TODO AQUELE QUE CRÊ NUM DOGMA, ABDICA COMPLETAMENTE DE SUAS FACULDADES. MOVIDO POR UMA CONFIANÇA IRRESISTÍVEL E UM INVENCÍVEL MEDO DOENTIO, ACEITA A PÉS JUNTOS AS MAIS ESTÚPIDAS INVENÇÕES.

Quinta-feira, 01 de Julho de 2010

 

 

 

Todos os anos, por época da “semana santa”, sempre são mostrados filmes sobre a vida de Jesus, dando ênfase à sua “paixão”. Numa dessas ocasiões, nossa filha estava assistindo a um desses, quando passamos à frente da TV, justamente no momento em que se desenrolava a “via sacra”, onde nos mostram Jesus sendo chicoteado e achincalhado durante o percurso até o Gólgota, local de sua  crucificação.

Como ela sabe que somos contra determinadas passagens descritas na Bíblia, só para nos provocar, ela perguntou o que poderíamos dizer sobre a caminhada de Jesus para sua crucificação, oportunidade em que lhe dissemos que a “via sacra”, como toda peça teatral, foi montada para que a Igreja Católica pudesse transmitir uma mensagem aos seus fiéis sobre os fatos supostamente ocorridos nos momentos próximos à execução de Jesus, já que na Bíblia não há nenhuma descrição do que aconteceu no trajeto entre o Pretório e o local onde Jesus foi crucificado.

Sabemos que o que estamos dizendo vai chocar muita gente, principalmente aqueles que só entendem da Bíblia o que os padres ou os pastores dizem nas suas pregações e não se dão ao trabalho de ir lá “conferir” para ver o que, realmente, diz a “palavra de Deus”. E a “via sacra” é uma dessas coisas que falam, mas que não há nenhuma narrativa dela na Bíblia.

Vejamos o que dizem os quatro livros do Evangelho, na versão da SBB - Almeida Revista e Corrigida, edição 1995, relativamente ao trajeto que veio a ser considerado como “a via dolorosa”:

Mateus 27

31 E, depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe as suas vestes e o levaram para ser crucificado. 32 E, quando saíam, encontraram um homem cireneu, chamado Simão, a quem constrangeram a levar a sua cruz.

Marcos 15

20 E, havendo-o escarnecido, despiram-lhe a púrpura, e o vestiram com as suas próprias vestes, e o levaram para fora, a fim de o crucificarem. 21 E constrangeram um certo Simão Cireneu, pai de Alexandre e de Rufo, que por ali passava, vindo do campo, a que levasse a cruz.

Lucas 23

25 E soltou-lhes o que fora lançado na prisão por uma sedição e homicídio, que era o que pediam; mas entregou Jesus à vontade deles. 26 E, quando o iam levando, tomaram um certo Simão, cireneu, que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas, para que a levasse após Jesus. [na Nova Tradução na Linguagem de Hoje, da SBB e em algumas católicas é dito atrás de]

João 19

16 Então entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram. 17 E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, que em hebraico se chama Gólgota,” (grifamos)

Pelos textos acima transcritos não é preciso fazer muito esforço para se verificar que em Mateus e Marcos as narrações do fato foram de forma semelhante, até em relação ao ato de Simão, de Cirene, ter sido forçado a carregar a cruz em lugar de Jesus, indo, em Marcos, até ao detalhe de indicar os nomes de quem Simão era pai.

Em Lucas e João o mesmo fato é narrado de forma diferente entre si, sendo que, entre a narração de Lucas e a dos dois primeiros, só houve uma “pequena” mudança quanto ao fato de Simão ter carregado a cruz após (na Nova Tradução na Linguagem de Hoje, da SBB e em algumas católicas é dito atrás de) Jesus.

 

Já em João fica clara a diferença na narração do fato, pois neste livro é dito que foi Jesus quem carregou a cruz.

Não é lógico, pelo menos nesse ponto, querer justificar essa contradição dizendo que os Evangelhos se completam, pois narrações antagônicas sobre o mesmo fato não podem se completar. Logo, tal entendimento não pode servir de argumento, dado que os seus autores não os escreveram numa mesma época; além do mais, somente mais tarde é que esses escritos vieram compor o segundo tomo da Bíblia, denominado de Novo Testamento.

Aqui, pedimos a atenção do leitor para a possibilidade de os dirigentes do então incipiente Cristianismo terem incluído entre os seus objetivos o estabelecimento de determinados “pilares” doutrinários, visando dar-lhe uma estrutura de instituição sólida e duradoura, a exemplo do Judaísmo, de onde ele se originou. Daí a introdução, pelo Catolicismo, do ritual do “sacrifício” de Jesus na cruz, por analogia ao “cordeiro imolado” do Judaísmo, para justificar o perdão dos pecados cometidos por toda a humanidade durante a vigência do Antigo Testamento como, também, a introdução da cultura da aceitação do sofrimento, a exemplo do suportado por Jesus na cruz, como um dos caminhos da nossa salvação.

Eis aí, no nosso entender, o motivo da narração de João ter ficado divergente das constantes em Mateus, Marcos e Lucas, sobre o trajeto de Jesus, entre o Pretório e o local onde Ele foi crucificado. Esclarecemos ao leitor que em nenhum dos quatro Livros é mencionado qualquer fato acontecido nesse trajeto, exceto quanto ao relativo a quem levou a cruz, igual nos três primeiros, mas diferente no de João.

