma em três. Algo difícil de explicar racionalmente, daí ser um dos dogmas teológicos da Igreja Católica. Embora não concordemos com tal posicionamento, convém frisar que a postura de qualquer espírita é de profundo respeito pelas ideias de quem quer que seja, na certeza de que todos nós somos espíritos em evolução e como tal passíveis de estarmos em níveis evolutivos diferenciados, quer no campo moral quer no intelectual. Assim sendo, o espiritismo apresenta-nos essa imagem bela da Vida como um todo e, como tal, é uma doutrina universalista que visa unir e não fraccionar. Daí, não poder ser uma religião, no sentido que se conheçe, pois se assim fosse seria "mais uma" em oposição a tantas já existentes. É pois, uma doutrina filosófica de consequências morais, com um campo de abrangência mundial, marcadamente cristã, cujo objectivo é contribuir para a elevação espiritual dos seres encarnados (no corpo de carne) neste planeta.

O Espiritismo faz a apologia da fé raciocinada

O Espiritismo ensina-nos e a razão sanciona (o espiritismo é apologista da fé raciocinada) que todos os seres criados por Deus foram colocados em pé de igualdade, isto é, simples e ignorantes, cheios de potencialidades superiores ("vós sois deuses"), seres esses que evoluiriam mais ou menos rapidamente conforme o seu esforço e livre-arbítrio, de existência em existência, de reencarnação em reencarnação, cuja meta é comum: atingir o estado de espíritos puros em que já não necessitam mais reencarnar para evoluir e passam então a colaborar com Deus na co-criação do Universo.
Assim sendo, muitos começaram primeiro que outros o seu processo evolutivo, no entanto sempre com as mesmas condições para todos, sem as quais a justiça divina e igualdade de oportunidades facilmente cairiam por terra. Outros começaram ao mesmo tempo, no entanto, enquanto uns se imobilizaram, por exemplo, nos trilhos lodosos do ódio, outros partiram para as estradas seguras do perdão, e puderam assim alcançar primeiro, níveis que os outros alcançarão apenas mais tarde, em virtude da sua rebeldia.
Dentro dos princípios básicos da doutrina espírita - Deus, Imortalidade da alma, Comunicabilidade dos espíritos, Vidas sucessivas (Reencarnação), Lei de Causa e Efeito, Pluralidade dos Mundos Habitados - fácil é deduzir que Jesus (o governador espiritual do Planeta Terra) começou sua vivência evolutiva simples e ignorante, como os demais, tendo no entanto alcançado os píncaros da espiritualidade. A sua evolução espiritual processou-se certamente noutros orbes, sabe-se lá em que parte do Universo. Terminada essa fase evolutiva, eis que toma novas tarefas, agora como responsável pela vida no Planeta Terra e pela evolução dos seres que ai aportam. É um irmão mais velho, que carinhosamente nos indica o rumo a seguir até que atinjamos aquilo a que vulgarmente se apelida de céu. É pois, o intermediário entre Deus e os homens. Numa analogia um pouca terra-a-terra, e comparando Portugal com o Universo, poderiamos dizer que Deus é o "Presidente da República" e que Jesus é o "Governador Civil" de uma das cidades. Fácil é inferir que as outras cidades (outros planetas) terão por sua vez cada qual o seu "Governador Civil", que terão outros nomes, mas que estarão ao nível de Jesus (por hipótese).
Algo talvez simultâneamente simples e complexo, para ser abordado numa página de jornal. Daí não dispensarmos um estudo atento pelo "Evangelho Segundo o Espiritismo" e "Livro dos Espíritos", bem como "O Livro dos Médiuns", "O Céu eo Inferno" e "A Génese", todos eles de Allan Kardec.

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publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 04:02

Segunda-feira, 29 de Março de 2010

 

Existe uma diferença substancial entre a Doutrina Espírita e determinadas correntes religiosas.

Não é no aspecto dos princípios filosóficos que estamos falando, mas na maneira de encarar e conviver com as outras religiões.

Primeiro: nunca dizemos que as outras religiões não prestam ou que sejam obras de satanás. Segundo: não procuramos impor nossa maneira de pensar a quem quer que seja, respeitamos a todos para poder merecer de todos o devido respeito. Terceiro: não estamos à procura dos que não pensam como nós para tentar convencê-los enviando e-mails, cartas, revistas, etc, ou até mesmo pessoalmente para mudar a cabeça dos outros. Quarto: quando encontramos algum escritor Espírita falando de alguma coisa de determinada religião é porque teve o cuidado de pesquisar sobre o assunto, não dando ouvidos ao que os outros dizem, como é comum vermos nos que combatem à Doutrina Espírita.

Não raro encontramos afirmações de ser “Espiritismo” todos os lugares onde ocorrem as manifestações de espíritos. Se não for por pura ignorância é má-fé mesmo, pois somente poderá ser considerado Espiritismo os que seguem rigorosamente a codificação feita por Kardec.

A maneira com que encaramos a Bíblia é outro ponto em que há discordância entre nós e as outras correntes religiosas que se fundamentam neste livro.

Só para se ter uma idéia do que passam aos seus profitentes a respeito de como ler a Bíblia colocamos, a seguir, alguns exemplos do que consta nas Bíblias como norma de interpretação:

  1. Bíblia Sagrada, Edição Barsa:
  1. Uma vez que as S. Escrituras foram inspiradas por Deus, não contêm erro algum, assim pois, qualquer interpretação que aceite um erro ou contradição entre passagens bíblicas, não pode ser verdadeira.
  2. Uma vez que a Igreja recebeu a promessa de contar com a ajuda do Espírito Santo (Jo 14, 16), não se pode aceitar uma interpretação que seja contrária a alguma de suas definições.
  3. Sendo a tradição parte integrante da revelação divina, não se pode admitir nenhuma interpretação que vá contra a opinião unânime dos Santos Padres ou Doutores da Igreja primitiva.
  1. Bíblia Anotada:

Aceite o sentido normal, natural e costumeiro das palavras. É assim que falamos e lemos outros tipos de literatura, e é assim que Deus pretendeu que fosse lida e entendida a Sua Palavra”.

Não fique tentado, todavia, a descobrir significados “profundos” ou a encontrar idéias ocultas que ninguém jamais percebeu! Não invente “mensagens” que não estão no texto para justificar alguma idéia pessoal ou ação que planeje executar. No sentido normal do texto há farto material para que o Espírito Santo fale a você e satisfaça suas necessidades espirituais. Além disso, quanto mais você estudar, tanto maior será o “reservatório” de verdades bíblicas acumuladas das quais o Espírito pode Se valer para corrigi-lo, fortalecê-lo e guiá-lo””.

Como se vê “os donos da verdade” são as únicas pessoas que receberam de Deus a inteligência para compreender e interpretar a Bíblia.

Entretanto, por puro atavismo, não percebem que os livros da Bíblia foram escritos por seres humanos, que nela colocaram além das revelações divinas, muitas coisas que são apenas reflexos do pensamento do próprio escritor ou da cultura do povo hebreu. Nela, também, encontramos coisas que tiveram aplicabilidade somente naquela época, não podendo prevalecer para os nossos dias. Não raro encontramos coisas que serviram puramente de leis sociais ou religiosas que não podem ter sido emanadas de Deus.

Assim aos que ainda pensam que a Bíblia é a mais pura verdade, perguntamos:

Considerando que Deus após formar o homem do barro da terra e inspirar-lhe nas narinas um sopro de vida (espírito) e que forma a mulher da costela tirada do homem, poderemos pressupor que a mulher não tem espírito?

Considerando que Deus disse que a serpente seria maldita entre todos os animais, por que Jesus nos diz para sermos prudentes como ela?

Considerando que Deus disse à mulher que iria multiplicar das dores do parto, por que motivos os animais também parem com dor?

Considerando que Deus disse especificamente ao homem (Adão) tu és pó e ao pó hás de tornar, por que as mulheres, os animais e as plantas morrem?

Por que Deus disse: Eis que o homem se tornou como um de nós, será que existem vários Deuses?

Por que Deus coloca querubins armados para guardar o caminho da árvore da vida, já que estes seres na época eram seres da mitologia babilônica, metade homens, metade animais, de quatro patas, com asas, guardas dos portais de templos e palácios, ou seja, não tinham a concepção moderna de serem anjos? Onde estavam naquele dia Seus anjos?

Sabendo que Deus estabeleceu o tempo de 120 anos como a permanência do homem na carne, por que várias pessoas viveram além deste tempo? Será que as leis divinas não são para todos? Onde está a justiça?

Por que mesmo sendo onisciente Deus não teve a menor idéia de que o homem se tornaria mal, e arrependido de havê-lo criado, resolve exterminá-lo da face da terra?

Deus coloca o arco-íris nas nuvens para se lembrar da aliança que fez com Noé, será que é porque achava que se não colocasse um sinal poderia esquecer dessa aliança?

Moisés diz ter falado com Deus face a face, Jacó diz ter visto Deus face a face, entretanto Jesus diz que ninguém viu a Deus face a face. Como pode ser isso?

Apesar da adivinhação ser abominável a Deus, por que José fazia adivinhação através de uma taça?

Considerando que a magia era abominável a Deus, como Moisés transforma uma vara em serpente, mesma coisa faz Aarão só que a vara é transformada em crocodilo?

