TODO AQUELE QUE CRÊ NUM DOGMA, ABDICA COMPLETAMENTE DE SUAS FACULDADES. MOVIDO POR UMA CONFIANÇA IRRESISTÍVEL E UM INVENCÍVEL MEDO DOENTIO, ACEITA A PÉS JUNTOS AS MAIS ESTÚPIDAS INVENÇÕES.

Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

 

Breve histórico

Quintus Horatius Flaccus – que se notabilizou pela sua literatura poética na velha Roma – nasceu em Benúsia (65 a.C.) e veio a falecer em Apúlia, oito anos antes do calendário atual, com 57 anos vividos.

Foi um entre os diversos protegidos de Mecenas. Destaca-se por suas Odes e pela diversificação literária, desde a sátira até os ensaios; no campo religioso temo-lo em Letras Sacras e celebrizou-se por suas cartas, onde a mais famosa é a Epístola aos Pisões, importante família do Lácio – gens Calpurnia –,constando, até, que nele teria se inspirado Paulo de Tars (sem o “o”) para escrever as suas.

Numa de suas cartas ao Senado Romano, Horácio refere -se a um jovem judeu da Galiléia que se intitulava rei, só que afirmava que “meu reino não é deste mundo” e que vinha sublevando as colônias do Oriente Próximo – a Palestina – para tornar-se livre pela Verdade.

Muita coincidência?

Horácio teria ignorado seu nome, ou, posteriormente, segundo uns, fora omitido de suas descrições.

Adulteração de documentos já data daquele século. De alguma forma, aquele agitador citado por Horácio teria logrado seu intento já que, quase um século após, os documentos registram o fato de que deflagrou a revolta dos hebreus, obrigando Tito, o filho do então Imperador Vespasiano a retomar Jerusalém.

Horácio via sua previsão realizar-se, surgindo como artifício de tudo o mítico filho de Deus; só não coincidem as datas bíblicas com as históricas. Atualmente, a própria Igreja já admite que o sacerdote encarregado de armar o calendário em função de Jesus teria errado; primeiro passo. Mas, ainda assim, teria ele nascido em 5 a.C., pelas correções, quando, há doze anos antes Horácio se referia provavelmente a ele de outra forma completamente distinta da que a Bíblia descreve, embora esta seja, apenas, a expressão de seus compiladores.

Lamentavelmente, para o idólatra que tem este livro como palavra de Deus, a verdade histórica será uma blasfêmia e, em detrimento dela, prefere aceitar a incoerência que os textos encerram. É a infalibilidade. Os que deificam Jesus, ainda, são um grande entrave à busca da verdade dos acontecimentos: preferem-no assim, fictício e ilusório, mas, miraculosamente revestido do manto divino, portando o cetro do Criador.

Outro importantíssimo autor romano foi Titus Livius (59 a.C. – 19 d.C.), natural de Pádova e que viveu na intimidade de Augusto César, sendo preceptor de Claudius. Vários autores garantem que a data e local do nascimento desse historiador romano são desconhecidos; desencarnou em Roma presumivelmente com 70 anos bem vividos e a ele são atribuídos 142 volumes dedicados à sociedade romana, suas conquistas e sua civilização, desde a Gália (França) às colônias do Índico. No Tratado Histórico e Social de Roma, sua grande obra, fala de certo personagem da Galiléia conhecido como o Messias Prometido pelos profetas e que teria sido o mestre de Pedro, o cristão das catacumbas.

Contudo, duas coisas importantes são preponderantes para que se tenha melhor posição; a primeira delas é o nome de Jesus que, antes da adoção do Cristianismo se chamava Josuah (ou Yoshua) Bem Yussif. A segunda: Nazareth ainda não existia, à época, como cidade, portanto, nem procede chamar Jesus de Nazareno, nem dar à sua mãe o título de Maria de Nazareth.

O que a Geografia registra é o povoado de Nashra, pertencente a uma das doze tribos de Israel, a de Zabulon, décimo filho de Jacó, situada nas montanhas palestinas onde teriam vivido José e Maria, pais de Jesus. Esta cidade veio a ser conhecida posteriormente ou denominada pelos europeus com o nome de Nazaré.

Aí, ainda, as descrições históricas não coincidem com as da Bíblia.

Curiosamente, da sua grande coleção de trabalhos restam apenas 69 volumes históricos e tudo indica que os demais, inclusive o que se refere ao Messias, teriam sido destruídos pelo incêndio da Biblioteca Eclesiástica Romana que inspirou Umberto Ecco a escrever seu famoso romance “O Nome da Rosa” e que foi transformado em filme.

Também, os registros históricos da passagem de Pedro pela cidade Eterna são precisos e tudo o mais que encerra a vida inicial dos cristãos; mais uma vez, a descrição bíblica da vida de Jesus é que apresenta discrepâncias, lamentavelmente.