Daí termos feito as duas interrogações que dão título a este trabalho; isso porque, achamos, o texto de João deve ter sido elaborado visando dar suporte doutrinário à instituição da via dolorosa, conhecida como “via sacra”, com suas estações de tortura e sofrimento, culminando com a execução de Jesus na cruz, tendo por motivação o afloramento de uma grande emoção nos fiéis que assistem a tais espetáculos, especialmente nas proximidades e durante as “comemorações” da “semana santa”. Convém repetir que, tendo o Cristianismo surgido no seio do Judaísmo, não pode ser desprezada a “conveniência” da implantação de rituais para

que essa então nova doutrina, pregada por Jesus, fosse facilmente assimilada como uma nova religião pelos fiéis do Judaísmo, no seio do qual Jesus nasceu e pregou sua Doutrina. Daí a Sua morte na cruz, por analogia ao cordeiro imolado do Judaísmo, ter sido transformada, pelos dirigentes do Catolicismo de então, e adotada pelos demais seguimentos cristãos dele originários, direta ou indiretamente, como um sacrifício mais “refinado” e duradouro do que o do ritual Judaico, já que neste eram utilizados apenas animais para perdão dos pecados cometidos por seus fiéis durante o ano anterior.

Nesse ponto, solicitamos a atenção do leitor para as passagens descritas em:

Mateus 10,38

“E quem não toma a sua cruz e não segue após mim não é digno de mim.”

E 16:24 Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me;”

Marcos 8,34

“E, chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.”

Lucas 9,23

“E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. e

14,27 E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo.”

 

Como o leitor poderá notar, nesses três livros consta que Jesus manda cada um dos seus seguidores carregar a sua cruz; daí, fazemos a seguinte pergunta: Que ensinamento podemos tirar desta passagem, se Ele não carrega a Sua própria cruz?!

E não nos venham dizer que, aqui, se trata de um caso típico de aplicação de sentido figurado, pois em João consta Ele carregando a Sua e não consta Ele mandando os seus seguidores carregarem as deles; já nos outros três consta Ele mandando seus seguidores carregarem as suas e não consta Ele carregando a Sua própria.

Em consequência desses textos bíblicos, só poderemos:

 

1) deduzir que:

a) como em Mateus, Marcos e Lucas, Jesus mandou cada um dos seus seguidores carregar a sua cruz, mas como nesses mesmos três livros não consta que Ele tenha carregado a Sua, esse fato põe por terra o que neles está escrito, já que, aí, Jesus não deu o exemplo; portanto “tornou-se necessário” “suprir-se” tal lacuna, ainda que no momento extremo de Sua vida, o que foi feito com a inclusão dessa tarefa em Jo 19,17, “harmonizando”,

assim, os textos bíblicos; ou

b) por constar em Jo 19,17 que Jesus carregou a sua cruz, e nos

outros três não constar a descrição desse mesmo fato narrado em João, houve “necessidade” em se “incluir” tal hipótese neles, ainda que sob a forma de Jesus sugerindo aos outros, em algumas passagens (por coincidência, semelhantes neles três), a exemplo das semelhanças ocorridas nos textos descrevendo o carregamento da cruz por Simão. e,

 

2) concluir que a “via sacra” não existiu, por não constar da Bíblia.

Como o leitor poderá notar, as nossas deduções e a correspondente conclusão têm a sua lógica, porque baseadas naquilo que está escrito, ou que não está escrito na “palavra de Deus”.

São divergências como essas, sobre o que está escrito, ou não está escrito na Bíblia, que nos impedem de aceitar tudo o que dizem os profissionais da religião estar explícito ou implícito na palavra de Deus. E não venham os adeptos da sua inerrância dizer que ela não contém erros, por ter sido escrita por inspiração divina...

Por que dizemos isso? Por ter sido escrita por homens como nós, suscetíveis a erros; e mais: porque a inspiração não depende só de quem a transmite, mas, principalmente, de quem a recebe; é como o rádio e a TV que, para serem perfeitas a transmissão e a recepção, tem que haver compatibilidade (sintonia) entre o transmissor e o receptor, sob pena de a mensagem não ser recebida com a mesma clareza da sua transmissão; tanto é verdade, que Jesus nos alerta em Mt 24,24 e Mc 13,22 para o surgimento de falsos messias e de falsos profetas, mostrando que estes tentarão seduzir até os escolhidos, alerta esse confirmado por Pedro e João (2Pd 2,1 e 1Jo 4,1). Ora, o que serão falsos messias e falsos profetas? São aqueles que se apresentam dizendo-se portadores das mensagens do plano divino (o que está cheio deles por aí), procurando enganar os incautos com seus “milagres”, ou suas pregações em nome Dele, mas sempre mediante o pedido de contribuições para divulgação do evangelho de um je$u$, diverso daquele em nome de quem eles se apresentam como representantes aqui na Terra. Estão aí os exemplos dos grupos de comunicação “religiosos” (verdadeiros impérios econômicos), criados e mantidos por contribuições solicitadas com a desculpa de que são para divulgar o “evangelho” de um “senhor je$u$”; só não os vê quem não quer, ou são daqueles que acreditam que, com essas suas contribuições, estarão garantindo suas “vaguinhas” no céu...

JOÃO FRAZÃO DE MEDEIROS LIMA

www.apologiaespirita.org

 

 

publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 00:01

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Últ. comentários
Excelente texto. Parabéns!
É como você mesmo colocou no subtítulo do seu blog...
Ok, Sergio.O seu e-amil é só esse: oigres.ribeiro@...
Ok, desejaria sim.
Ola, Sérgio.Gotaria de lhe fazer um convite:Gostar...
Obrigado e abraços.
www.apologiaespirita.org
Ola, Sérgio.Gostei de sua postagem, mas gostaria s...

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