Considerando que entre os Dez Mandamentos da Lei de Deus existe um que diz: Não matarás, como se diz que Deus manda matar: quem trabalha aos sábados, quem ferir mortalmente um homem, quem ferir o pai ou a mãe, quem seqüestrar uma pessoa, quem amaldiçoar o pai ou a mãe, os que cometerem adultério, as feiticeiras, quem tiver relações com um animal, os filhos rebeldes e desobedientes (apedrejados) entre tantas decretações de morte?

A determinação de não cobiçar a mulher do próximo é de origem divina ou fruto da sociedade machista da época?

Estamos dando somente uma ligeira idéia do que contêm a Bíblia, que insistem em afirmar ser a palavra de Deus.

Talvez o problema maior do Espiritismo realmente não seja a questão da comunicação com os mortos, a reencarnação ou não aceitar a divinização de Jesus, estamos nos convencendo de que na realidade o nosso maior problema é justamente o de não aceitar a Bíblia como verdade absoluta, sem o mínimo erro. Sabe por que? Porque infelizmente ela é usada justamente para manter sob domínio de certos líderes religiosos o pobre povo, que pela sua ignorância bíblica aceita tudo o que eles dizem. Acabam aceitando a idéia que é se dando é que se recebe. Entretanto, vergonhosamente distorcem o dar, para lhes incutirem que apenas os que dão dízimo ou os que dão “espontaneamente” muito dinheiro irão receber recompensa de Deus.

Achamos, pois urgente a necessidade de aprofundarmos mais na Bíblia para lhe ressaltar as contradições e incoerências, deixando evidenciado o que realmente poderia ser de Deus, para que fique bem claro que ela está sendo usada para subjugar o povo.

Apesar de que em várias passagens se afirma que Deus não faz acepção de pessoas, dizem que somente os que seguem a suas religiões é que irão para o céu (desde que paguem por isso, é claro).

Algumas vezes encontramos pessoas que dizem que irão orar para nós, para que possamos nos converter. Diremos a eles, só você é pouco coloquem todos os que pensam como você para orar, mas vamos logo lhe dizendo será muito difícil, porque não vou abrir mão do meu direito de questionar e pensar, o que nunca encontraremos nas religiões dogmáticas. Como no Espiritismo temos plena liberdade, ficamos por aqui. E afirmamos não iremos para o inferno, visto ele não existir. Se Jesus disse que o reino dos céus não está aqui ou acolá que ele se encontra dentro de nós, por conseqüência também o inferno estará dentro de nós, ou seja, é apenas um estado de consciência. Como desenvolvemos todos os esforços para amar ao próximo como a nós mesmos, para encontrarmos a nossa felicidade, conseqüentemente estamos fazendo o que é necessário para entrar no reino dos céus.

E por derradeiro, “A convicção que tens, guarda-a só contigo e aos olhos de Deus. Feliz o homem que não se julga culpado pela decisão que toma” (Romanos 14, 22).

Julho/2001.

Bibliografia:

Bíblia Sagrada – Tradução de Antônio Pereira de Figueiredo, com notas e um completo Dicionário Prático por Mons. José Alberto L. de Castro Pinto, Edição Barsa, 1965.

A Bíblia Anotada = The Ryrie Study Bible /Texto bíblico: Versão Almeida, Revista e Atualizada, com introdução, esboço, referências laterais e notas por Charles Caldwell Ryrie, Tradução de Carlos Oswaldo Cardoso Pinto, - São Paulo, Mundo Cristão, 1994.

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publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 01:39

Sábado, 27 de Março de 2010

Se considerar contradições já é difícil, imagine, em tal caso, tolerar verdadeiros absurdos que podemos encontrar no livro dito sagrado.

Uma vez mais evocamos a isenção e a sensatez para a averiguação dos pontos seguintes:

 

A PERSONALIDADE DE DEUS

Em corroboração mútua, a Bíblia e os homens traçaram uma personalidade para Deus próxima às fraquezas humanas, levando ao pé da letra o que diz o seguinte trecho:

Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher ele os criou. Gênesis, 1:27

Desde então, descreveram-nO cheio de ira, ciúme, orgulho, vaidade e propenso ao arrependimento, à fadiga e à vingança. Atributos esses que é peculiar a quem não tem constância — em resumo: um deus imperfeito.

Instigado por esses instintos, Javé age com mão de ferro contra os “inimigos” — sim, Jeová tinha inimigos! — a até mesmo contra os eleitos, não raro, com requintes de crueldade.

Um exemplo: a Arca da Aliança era uma peça sagrada, que somente deveria ser tocada pelos sacerdotes autorizados. Ocorre que, em um translado, deu-se um incidente:

Mas, ao chegar na eira de Nacon, Oza estendeu a mão para a arca do Senhor e segurou a, porque os bois tinham escorregado. Então o Senhor inflamou-se de ira contra Oza e feriuo por causa da sua temeridade, de modo que ele morreu ali mesmo, junto da arca de Deus. II Samuel, 667

 

PROPÓSITOS DE DEUS NA TERRA

Iavé representa aos israelitas o mesmo que os deuses do Olímpio à Grécia, bem como ocorria em outros povos e respectivas mitologias, com a diferença de ser no singular — único: o Senhor dos exércitos, protetor do povo abençoado e justiceiro da Terra.

O propósito comum é estabelecer o domínio terreno a Israel:

O Senhor dos Exércitos está conosco, nosso refúgio é o Deus de Jacó.

Salmos, 46:12 (*)

 

Agora, Senhor Deus, cumpre para sempre a promessa que fizeste ao teu servo e à casa de Israel.

Faze como disseste! Então o teu nome será exaltado para sempre, e dirão: ‘O Senhor dos Exércitos é o Deus de Israel’. E a casa do teu servo Davi permanecerá estável na tua presença. II Samuel, 7:2526

É o rei Davi o interlocutor do Senhor no trecho supracitado.

Repare que ele pede (ou exige?) o cumprimento da promessa de Jeová e (condicionado?) a isso, garante que (no futuro) o seu povo glorificará o nome do Senhor.

 

Atentem para essa passagem:

Com a ira do Senhor dos exércitos, incendiou-se a terra, o povo virou lenha deste fogo. Ninguém poupa seu irmão: morde à direita e continua com fome, morde à esquerda e não fica satisfeito, devorando cada um a carne do irmão.Isaias, 9:1819

Que coisa, não?!

 

Vingança! Vingança! Vingança!

Por isso, diz o Senhor, o Deus dos exércitos, o Herói de Israel: “Ah! Vou rir dos meus inimigos, vingar-me dos adversários! Isaias, 1:24

(*) Em algumas traduções a numeração desse Salmo é 45 e a do versículo é 11.

 

EXTREMISMO

Nas minúcias, a lei de Jeová é mais que rigorosa: é extremista — talvez, por causa das Suas tendências humanas. O fato é que, analisando-a friamente, concluiremos haver incompatibilidades profundas. Prossiga!

 

O terceiro mandamento da Lei de Deus é tomar o sétimo dia da Criação como data santa e exclusiva para oração (Êxodo 20, 810).

Era pra ser o sábado, mas depois foi transferido para o domingo – sem o consentimento da Bíblia. Deus escolheu errado o dia?

Dizem que é em homenagem à ressurreição de Jesus, registrada num domingo. Mas o próprio Jesus não disse que “não veio destruir a Lei, mas cumpri-la”?

Se ele mesmo não mudou a data, por que fizeram isso depois de tantos séculos?

Até aí, vá lá...

 

Impressionante o rigor da lei Sabbath! Observem:

Guardareis o sábado, porque é sagrado para vós.

Quem violar será punido de morte. Se alguém nesse dia trabalhar, será eliminado do meio do povo.Êxodo, 31:14

— O que fazer com os bombeiros, os médicos, os taxistas, e todos os profissionais que trabalham no dia do Senhor? Devem ser executados?

 

Para os pais que não suportarem a rebeldia de um filho a Lei prescreve o seguinte alvitre:

Se alguém tiver um filho desobediente e rebelde, que não quer atender à voz do pai nem da mãe e, mesmo castigado, se obstinar em não obedecer, os pais o conduzirão aos anciãos da cidade, até o tribunal local, e lhes dirão: “Este nosso filho é desobediente e rebelde. Então todos os homens da cidade o apedrejarão.

E assim eliminarás o mal de teu meio e, ao sabê-lo, todo o Israel temerá. Deuteronômio, 21:1821

Também deve ser morto o filho que amaldiçoar seus progenitores:

“Quem amaldiçoar o pai ou a mãe será punido de morte; amaldiçoou o próprio pai e a própria mãe: é réu de morte. Levítico, 20:9

 

— Eis a legitimação da pena de morte, embora um dos mandamentos seja: “Não matarás”.

 

A sentença também é cabível para todos os homossexuais:

Se um homem dormir com outro, como fosse com mulher, ambos cometem uma abominação e serão punidos com a morte: seu sangue cairá sobre eles. Levítico, 20:13

— Homofobia transparente!

