TODO AQUELE QUE CRÊ NUM DOGMA, ABDICA COMPLETAMENTE DE SUAS FACULDADES. MOVIDO POR UMA CONFIANÇA IRRESISTÍVEL E UM INVENCÍVEL MEDO DOENTIO, ACEITA A PÉS JUNTOS AS MAIS ESTÚPIDAS INVENÇÕES.

Sábado, 24 de Julho de 2010

 

"Fé inabalável só o é a que pode encarar frente-a-frente à razão em todas as épocas da Humanidade". Allan Kardec

Frequentemente sou abordada por pessoas que questionam acerca das diferenças entre Espiritismo e Espiritualismo. Perguntam, ainda, se ambas as doutrinas não seriam a mesma coisa.

Em verdade, a maior parte das questões formuladas não é pronunciada exatamente dessa maneira. Muitos indagam se sou ‘espírita kardecista’ ou se sou ‘espírita de mesa branca’. Tem também os que desejam saber se no Centro Espírita onde desenvolvo minhas tarefas fazemos trabalhos de macumba ou reuniões mediúnicas públicas. E por aí vai. As perguntas são as mais variadas e a maioria delas reflete um grande desconhecimento do público sobre o tema.

Importante frisar que essa confusão não acontece apenas nos meios não religiosos. Ela é muito frequente entre os espiritualistas que em sua maioria não conhecem as bases filosóficas da doutrina à qual pertencem.

Obviamente, não é à toa que tal fenômeno ocorre. São fatores históricos que geraram tais confusões que, aliás, parecem ser de senso-comum, uma vez observada à naturalidade com que muitos afirmam que todo culto afro-católico é uma doutrina espírita, o que não é verdade. Kardec, quando elaborou o prefácio da obra viga mestra (O Livro dos Espíritos), afirmou que para coisas novas deveriam existir palavras novas. Foi aí que definiu a palavra Espiritismo e Espíritas (ou espiritistas) para diferenciar a Doutrina e seus seguidores das de outros movimentos religiosos.

Umbandistas não são Espíritas, nem cartomantes ou qualquer pessoa que desenvolva atividades ligadas às “mancias” (cristalomancia, quiromancia, etc.).

Isso não desmerece em nada as doutrinas espiritualistas – apenas dá conta de colocar cada coisa em seu devido lugar. Quem estuda as obras kardequianas e segue tal doutrina é Espírita. Simples assim.

Não existe a palavra kardecismo, visto que Kardec não fundou nada, a Doutrina não é dele, mas sim dos Espíritos. Ele contribuiu com suas colocações lúcidas e organizou as informações vindas do Plano Mais Alto. Também não existe mesa branca: nos Centros Espíritas temos todos os tipos de cores de mesa e nem sempre as toalhas que as revestem são brancas. Também não realizamos reunião mediúnica pública - entendemos, através de nossos estudos, que tais reuniões devem ser privativas.

Também não acendemos velas, nem realizamos sacramentos, tais como casamentos ou batizados.

Não cultuamos imagens de santos, nem tomamos banho com sal grosso.

Não carregamos “figas”, tampouco patuás, fitinhas ou amuletos.

Vale frisar que também não consideramos tais práticas perniciosas, apenas não fazem parte da Doutrina Espírita e, portanto, um verdadeiro espírita deverá evitá-las, sem condenar as pessoas que delas se valem, de acordo com suas crenças particulares. Aqui o objetivo nunca será discriminar qualquer forma de religião, fazer proselitismo ou pregar o Espiritismo como sendo a maior ou a melhor das religiões. O que é preciso creio eu, é situarmos as coisas, pois esta confusão serve de munição para aqueles que atacam esta religião.

Espiritualismo é a doutrina ou sistema que admite a presença, no homem e no mundo em geral, do elemento espiritual. Desse modo, a maior parte das religiões são espiritualistas, uma vez que creem na existência da dualidade corpo e alma. O Espiritualismo é o oposto do materialismo, que afirma não existir nada além da matéria.

Espiritismo, contudo, significa Doutrina dos Espíritos. Ou seja, há um parentesco significativo entre ambas, mas não são a mesma coisa. Aliás, posso afirmar que elas apresentam práticas bastante diferentes.

O Espiritismo compreende alguns pontos que o afastam do Espiritualismo das religiões tradicionais. São eles: a crença na reencarnação; a descrença na doutrina das penas eternas; a crença na pluralidade dos mundos habitados e a crença na comunicabilidade dos Espíritos através da mediunidade. Além disso, para o espírita o estudo necessita ser constante e a busca por sua melhoria íntima idem.

Resumindo: todo Espírita é Espiritualista, mas nem todo Espiritualista é Espírita.

Sugiro ao caro leitor, caso se interesse pelo assunto, que leia as obras “O Que é o Espiritismo” de Allan Kardec e “O que não é o Espiritismo” de José Carlos Leal.

O tema é amplo e merece um olhar mais atento, principalmente em nosso país, onde há um número considerável de pessoas simpatizantes de ambas as doutrinas.

Claudia Gelernter

Publicado no Recanto das Letras em 10/11/2007
Código do texto: T731986

 

publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 19:48

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Excelente texto. Parabéns!
É como você mesmo colocou no subtítulo do seu blog...
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