 

Essa mesma fatal recomendação é aplicada às mais diversas situações. Sem embargo, num gênero, em especial, ela se salienta:

Se um homem tomar como esposa ao mesmo tempo a filha e a mãe, é uma infâmia. O homem e as duas mulheres serão queimados, para que não haja entre vós infâmia semelhante. Levítico, 20:14

— Veja só que nesse caso, deve morrer o agressor e as vítimas. É bem verdade que há a possibilidade de as duas se entregarem por livre desejo, porém, o mais comum é que o macho se imponha às mulheres.

De qualquer forma...

O homem que tiver relações sexuais com um animal será punido de morte; deveis matar também o animal. Se uma mulher se aproximar de um animal para copular, matarás a mulher e o animal. Os dois serão mortos: seu sangue cairá sobre eles. Levítico, 20:15

Quer dizer: a vítima, o animal inocente, também paga pelo erro.

 

A Bíblia prega a intolerância religiosa? Analisemos:

Se, em teu meio, em algumas das cidades que o Senhor teu Deus te dá, houver um homem ou uma mulher que pratique o que desagrada ao Senhor teu Deus, transgredindo sua aliança e seguindo outros deuses para segui-los e prostrar-se diante deles, diante do sol ou da lua ou de qualquer astro do exército do céu — coisas que não ordenei — logo que te chegar a notícia, investigarás cuidadosamente o caso. Se for de fato verdade que se cometeu tal abominação em Israel, levarás às portas da cidade o homem ou a mulher que cometeu tal maldade e os apedrejarás até à morte. Deuteronômio, 17:25

E o código diz ainda que o castigo deve se estender a toda cidade, em que nem os bois e as vacas devem escapar, quando homens saírem para seduzir os israelitas (Deuteronômio, 13:15).

Tomemos por exemplo, o que deveria acontecer a Samaria, uma cidade infiel:

Samaria vai pagar, pois revoltou-se contra o seu Deus. Ela cairá à espada, seus filhos serão esmagados, as grávidas terão os ventres rasgados! Oséias, 14: 1 (*)

— Intolerância religiosa, a exortação à guerra santa, cruzadas, inquisição, etc.!!!

 

Em Números, 31, lemos uma descrição minuciosa de uma carnificina assustadora que Jeová comanda sobre os midianitas. Suas cidades foram saqueadas e totalmente destruídas, matando a homens, mulheres e crianças, com uma exceção apenas:

As meninas, porém, que não tiveram relações com homem, conservai-as vivas para vós. Números, 31:18

Aliás, promessa de recompensa comum às vitórias militares, na antiguidade, era a de posse de virgens.

 

O Deus da vida, usado para justificar guerras e guerras!

Estando Eglon sentado em seu quarto privativo de verão, no andar superior, Aod se aproximou. “Tenho uma mensagem de Deus para ti”, disse Aod. Quando o rei se levantou do trono, Aod estendeu a mão esquerda e apanhou do lado direito o punhal, que lhe enfiou no ventre. Juízes, 3:2021

* * *

(*) Em algumas traduções, esse capítulo 14 é apenas continuação do anterior. Logo, o trecho estaria em: Deuteronômio, 13:16.

 

E quando não, o próprio Espírito de Deus se apossa dos homens, como Sansão, para matar e matar:

Então o espírito do Senhor apoderou-se de Sansão.

Ele desceu a Ascalon, matou ali trinta homens (...). Juízes, 14:19

Adiante, o mesmo espírito do Senhor faz Sansão matar mais mil.

Ao chegar a Lequi, os filisteus vieram ao encontro dele com gritos de guerra. Então, o espírito do Senhor apoderou-se dele e as cordas sobre os braços tornaram-se como fios de linho a queimar no fogo, e as amarras das mãos se desfizeram. Havia ali uma queixada de burro recém morto.

Ele estendeu a mão, agarrou a e com ela matou mil homens. Juízes, 15:1415

O detalhe aqui é que o herói Sansão cometeu um ato imundo perante a lei de Israel, que é o de tocar um cadáver animal.

 

E o Senhor de Israel, segundo a Bíblia, não tolera frouxidão.

Condenou um indivíduo que se recusou a ferir um profeta:

Então um do grupo dos profetas, por ordem do Senhor, disse a um companheiro: “Fere-me!” Mas ele não quis feri-lo.

“Por que não quiseste ouvir a voz do Senhor”, disse o primeiro, “um leão te matará quando te afastares de mim”. Afastando-se ele um pouco, um leão veio-lhe ao encontro e o matou. I Reis, 20:3536

— Incitação à violência!

 

Nem mesmo as crianças são ignoradas pela ira do Senhor:

Daí, Eliseu subiu a Betel. Pelo caminho, uma turma de meninos saiu da cidade, e zombaram dele, dizendo: “Sobe, careca! Sobe, careca!” Voltando-se, viu-os e os amaldiçoou em nome do Senhor. Saíram então dois ursos da floresta e despedaçaram quarenta e dois deles. II Reis, 2:2324

— Absolutismo inexplicável! Caçoada e impertinência própria da meninice. Se se fosse punir a puerilidade dos dias correntes...

 

A Verdade Sobre A Bíblia...

L. Neilmor is

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publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 01:11

Sexta-feira, 26 de Março de 2010

O Espiritismo rejeita a concepção bíblica da gênese ou procura explicá-la? Como temos dito, repetindo afirmações de Kardec e Denis, o Espiritismo é a grande síntese do conhecimento. Originada pelo desenvolvimento histórico do Cristianismo, essa síntese obedece à orientação do Cristo: não vem destruir ou negar, mas confirmar e explicar. No caso da criação do mundo e do homem, segundo a Bíblia, ele confirma a realidade na alegoria e dá a explicação desta. Impossível tomar-se hoje a Bíblia ao pé da letra. É necessário penetrar o sentido dos seus símbolos, dos seus mitos, das suas alegorias.

No capítulo quatro de A Gênese, Kardec estuda o problema à luz das conquistas científicas do seu tempo. Mostra que o poema bíblico da Criação é uma explicação figurada, à semelhança da gênese de todas as religiões antigas, e conclui: "De todas as antigas gêneses, a que mais se aproxima dos dados científicos modernos, apesar dos seus erros, hoje evidentemente demonstrados, é incontestavelmente a de Moisés". Alguns dos seus erros, acrescenta, são mais aparentes do que reais, decorrendo de falsas interpretações de palavras nas traduções, de modificações semânticas ao longo dos milênios e de se tomar ao pé da letra as suas expressões e formas alegóricas. O Livro dos Espíritos, no capítulo primeiro de sua terceira parte, traz um estudo intitulado "Considerações e concordâncias bíblicas referentes à Criação", que esclarece bem este assunto. No capítulo décimo segundo de A Gênese, reproduzindo o texto bíblico, Kardec o estuda em relação aos dados científicos, oferecendo um quadro comparativo da alegoria dos seis dias da criação com os espíritos da formação geológica determinados pela Ciência. Acentua, porém, que a concordância não é rigorosa e não pode ser tomada como tal, mas basta para provar a intuição da realidade na alegoria bíblica.

Kardec conclui o capítulo afirmando: "Não rejeitemos, pois, a gênese bíblica, mas estudemo-la, como estudamos a história da origem dos povos". Hoje, os próprios teólogos católicos e protestantes estão endossando as explicações espíritas. Há uma revolução teológica em marcha, que vem apenas confirmar a legitimidade da interpretação espírita das Escrituras. Só os crentes fanáticos da Bíblia, os literalistas amarrados ao texto, ainda investem contra o Espiritismo de Bíblia em punho.

Visão Espírita da Bíblia J. Herculano Pires

 

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publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 01:48

Quinta-feira, 25 de Março de 2010

 

Vamos fazer uma leitura dinâmica na Bíblia para ver se nela encontramos algo em que possamos nos apoiar para responder a essa pergunta.

O primeiro milagre que nos surge na Bíblia é Deus criando do nada, a Terra e o Universo num período fantástico de seis dias. Ora, hoje a ciência vem provar que esses dias são, na realidade, períodos de bilhões e bilhões de anos, e não, como até há pouco tempo se pensava, serem dias de 24 horas.

A criação do homem não deixa também de ser um fenômeno milagroso, já que Deus faz que um monte de barro se transforme num ser humano. Entretanto, não vemos grandes diferenças entre nós e os animais. Veja que os elementos que compõem nosso corpo físico são os mesmos que formam o corpo dos animais. Os órgãos e suas respectivas funções são muito semelhantes nesses dois seres. Tanta semelhança assim só, por questões de lógica, pode existir se eles tivessem a mesma origem, ou seja, surgiram duma mesma maneira. Não entendemos porque ainda se diz que o homem foi criado diferente. Bom, a verdade é que a narrativa bíblica deve ser tomada no sentido simbólico, qual seja, a de que o corpo humano se formou dos elementos que já existiam na natureza, da mesma forma que o corpo dos animais.

Arrependido de ter criado o homem - como se fosse possível - Deus resolve eliminá-lo da face da terra. E, para isso, inunda toda a terra de água, através do dilúvio universal. Sabemos hoje, pela ciência, que não existe água suficiente em nosso planeta para cobrir o mais alto monte. Devemos ver nessa passagem apenas um sentido figurado: quem está com Deus, vence todos os tormentos da vida.

O homem vê no arco-íris um sinal da aliança que Deus faz com a humanidade de nunca mais destruir a terra com água. Mas, a ciência nos diz que o arco-íris é apenas a decomposição da luz solar em sete cores básicas, e que podemos, inclusive, reproduzir com um prisma de cristal.

A mulher de Ló virando estátua de sal, pode ser explicado: "a chuva desloca numerosos blocos de sal que rolam até a base. Esses blocos têm formas caprichosas e alguns deles são eretos como estátuas. Às vezes em seus contornos a gente pensa distinguir, de repente, formas humanas".(1)

Encontramos, agora, o povo hebreu cativo no Egito. Deus resolve escutar o clamor desse povo e envia alguém para libertá-los. Aparece a Moisés em meio à sarça ardente escolhendo-o para essa missão. Entretanto, "O fenômeno da ‘sarça ardente’ existe, pois, na natureza, literalmente em plantas com um grande conteúdo de óleos voláteis. O naturalista alemão Dr. M. Schwabe comprovou em repetidas observações a inflamação espontânea: a mistura de gás e ar inflama-se algumas vezes por si só no calor intenso e no ar parado, ficando o arbusto intacto" (1).

Moisés, para convencer o faraó que vinha da parte de Deus, manda várias pragas aos egípcios. "Mas, as pragas não são coisa inverossímil nem incomum. Ao contrário, fazem parte da cor local do Egito. A água do Nilo "converteu-se em sangue". "E as rãs saíram e cobriram a terra do Egito". Vieram mosquitos, moscas, uma peste dos animais e úlceras – vieram depois granizo, gafanhotos e trevas (Êxodo 7 a 10). Coisas como essas mencionadas pela Bíblia, o Egito experimenta até hoje, como, por exemplo, "o Nilo vermelho".

"Às vezes os aluviões dos lagos abissínios colorem a água do rio, sobretudo no seu curso superior, de uma pardo avermelhado, que pode dar a impressão de sangue. No tempo das enchentes, as rãs e os mosquitos multiplicam-se às vezes de tal modo que chegam a transformar-se em verdadeiras pragas. A categoria de moscas pertencem sem dúvida os moscardos. Freqüentemente, eles invadem regiões inteiras, penetram nos olhos, no nariz, nos ouvidos, causando dores lancinantes".

"Por toda parte há peste dos animais. Pelo que se refere às úlceras, ocorrem tanto nos homens como nos animais". Poderá tratar-se da chamada fogagem ou sarna do Nilo.(...).

"O granizo é, com efeito, raríssimo no Egito, mas não desconhecido. A época do ano em que isso ocorre é janeiro ou fevereiro. As nuvens de gafanhotos são, entretanto, um flagelo típico das regiões do Oriente. O mesmo se dá com as trevas súbitas. O chamsin, também chamado simum, é um vento ardente que arrasta consigo grandes massas de areia. Estas escurecem o sol, dando-lhe uma cor baça e amarelada, chegando a ficar escuro em pleno dia. (...) E contra toda explicação científica se opõe também, naturalmente, a indicação da Bíblia de que a praga das "trevas egípcias" apenas afetou os egípcios, mas não os israelitas que viviam no Egito..."(1)

Sobre a morte dos primogênitos dos homens e dos animais, encontramos a seguinte explicação: "Cereais guardados em celeiros ainda úmidos podem desenvolver um bolor altamente tóxico. Como no Egito antigo os primogênitos (tanto humanos quanto dos animais) tinham a precedência na alimentação, em tempos de escassez eles foram os primeiros a ser fatalmente intoxicados pelo bolor" (2).

Moisés, após libertar o povo hebreu, tem à sua frente o Mar Vermelho, que após abrí-lo em duas muralhas, passa por entre elas a pé enxuto. "A primeira dificuldade está na tradução. A palavra hebraica "Yam suph" é traduzida ora por "mar Vermelho", ora por "mar dos Juncos". (...)

"Às margens do mar Vermelho não crescem juncos. O mar dos juncos propriamente ficava mais ao norte. ...Nos tempos de Ramsés II, existia ao sul uma ligação do golfo de Suez com os lagos amargos. Provavelmente chegava mesmo até mais adiante, até o lago Timsah, o lago dos Crocodilos. Nessa região existia outrora um mar de juncos. O braço de água que se comunicava com os lagos amargos era vadeável em diversos lugares. A verdade é que foram encontrados alguns vestígios de passagens. A fuga do Egito pelo mar dos Juncos é, pois, perfeitamente verossímil"(1).

No deserto o povo hebreu passa a fazer determinadas exigências a Moisés, que pede a Deus para atender-lhes, Deus envia-lhes as codornizes e o maná. "Repetidamente tem-se discutido com mais ou menos base a questão das codornizes e do maná. Quanto ceticismo têm provocado! A Bíblia fala de coisas maravilhosas e inexplicáveis. Mas codornizes e maná são inteiramente naturais. Basta consultar um naturalista ou os naturais da terra, que ainda hoje podem observar o mesmo fenômeno".

"A saída de Israel do Egito começou na primavera, a época das grandes migrações das aves. Partindo da África, que no verão se torna insuportavelmente quente e seca, as aves seguem, desde tempos imemoriais, duas rotas para a Europa: uma pela extremidade ocidental da África, para a Espanha, e a outra pela região oriental do Mediterrâneo, para os Bálcãs. Entre essas aves encontram-se codornizes, que nos meses da primavera voam por cima do mar Vermelho, que têm de atravessar em sua rota para leste. Cansadas do grande vôo, deixam-se cair nas planícies da costa a fim de recobrarem forças para a viagem por cima dos altos montes até o Mediterrâneo. Flávio Josefo (Ant. III, 1.5) relata uma experiência semelhante, e ainda em nossos dias os beduínos dessa região apanham com a mão, na primavera e no outono, as codornizes exaustas".

"No que se refere ao famoso maná, recorramos aos botânicos. Anteciparemos que quem quer que se interesse por maná poderá encontrá-lo na lista de exportações da península do Sinai". (...)

(...) "O fenômeno do maná é um exemplo verdadeiramente clássico de como certas idéias e conceitos preconcebidos se mantêm por vezes obstinadamente através das gerações e como é difícil fazer prevalecer a verdade".

(...) "O dito pão do céu cai pela manhã, ao amanhecer, exatamente como o orvalho ou a geada, e pende como gotas na erva, nas pedras e nos ramos das árvores. É doce como o mel e gruda aos dentes quando se come...".

(...) "o famoso maná não era outra coisa senão uma secreção das árvores e arbustos da tamargueira, quando picados por uma espécie de cochonilha característica do Sinai".

(...) "Esses pequenos insetos vivem sobretudo nas mencionadas tamargueiras, nativas do Sinai, que pertencer às acácias" (1).

Sem água para saciar a sua sede, novamente, o povo hebreu reclama a Moisés que, inspirado por Deus, toca num rochedo, fazendo jorrar água pura. "Nessa aflição Moisés teve de tomar da sua vara e ferir um rochedo para fazer brotar água (Êxodo 17.6), o que é considerado completamente inconcebível pelos céticos e por outros, embora, também nesse caso, a Bíblia apenas descreva um fato natural".

(...) "Um de seus golpes atingiu a rocha. A superfície lista e dura que se forma sempre sobre a pedra calcária exposta ao tempo rompeu-se e caiu. Com isso ficou exposta a rocha mole embaixo, e de seus poros brotou um grande jorro de água"(1).

Após os quarenta anos no deserto, finalmente o povo consegue sair chegando às margens do Rio Jordão, que também se divide em dois montes. "De fato, é isso o que acontece também no caso em questão; a mais notável dessas repetições é a referente ao "milagre da travessia do mar" (Êxodo 14), contada na "miraculosa passagem do Jordão" (Josué 3, 4 a 17)".

(...) "Quando Israel chegou ao Jordão, o rio estava cheio". ... "El Damiyeh, um vau muito usado no curso médio, lembra esse sítio de Adom. Se as águas crescerem subitamente, poderá se formar nesse lugar raso, durante um breve período, uma espécie de açude natural, enquanto o curso inferior se mantém quase inteiramente seco".

"Entretanto, o represamento da água do Jordão, que tem sido testemunhado diversas vezes, é devido sobretudo a terremoto. O último dessa espécie aconteceu em 1927. Devido a um violento abalo desmoronaram-se as margens do rio, e grandes massas de terra das pequenas colinas que se erguem ao longo de todo o curso serpeante rolam para o rio. A água ficou inteiramente represada durante vinte e uma horas" (1).

Atravessando o rio Jordão chegaram à cidade de Jericó. "As casas mais antigas de Jericó têm sete mil anos e lembram ainda, com seus muros circulares, as tendas dos nômades".

"Foram postas a descoberto duas muralhas concêntricas, sendo a interna ao redor da crista da colina. Trata-se de uma obra-prima de fortificação estratégica, feita de tijolos secos ao sol e constituída de dois muros paralelos três a quatro metros distantes um do outro. A muralha interna, que é particularmente maciça, mede três metros e meio de espessura. O cinturão externo passa pelo fundo da colina e consiste num muro de dois metros de largura e de oito a dez de altura, com sólidos alicerces. Tais são as célebres muralhas de Jericó!"

(...) "Segundo os achados, durante a Idade do Bronze, as célebres muralhas foram reconstruídas nada menos que dezessete vezes; sempre tornaram a ser destruídas, ou por terremotos, ou pela erosão. Quem sabe, essa pouca resistência das muralhas teve sua ressonância na lenda transmitida pela Bíblia, que conta como os filhos de Israel somente tiveram de soltar seus brados de guerra e fazer soar suas trombetas para conquistar Jericó. A cidade de meados de Idade do Bronze, surgiu nos tempos dos hicsos, aos quais acompanhou no seu ocaso, por volta de 150 a.C. Em seguida, Jericó deixou de ser habitada, durante aproximadamente um século e meio". ... "Se, de fato, somente na época da "tomada de terra", ou seja, em meados ou fins do século XIII a.C., os israelitas alcançaram Jericó, então nem precisavam conquistá-la, pois ela já havia sido abandonada por seus habitantes! Somente no século IX a.C, no reinado de Acab, Jericó tornou a ser reedificada (Reis 16.34)".

Temos, também, Josué fazendo o sol ficar parado no meio do céu, e um dia inteiro ficou sem ocaso. Interessante, que tal fato extraordinário não foi registrado por nenhum outro povo da terra, já que essa ocorrência iria refletir na Terra inteira. E, mais, como esse fenômeno não causou nenhuma desordem no universo.

Outro fenômeno ocorrido com o sol, foi quando, por invocação de Isaías, Deus faz a sombra do sol recuar dez degraus da escada do quarto superior da casa de Acaz. Como no primeiro, também não foi registrado por nenhum povo. A sombra voltar para trás poderia ser por que o próprio sol retornou em sua órbita? Se isso for verdadeiro, esse fato seria impossível de acontecer sem que causasse um verdadeiro caos no universo.

Muitas outras coisas existem na Bíblia, que querem passar por milagres. Mas, "é verdade que existem fábulas na Bíblia, puras fábulas como a história do feiticeiro Balaão e a jumenta falante (Números 22), a história de Jonas, que foi engolido por um grande peixe (Jonas 2), ou a história de Sansão, a quem dava força a cabeleira longa (Juízes 13 a 16)" (1).

Especificamente quanto a história de Jonas, sabemos que a baleia é um peixe cuja garganta é muito pequena, por isso sua alimentação é de peixes pequenos, um homem não caberia nela. E, esquecendo-se, por um momento, que isso é um absurdo, como um ser humano conseguiria viver dentro de uma baleia por três dias e três noites sem se alimentar?

Narra Mateus que Jesus caminhou sobre o mar. Ora, isso bem que poderia ser um fenômeno de levitação, reconhecido hoje pela Parapsicologia.

Encontramos também Jesus realizando ressurreições, entretanto, podemos, pelo conhecimento atual da medicina, identificar casos de catalepsia ou letargia em que a pessoa toma toda a aparência de morta. Devemos ressaltar que no caso da filha de Jairo, Jesus disse que a menina não estava morta, apenas dormia.

Podemos, para efeito deste estudo, buscar a definição teológica de milagre como uma manifestação da presença de Deus, caracterizada, sobretudo por uma alteração repentina e insólita dos determinismos naturais, ou seja, revogação de alguma lei natural.

Mas, aceitando esse conceito iremos esbarrar num absurdo teológico, pois, se Deus revogar algo que Ele tenha criado, pressupõe que Ele não tenha criado perfeito, se não criou prefeito, então não seria Deus.

Pelo que colocamos no início, podemos deduzir que tudo que consta da Bíblia como milagre, ou são fenômenos de ordem natural ou são fatos simbólicos interpretados ao pé da letra.

Milagre seria uma ocorrência de ordem natural, sobre a qual o homem não tem a mínima noção de como, quando, e em que circunstância possa ocorrer, porém, nada foge das leis da natureza.

Antigamente, quando da colonização dos índios, o homem branco lhes oferecia bugigangas, entre elas, espelhos. Como o índio nunca tinha visto tal objeto, ficava encantado em se ver num pedaço de vidro, deveria pensar até que isso era puro "milagre". É o que querem fazer conosco ao apresentar algumas ocorrências para as quais ainda não se encontrou a explicação científica, como por exemplo, corpos de santos incorruptos como prova de que Deus tenha escolhido a essa corrente religiosa para se manifestar. Como se Ele não considerasse ninguém mais do que os que seguem essa corrente, contrariando "Deus não faz acepção de pessoas".

Contam, que determinado bandeirante diante de uma tribo indígena, atirou para o alto com sua espingarda, daquela boca de sino. Incontinênti os índios abaixaram em reverência, pois imaginavam que aquele homem era um Deus, já que conseguia tirar fogo de um pau. Muitos de nós ainda se comportam como esses índios que, por não conhecer uma arma de fogo, imaginaram que aquilo era um pedaço de pau.

Respondendo, agora, à pergunta inicial, diremos que não. Os milagres não existem. O que existe é nossa ignorância a respeito das leis que regem certos fenômenos. Leis, diga-se de passagem, divinas, que nunca vimos serem derrogadas por motivo algum.

 

 

 

 

 

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(1) e a Bíblia tinha razão..., Werner Keller, tradução de João Távora - Cia Melhoramentos de São Paulo, SP, 22ª edição 2000.

(2) SUPER Interessante, edição 178, julho 2002.

 

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publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 02:37

Quarta-feira, 24 de Março de 2010

Em relatos provenientes das mais antigas civilizações conhecidas ou nas comunicações mais recentes de médiuns, espíritas ou não, a presença de cidades maravilhosas tem sido uma constante, assim como o contato com os seres que nelas habitam e que trabalham pelo bem da humanidade.

Os sábios e místicos das mais antigas civilizações da Terra já afirmavam que nosso mundo não era exatamente o que se pensava. Ou melhor, que ele era composto por camadas diferenciadas de realidades, nem todas imediatamente visíveis ou perceptíveis para todas as pessoas. Sob determinadas circunstâncias, alguns indivíduos atingiam a capacidade de obter percepções mais ou menos nítidas dessas outras camadas de realidade que, de certa forma, circundavam o planeta.

Mais que isso: essas realidades paralelas à nossa estavam habitadas por entidades. Algumas eram vistas como sendo quase deuses, outras, como quase humanas. Todas poderiam, mais uma vez sob determinadas circunstâncias, entrar em contato com o nosso nível de realidade, transmitindo informações ou apenas tentando contatar com uma realidade da qual ainda não haviam se libertado completamente.

Essa sabedoria antiga foi transformada na base de muitas crenças religiosas, algumas das quais existem ainda hoje. Isso era uma realidade na Índia antiga como o é hoje. As referências à existência de um “mundo invisível”, encoberto dos simples mortais pelo “véu de Maya”, são constantes na religiosidade hindu. Hoje em dia, noções como essa fazem parte da especulação científica – ainda que muito pouco comentadas abertamente –, especialmente na concepção dos chamados universos ou dimensões paralelas. Uma constante na literatura de ficção científica, a noção de existências paralelas à nossa se desenvolveu principalmente a partir de alguns aspectos da teoria quântica, os quais estão sendo cada vez mais seriamente considerados no meio científico.

Outras Dimensões

São justamente os contatos com essas outras dimensões que, ao longo de milhares de anos, têm surgido como o centro de alguns dos maiores mistérios das religiões e crenças místicas da humanidade. Mais do que apenas relatar vislumbres de outras realidades, os relatos desses contatos fazem referências claras à existência de locais muito reais – às vezes, cidades, outras vezes, países ou terras maravilhosas.

Para alguns, Shamballah e Agartha seriam exemplos de cidades situadas numa das inúmeras dimensões paralelas, ainda que as lendas também se refiram a elas como sendo cidades subterrâneas. Esses relatos ou lendas –como preferem os cientistas – devem estar entre os mais antigos do planeta, formando a base de inúmeras crenças hindus e tibetanas. Na verdade, contos fantásticos sobre cidades subterrâneas ou em outras dimensões apareceram ainda recentemente, aqui mesmo no Brasil.

Seja como for, parece que o contato com esses locais – e com os seres que neles vivem – sempre esteve um tanto restrito, seja a pessoas com um desenvolvimento espiritual mais aprimorado, seja a pessoas com capacidades psíquicas mais desenvolvidas. Em alguns casos, como no antigo Egito, as maravilhosas terras do Além só podiam ser acessadas pelos espíritos dos mortos, e eram vistas como verdadeiros países, com tudo o que a existência material proporcionava.

As informações vêm sendo fornecidas tanto pelo contato direto com essas realidades, como por meio de contatos entre os seres que nelas habitam e os encarnados na Terra, como ocorre hoje em dia com os médiuns.

Algumas crenças já se referiram à existência de sete planos ou níveis diferentes de realidade, cada qual um pouco mais afastado de nosso plano imediato. Assim, quanto mais distante se encontrasse o plano, mais difícil seria o contato. Os fantasmas, por exemplo, seriam os seres que ainda estariam num plano muito próximo à Terra, presos à realidade material e enfrentando dificuldades para se livrarem da existência anterior e realizar a passagem aos níveis mais elevados ou planos superiores.

Diferentes Contatos

Se fôssemos nos concentrar apenas na especulação científica, não haveria motivo para citar apenas sete planos dimensionais: o número de dimensões paralelas possíveis, na verdade, poderia ser infinito.

Alguns estudiosos do assunto, ligados às mais variadas crenças e religiões, têm dito que, ultimamente, tem se tornado mais fácil acessar os níveis mais imediatos. Alguns chegam a dizer que está ocorrendo uma aproximação entre o plano material e o plano espiritual que se encontra mais perto da Terra, como se eles estivessem se mesclando. Essa seria a razão do número crescente de contatos, seja por meio de mensagens psicografadas, seja por meio das chamadas canalizações, ou mesmo por contatos diretos em projeções astrais que permitiriam aos indivíduos encarnados atingir esses níveis superiores.

É verdade que as informações e mensagens desses contatos estão cada vez mais complexas e, certamente, mais confusas, uma vez que as comunicações têm sido atribuídas não apenas a espíritos, mas também a seres extraterrestres, que estariam vivendo numa dessas dimensões paralelas e trabalhando em conjunto com os espíritos mais avançados.

Para falar o mínimo, é uma questão cabeluda. Há quem diga que os contatos com extraterrestres não devem ser confundidos com os contatos espirituais; outros afirmam que é tudo a mesma coisa, ou seja, que as mensagens atribuídas aos extraterrestres estão sendo mal interpretadas, e que na verdade são contatos com espíritos; outros, ainda, garantem que os extraterrestres que se comunicam com médiuns são seres de uma espiritualidade elevada, e que atuam nos planos espirituais com a mesma facilidade com que atuam no plano físico.

Parece que o assunto tem sido menos discutido do que deveria, afinal, o próprio Kardec se referiu à existência de vida em outros planetas, em diferentes estágios evolutivos e de espiritualidade. As psicografias de Chico Xavier também se referem a seres de outros planetas, de modo que nada mais natural do que discutir essa questão de forma mais ampla, estendendo o tema à possível presença espiritual de seres extraterrestres.

Cidades Dimensionais

Seja qual for o rumo que se dê às investigações e especulações, o tema das cidades espirituais, ou dimensionais, se preferirem, é apaixonante. E, se entendermos como correta a afirmação de que os mundos espirituais se encontram mais próximos do material do que nunca, não é de se estranhar que os relatos a seu respeito apresentem imagens cada vez mais nítidas. Nesse sentido, não resta dúvida de que as comunicações de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier, ainda se encontram entre as mais complexas e nítidas de que se tem notícia. A riqueza de detalhes sobre as cidades espirituais tem chamado a atenção de muitas pessoas, mesmo daquelas que não seguem o espiritismo, mas que entendem como necessária uma aproximação entre os diferentes pontos de vista, filosofias ou crenças.

Quais seriam, por exemplo, os pontos em comum entre as narrativas do espírito André Luiz a respeito do Nosso Lar, e outras visões de possíveis dimensões paralelas à nossa, encontradas em várias partes do planeta? Para alguns pesquisadores de fenômenos insólitos verificados em nosso planeta, os contatos com outras dimensões de existência são uma realidade. Mais que isso: alguns afirmam que existem pontos específicos na Terra que, de certa maneira, formam passagens entre essas dimensões, passagens que podem ser mais ou menos evidenciadas. Existem relatos de cidades maravilhosas que, em determinados momentos, podem ser vislumbradas em alguns locais do planeta; isso teria sido verificado no deserto do Arizona e também na Antártida. Fala-se de ilhas que surgem misteriosamente no oceano, para desaparecerem em seguida, como se uma porta tivesse sido aberta e, em seguida, novamente fechada, apenas deixando-nos ter uma leve percepção de outra realidade. E muitos mais.

O mais interessante de tudo isso pode estar nos pontos em comum entre as diferentes narrativas. Por exemplo, algumas pessoas entendem que as orações funcionam como uma espécie de ferramenta para se atingir outros níveis ou, utilizando-se outro tipo de linguagem, “abrir uma passagem” para outra dimensão. De forma semelhante, alguns contatados por extraterrestres falam a respeito da elevação do nível vibratório como meio para se atingir um plano superior e receber mensagens desses seres; fala-se que os mantras indianos igualmente permitiriam, em determinadas ocasiões, o acesso a dimensões superiores, vislumbrando assim uma parte do mundo normalmente invisível; os que realizam projeções ou viagens astrais também se referem a uma série de atitudes ou atividades de relaxamento e concentração, a partir das quais poderiam acessar outras realidades.

As noções se complementam, confundem-se, mas, seja como for, podem ser a indicação de um caminho único em direção a uma compreensão maior dos mundos invisíveis que nos cercam. É claro, desde que sejam examinadas com isenção e sem preconceitos.

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publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 00:22

Terça-feira, 23 de Março de 2010

 

Ainda não foi possível comprovar a reencarnação através das impressões digitais, mas a excelente idéia já está sendo aproveitada por João Alberto Fiorini e, em breve, é possível que tenhamos novidades nesse campo.

As técnicas para se investigar e comprovar possíveis casos de reencarnação já são conhecidas no meio espírita. Nos últimos anos, João Alberto Fiorini, delegado de polícia atuando na Agência de Inteligência do Paraná, vem desenvolvendo um novo método. Especialista em impressões digitais, ele entende que é possível confirmar um caso de reencarnação utilizando essa forma de pesquisa científica.

Esse caminho começou a ser seguido em 1999. Na época, João Alberto se recuperava de uma cirurgia realizada em São Paulo, e teve a oportunidade de ler um artigo publicado num jornal em 1935, escrito por Carlos Bernardo Loureiro. A matéria foi reproduzida no jornal da Federação Espírita do Estado de São Paulo, e se referia a um menino que tinha a mesma impressão digital de um homem que já havia falecido há dez ou quinze anos. O autor da matéria era um dos grandes estudiosos do assunto, na época, e gostava de comparar impressões digitais.

Fiorini sabia que não é possível existirem duas impressões digitais iguais, mas ainda assim, ele levou a história a sério e resolveu estudar mais: fazer uma pesquisa para saber se não haveria qualquer possibilidade de se encontrar duas impressões iguais. “Eu já era espírita”, explica João Alberto, “mas ainda não tinha feito qualquer pesquisa científica. A partir daí, comecei a fazer um estudo profundo sobre impressões digitais, pesquisando tudo o que poderia existir em livros brasileiros e norte-americanos, na área da Medicina.”

A pesquisa levou-o a conversar com membros do conselho de dermatologia do Paraná e a conhecer o trabalho do dr. Agnaldo Gonçalves, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Assim, ficou sabendo por que as pessoas têm impressões digitais, impressões palmares e as linhas nas mãos e nos pés. Em seu livro Anais Brasileiros de Dermatologia, o dr. Gonçalves diz que os desenhos formados nas mãos e pés estariam ligados à genética, variando de mão para mão, de raça e de sexo. “Se você verificar as impressões digitais das mulheres”, informa Fiorini, “vai ver que elas têm uma tendência maior à presilha, que é um tipo específico de desenho”. Mas uma parte da formação dessas linhas – e não se sabe ao certo o quanto –, pode estar relacionada aos movimentos do feto no útero. Mesmo no caso dos gêmeos univitelinos, as impressões digitais são diferentes.

Pesquisas

Seguindo uma pesquisa realizada anteriormente em Cambridge, Inglaterra, Fiorini também observou as digitais de homossexuais. O estudo inglês havia mostrado que os homossexuais apresentavam características de impressões no polegar direito que se aproximavam das características femininas. Com uma pesquisa realizada principalmente com travestis, o pesquisador brasileiro comprovou que as digitais apresentavam a presilha de uma digital feminina, conhecimento que serviu de base para seus estudos posteriores.

O normal é que os homens não apresentem a presilha, mas sim, o verticilo, outro tipo de desenho. Então, ele se perguntou, por que os homossexuais não teriam o verticilo. A situação não fazia muito sentido, cientificamente falando. Ele também observou as digitais de mulheres criminosas, que deveriam apresentar presilha. Mas, ao estudar os sinais, percebeu que a incidência maior era de verticilo, a característica masculina. “Isso me surpreendeu muito”, diz Fiorini, “e comecei a ver nas impressões digitais algo a que as pessoas não deram muita importância, como se não tivesse interesse científico.”

Vendo pelo lado espiritual, explica Fiorini, uma pessoa, ao desencarnar, fica de 0 a 250 anos no plano espiritual. Em outras palavras, ela tanto pode reencarnar rapidamente, quanto pode demorar um tempo mais longo; mas o mais comum é que essa reencarnação ocorra dentro de um período de 40 a 70 anos. Se imaginarmos que uma mulher morre e retorna rapidamente, em mais ou menos dois anos, porém ocupando o corpo de um homem, ela virá então trazendo ainda as características femininas. Assim, segundo João Alberto, a questão envolvendo a homossexualidade nada tem a ver com desvio de personalidade, como muitas pessoas ainda insistem em dizer, mas está relacionada com a vida anterior e com o fato da reencarnação ocorrer muito próxima. “Eu cheguei a essa conclusão”, ele conta. “Eu sou o único que está levando a pesquisa para esse lado. O dr. Hernani (Guimarães Andrade) também já pesquisou, mas ele fala apenas do tempo de intermissão. Eu vou além, entendendo que essas impressões digitais não se alteram quando o espírito reencarna.”

Metodologia

A seqüência lógica dos estudos e pesquisas do dr. João Alberto Fiorini foi entrar em contato com o dr. Hernani Guimarães Andrade, presidente do Instituto de Pesquisas Psicobiofísicas, em Bauru, São Paulo, a quem Fiorini considera um dos maiores cientistas do mundo em assuntos de reencarnação. Ele também é um nome muito respeitado por parapsicólogos, não apenas do Brasil, mas de todo o mundo.

Outro ponto de apoio para suas investigações foi o exaustivo trabalho do dr. Ian Stevenson, que já investigou mais de três mil possíveis casos de reencarnação, baseando-se em depoimentos de crianças. Stevenson, de reputação internacional, começou a coletar depoimentos de crianças de todas as partes do mundo, sempre que elas se referiam à sua existência numa encarnação anterior. Stevenson e sua equipe coletavam esses depoimentos, arrumavam as informações que as crianças forneciam sobre suas possíveis vidas passadas, e iam ao local em que elas teriam vivido para comprovar ou não essas informações. Os resultados obtidos foram tão impressionantes que grande parte da comunidade científica ficou abalada em suas convicções e noções, até então restritas sobre o tema reencarnação.

A pergunta que Fiorini fez ao dr. Hernani foi se era possível um espírito retornar com a mesma digital. Ele respondeu que acreditava ser possível; se a pessoa volta com marcas, sinais, cicatrizes, deformações e até mesmo doenças, por que não com as mesmas impressões digitais? Conversando com ele, estabeleceu um método de pesquisa que consiste em procurar crianças, geralmente entre os dois e quatro anos de idade, que tenham o costume de afirmar que viveram em outro lugar, em outra época, que tiveram determinado tipo de ações ou conheceram certas pessoas. Isso ocorre pelo fato do perispírito dessas crianças não estar acoplado ao corpo somático, adaptação que só irá ocorrer aos sete anos. Se o tempo de intermissão for muito curto – geralmente, no Brasil, essa reencarnação se dá de dois até oito anos – essas crianças começam a falar sobre suas vidas passadas. Assim, é possível coletar essas informações, da mesma forma como foi feito pelo dr. Ian Stevenson, e procurar os locais e pessoas aos quais elas se referiram. Se a pessoa em questão tiver registrada uma impressão digital, é possível então fazer a comparação desejada.

Pesquisa de Campo

Fiorini está, agora, partindo para a investigação de casos aos quais tenha acesso. Ele diz que solicitou ao dr. Hernani que lhe fornecesse dados de casos de reencarnação que ele já tivesse pesquisado, mas por questões éticas, ele não pôde fornecê-los,  aconselhando-o a procurar estudar novos casos.

Assim, quando esteve em São Paulo para participar do programa Espiritismo Via Satélite, João Alberto pediu que as mães que percebessem seus filhos falando sobre vidas passadas entrassem em contato com ele para que a investigação apropriada pudesse ser realizada. A idéia é que não se desprezem as coisas que as crianças digam, mesmo que pareça não ter muito sentido ou ser apenas produto da imaginação, anotando tudo num papel.

“Chegaram muitas cartas”, explica Fiorini, comentando o resultado de sua participação no programa, e está dando seqüência às investigações. Ele ainda não atingiu seu objetivo na pesquisa científica das impressões digitais ligadas à reencarnação, mas acredita que em breve deverá ter novidades.

É claro que a comprovação de reencarnações também pode ser feita através de outros testes, como o exame grafotécnico, comparando-se a caligrafia da criança com a da pessoa que ela possivelmente teria sido na vida anterior. Da mesma forma com os exames médicos, ou seja, se uma pessoa morre subitamente, assassinada ou em desastres, ela reencarna com determinadas marcas e cicatrizes relacionadas ao evento em questão. O problema é que essas marcas vão desaparecendo com o tempo, de modo que a pesquisa tem de ser feita o quanto antes, enquanto as evidências estão mais nítidas.

Com tudo isso em mente, João Alberto Fiorini está dando seqüência ao seu trabalho de pesquisa e investigação, ao mesmo tempo em que prepara seu livro sobre o assunto. “O meu livro vai ensinar as pessoas a investigar a reencarnação, como uma receita”, ele explica, entendendo que, se um número maior de pessoas se dispuser a tornar públicas as informações nessa área, a pesquisa será  facilitada. Seria um livro para mostrar às mães, aos médicos e às pessoas que estejam intimamente ligadas a crianças de 0 a 7 anos de idade, como proceder nos casos citados, coletando o maior número de dados possíveis e anotando tudo o que a criança falar sobre uma possível vida passada, da mesma forma que foi feito na pesquisa do dr. Ian Stevenson e em outros estudos realizados na Índia.

Ainda é grande o número de pessoas que se sente constrangida em falar sobre o tema reencarnação, de modo que nem sempre é muito fácil encontrar quem fale abertamente sobre isso. Além disso, ainda existe o medo do sensacionalismo que alguns veículos promovem em torno de assuntos dessa natureza, afastando ainda mais as pessoas que desejam pesquisar seriamente a reencarnação.

Tendo em mãos as informações obtidas das crianças, Fiorini pode partir para a investigação propriamente dita, levantando os dados e fazendo as comparações. E, com um pouco de sorte, conseguindo fazer a avaliação das diferentes impressões digitais.

Assim, quem tiver qualquer relato sobre possíveis reencarnações, pode enviar para a revista Espiritismo & Ciência. Todo e qualquer relato será confidencial e repassado imediatamente para o delegado dr. João Alberto Fiorini, que realizará as investigações necessárias.

Os relatos podem ser enviados para:

Espiritismo & Ciência
Redação
Rua Andrade Fernandes, 283
São Paulo – SP
05449-050

Investigação em Ribeirão Preto

Recentemente, João Alberto Fiorini esteve em Ribeirão Preto para ver de perto um caso envolvendo um garoto de cerca de oito anos, e que já havia sido relatado pela avó dele na revista Visão Espírita. Quando a criança tinha apenas três anos de idade, começou a fazer declarações espantosas, exatamente da forma como costuma acontecer com as crianças que se lembram de vidas passadas. Numa dessas declarações, ele disse à avó que, quando ele era grande e ela era pequenina, ele era seu pai. Dias depois, quando a avó esquentava o leite para ele, ele voltou a tocar no assunto, dizendo que quando ela era pequena, ele é que esquentava o leite para ela.

Em outras declarações, disse que, na outra vida, ele tocava numa orquestra e morava num sobrado; também se lembrou que morava numa fazenda, e descreveu o lugar com detalhes. Quando a avó perguntou se ele tinha visto aquilo na televisão, ele disse que estava se lembrando de outra vida.

As lembranças foram ficando escassas à medida que o garoto crescia, como Fiorini diz que costuma ocorrer com todas as crianças. É como se, aos poucos, elas fossem se esquecendo das vidas anteriores e de sua passagem pelo mundo espiritual, do qual aquele menino de Ribeirão Preto também tinha lembranças e contava algumas passagens.

Diz-se que, em 1999, no período em que as lembranças já eram mais raras, ele ouviu algumas palavras em espanhol e sabia o seu significado, como também conhecia o inglês. Ele disse que, se sabia espanhol e inglês, era porque já tinha vivido na Espanha e nos Estados Unidos.

Uma linha de pesquisa possível com relação à sua suposta vida anterior está ligada ao seu medo irracional das explosões de fogos de artifício, e a manchas escuras que ele apresenta nas pernas, que ficaram mais visíveis aos três anos de idade. A explicação do próprio menino é que, em outra vida, ele lutou numa guerra e levou tiros nas pernas; segundo ele, na guerra de 1968. Como ele conhecia muito bem o inglês e se referiu a uma guerra ocorrida em 1968, imediatamente a avó imaginou que ele pudesse estar se referindo ao Vietnã.

Fiorini tentou obter mais alguns dados que pudessem ajudá-lo a confirmar as informações obtidas através dos testes das digitais, mas não foi possível. Dos parentes aos quais o menino se referiu, não existem documentos que possam ser utilizados. E do possível jovem que lutou no Vietnã, é quase impossível saber alguma coisa sem dados mais concretos.

Ainda assim, é um bom registro, nos moldes do que foi feito pelo dr. Ian Stevenson, com informações sendo coletadas antes que a criança perdesse totalmente a lembrança dessas vidas anteriores, o que já está acontecendo.

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publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 02:20

Segunda-feira, 22 de Março de 2010

 

 
 
         Já é do conhecimento de muitas pessoas que a Bíblia que é a regra de fé da cristandade, e traz muita coisa que até os dias de hoje são mal compreendidas, via de regra por aqueles que vivem com este livro histórico em punho, que é um patrimônio da humanidade, mas não pertence a este ou aquele credo, pois surgiu antes mesmo do cristianismo. Entretanto não devemos idolatrá-lo, não que não seja merecido, mas é desnecessário. A saber, existem outros livros tidos como sagrados que merecem todo o nosso respeito.
         O que se prega hoje em dia no cristianismo é como se a Bíblia fosse o único e exclusivo livro sagrado do mundo, mas em outras culturas também os seus livros sagrados de acordo com sua religião, todavia para nós os cristãos, temos algumas linhas de fé que só aceitam a salvação se for de acordo com os princípios criados por eles mesmos.
Pensando assim só podemos perguntar para essas pessoas que pensam que Deus é o chefe do seu partido que e os seguidores de outras filosofias religiosas estão perdidos por não aceitarem a Bíblia como regra de fé e prática?
        Isso é um grande preconceito, pois se na própria Bíblia lemos que “Deus não faz acepção de pessoas”, esta claro que para ser salvo independe da religião, isso para aquelas doutrinas que pregam a salvação, o que não é o caso dos reecarnacionistas.
Em alguns seguimentos orientais não se prega a doutrina do Cristo, mas percebemos uma similaridade em seus conceitos, sendo a lei divina perfeita, forçosa é ser universalista e isso quer dizer lei universal e não lei terrena ou religiosa, o que dá uma outra conotação.
Parece-nos, que aqueles que pregam a “Palavra de Deus”, pensam que Deus é o Deus da terra, desconsiderando o universo como um todo, e se Jesus disse “Há muitas moradas na casa de meu pai” e se Deus é onipresente, então ele habita em todo universo infinito, logo as muitas moradas só podem ser os milhares de mundos habitados que compõe a família universal.
       Segundo os dogmáticos que pregam aquele Deus terreno com concepções humanas, não se dão conta que nada somos em relação ao universo infinito, desconsiderando inclusive a existência dos seres inteligentes que habitam o cosmo.
Todas as religiões têm uma parcela de verdade, mas nenhuma pode afirmar que seja a perfeita ou exclusiva de Deus, pois a maioria foi criada segundo o entendimento do homem, e como somos imperfeitos, não podemos intitular donos da verdade, pois esta, pertence somente a Deus.
     Doutrinas mais que ultrapassadas tem muitas, mas tudo tem um motivo de ser, todavia não passam de um minúsculo pensamento, uma idéia em relação ao Criador universal que esta muito acima de qualquer filosofia ou religião
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publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 03:46

Domingo, 21 de Março de 2010

Têm-se desenvolvido, desde muito tempo, a idéia que o homem só tem uma vida, quer dizer, só vive apenas uma vez. Não sabemos quando e como isso se iniciou, presumimos que seja por causa da narrativa bíblica sobre a criação do homem, onde se diz que Deus após ter modelado o barro dá a ele o sopro vital.

Até a pouco tempo atrás se pensava que o Espírito era ligado ao corpo das crianças no exato momento em que o recém-nascido "via" a luz, quando saia do ventre materno. Via está entre aspas, pois na verdade não via nada, pois nascia de olhos fechados, diferente das crianças de hoje que já nascem de olhos abertos. Ninguém se preocupava com a existência do espírito antes disso.

Mantendo essa visão, ou seja, de aceitarmos que o espírito é ligado ao corpo no momento do nascimento, devemos convir que Deus estaria se subordinando aos homens para a criação de Espíritos, pois somente após o clímax de se cumprir a vontade de um casal de ter filhos, é que Deus poderia entrar com a criação do Espírito.

O homem moderno, avançando em sua percepção da realidade espiritual, está conseguindo perceber um pouco mais além do que os seus antepassados. Nos consultórios médicos, especialmente os ginecológicos, as gestantes são instruídas pelo seu facultativo a conversarem com os fetos muito antes do dia em que eles irão ver a luz. No início mesmo da gestação já é passada essa orientação. Isso tem contribuído sobremaneira para que os espíritos, em vias de reencarnarem, sintam-se amados e desejados, o que promove uma vida de relacionamento familiar mais harmonioso, notadamente entre pais e filhos.

Entretanto, ainda não se conseguiu desvendar o grande "mistério" de que, muito antes da concepção, o espírito já existia. Estamos falando da preexistência do Espírito, aceita por muitas filosofias religiosas, mas ainda não incorporada às religiões cristãs tradicionais. Sabemos que as mudanças não são fáceis, pois deixar valores antigos para absorver novos não é coisa tão fácil assim, já que sempre nos agarramos às nossas convicções anteriores, pouco nos importando se são verdadeiras ou não.

Podemos notar isso nos obstinados fariseus, que ficavam perplexos, diante dos ensinamentos de Jesus, mas não abriam mão em seguir a Moisés, até que, num dado momento, o Mestre desmascarando-os diz: "Não se coloca remendo de pano novo em pano velho, nem vinho novo em odres velhos" (Mateus 9, 16-17).

Mas, por incrível que pareça, encontramos a percepção da preexistência até no Antigo Testamento, escrito a aproximadamente mil e novecentos anos atrás. Como exemplo, vejamos as seguintes passagens, onde claro fica essa questão:

1) Tobias 6, 18: Antes de se unir a ela, levantem-se os dois e rezem, pedindo ao Senhor do céu que tenha misericórdia e proteja vocês. Não tenha medo. Ela foi destinada a você desde a eternidade, e você é quem vai salvá-la.

Se a moça foi destinada a Tobias deste a eternidade, é porque ambos existiam desde a eternidade. Por eternidade devemos entender um tempo muito longo, sem que saibamos precisar a sua duração certa, já que de toda a eternidade somente existe Deus.

2) Salmos 51, 7: Eis que eu nasci na culpa, e minha mãe já me concebeu pecador.

Como alguém pode nascer pecador se não teve uma vida anterior onde teria pecado? Não venham com essa ridícula afirmação de que nascemos em pecado original. Temos dito que realmente ele é muito original só isso, mas não se coaduna com a justiça divina, até mesmo porque também está escrito: "O filho nunca será responsável pelo pecado do pai, nem o pai será culpado pelo pecado do filho" (Ez 18, 20, ver tb Dt 24, 16).

3) Sabedoria 8, 19: Eu era um jovem de boas qualidades e tive a sorte de ter uma boa alma, ou melhor, sendo bom, vim a um corpo sem mancha.

Aqui, além de estar bastante evidente a preexistência da alma, ainda encontramos a questão do carma. Carma? Isso mesmo, já que o jovem veio num corpo sem mancha porque era um espírito bom (boa alma). E para quem se apressar em dizer que na Bíblia não existe esse pensamento, acrescentamos: "Se alguém ferir o seu próximo, deverá ser feito para ele aquilo que ele fez para o outro: fratura por fratura, olho por olho, dente por dente. A pessoa sofrerá o mesmo dano que tiver causado a outro" (Lv 24, 20). Algumas vezes Jesus diz, ainda que possamos entender como veladamente, sobre o carma, quando fala "a cada um segundo suas obras" (Mt 16, 27), outras, mais preciso de modo a não deixar dúvida, quando afirma a um homem, que esteve doente por 38 anos, ao encontrá-lo no templo: "Você ficou curado. Não peque de novo, para que não lhe aconteça alguma coisa pior" (Jo 5, 14). Para não ficar só nisso, vamos encontrar Paulo dizendo: "cada um colherá aquilo que tiver semeado", claramente está afirmando essa lei divina inexorável que faz com que soframos o mesmo mal que fizermos os outros sofrerem.

4) Jeremias 1, 4-5: Recebi a palavra de Javé que me dizia: "Antes de formar você no ventre de sua mãe, eu o conheci; antes que você fosse dado à luz eu o consagrei, para fazer de você profeta das nações".

Se antes de formar no ventre da mãe Deus já o conhecia, é porque, não tenhamos dúvida, que ele existia como Espírito antes do seu corpo ser formado.

Vejamos o que diz o teólogo e escritor José Reis Chaves, em "A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência", a respeito de Orígenes, considerado um dos pais da Igreja Católica:

Em 543, Justiniano publicou um édito, em que expunha e condenava as principais idéias de Orígenes, sendo uma delas a da preexistência.

Em seguida à publicação do citado édito, Justiniano determinou ao patriarca Menos de Constantinopla que convocasse um sínodo, convidando os bispos para que votassem em seu édito, condenando dez anátemas dele constantes e atribuídos a Orígenes.

A principal cláusula ou anátema que nos interessa é a da condenação da preexistência que, em síntese, é a seguinte: "Quem sustentar mítica crença na preexistência da alma e a opinião, conseqüentemente estranha, de sua volta, seja anátema".

Então, podemos ver, que a questão da preexistência da alma foi abolida por decreto, que, apesar de sua evidência bíblica, ainda teve o beneplácito dos bispos católicos. São os que sempre se consideram os "donos da verdade" é que buscam de todas as formas combater tudo que não vai ao encontro de suas próprias idéias, pouco importando se estão com a razão ou não. O tempo e o progresso inevitável do ser humano, que cada vez mais se torna exigente na questão da razão e lógica, deverá fazer com que essa verdade seja restabelecida, mesmo que isso vá contrariar a uns e outros.

Out/2002.

Bibliografia: "A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência", José Reis Chaves, Ed. Martin Claret, 5ª edição e "Bíblia Sagrada", Edição Pastoral, Paulus, 43ª edição, 2001.

publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 16:50

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Excelente texto. Parabéns!
É como você mesmo colocou no subtítulo do seu blog...
Ok, Sergio.O seu e-amil é só esse: oigres.ribeiro@...
Ok, desejaria sim.
Ola, Sérgio.Gotaria de lhe fazer um convite:Gostar...
Obrigado e abraços.
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Ola, Sérgio.Gostei de sua postagem, mas gostaria s...
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