Isto não significa dizer que Jesus não tenha existido; pelo contrário, lança a certeza de que os interesses religiosos da época sobrepujaram a verdade e disso nasceu uma lenda mítica onde um deus nascido na Terra teria os poderes Superiores da Criação e a Igreja (que era o próprio Estado romano) seria sua lídima representante para salvação e glorificação dos povos ou dos que a seguissem. Si non è vero, è bene trovato

.

A origem dos nomes e dos princípios

Conforme Caius Plinius Secundus, naturalista e escritor latino nascido no ano 23 da era cristã, o termo Christus, i da segunda declinação seria de origem sânscrita, como se sabe, linguagem na qual Vjyasa, autor indiano do Bagavad-Ghita escreveu suas obras, e significa “Nosso Senhor” ou nosso guia espiritual, segundo as concepções religiosas atuais.

Isto contraria a ideia de que o termo Cristo seja de origem grega, da palavra Krestos (em latim seria Krystus) – ungido –, e que daria, provavelmente, se real, uma palavra da quarta declinação, Chrystus, us, segundo os doutores em ortoépia filológica, o que mostra que essa origem é forjada.

Já Joseph Ernest Renan (1823-92), filólogo e historiador francês, nascido em Tréguier, tendo feito inicialmente o noviciado para o sacerdócio, quando se aprofundou na filologia hebraica, perdeu a oportunidade de seguir a vida eclesiástica pelo seu ímpeto polêmico: escreveu sua famosa obra em oito volumes intitulada Histoire des Origines du Christianisme (1863-89) que foi tida como verdadeira reformulação do pensamento bíblico porque discutia o valor histórico do Novo Testamento através da crítica a seus textos, o que gerou terríveis polêmicas.

Antes já ele fora criticado por ter trazido da Alemanha para a França, um misto de parte religiosa e parte positivista, a Doutrina do Racionalismo, considerada heresia, à época.

Seus argumentos são irretorquíveis e só um fanático será capaz de contestá-lo, por isso, é de se admirar que alguns que outros espíritas ainda prefiram seguir a imposição eclesiástica – da qual não se libertaram – pela adoração a textos impuros que admitir a lógica da razão, como se isto ferisse a lisura religiosa e desrespeitasse o Cristo imposto.

Louis Jacolliot (1837-90) – outro espúrio para os cânones –, famoso escritor francês nascido em Charolles, conhecido e citado principalmente pelos seus romances de aventuras, mas abjurado pela Santa Madre Igreja por causa da sua famosa obra Les fils de Dieu, que, curiosamente, é sempre excluída de suas referências bibliográficas, diz:

– Le Christianisme que ne fut suivant l’opinion des gnostiques, qu’une renovation des mystères de La haute Asie, qui a empruté à la religion des brahmes son rédempteur Christna (sic), toutes sés cérémonies, et la trinité.

O texto mereceu de meu pai a seguinte tradução: “O cristianismo, na opinião dos gnósticos não foi senão uma renovação dos mistérios da alta Ásia que copiou da religião dos brâhmanes o seu redentor Crishna (ou Krshna), todos os seus sacramentos, todas as suas cerimônias e a trindade. – Obra “Os Filhos de Deus” pág. 102

Então, se formos ler “O Avatar de Crishna”, mesma obra, pág. 335 em diante, a nossa convicção será capaz de se abalar e não fora a palavra dos Espíritos e os exemplos e a segurança com que os demais luminares falaram do nosso Mestre, seríamos capazes de afirmar que tudo não passa de uma ficção legendária extraída da gênese hindu, que data de quatro mil e oitocentos anos antes da nossa época.

Ainda Jacolliot quem escreve, já traduzindo (pág. 208):

– O insucesso dos missionários de todos os cultos, católicos ou protestantes (cristãos), vem de que eles não puderam trazer à Índia nenhuma verdade moral, filosófica ou religiosa que não fosse, de muitos séculos, registrada no livro, gravada nas pedras do altar ou inscrita na fronte dos pregadores.

O que se presume – e é o eterno engodo humano – é que os antigos jamais supuseram que seus conhecimentos pudessem vir a ser descobertos. Aconteceu na Grécia, quando fizeram no Olimpo a residência dos deuses, recentemente, a escolha do planeta Marte para base de lançamento dos discos voadores e de uma civilização superior e também, a cópia das lendas hinduístas escritas em sânscrito, língua que ninguém conhecia na Europa.

Sânscrito significa “escrita sagrada ou transcendental” – Sanskhrito – não se devendo confundir kritó (escrita em bramanês) com krypton (do grego, oculto); aquele era o idioma nobre da Índia, só falado pelas castas superiores e iniciados no sacerdócio, daí distinguir-se dois dialetos, digamos assim, o védico e o épico, ou clássico. No védico havia termos considerados de sacra formação que falavam do Poder Superior e foi o que Vjyasa usou para escrever toda sua obra.

Este idioma opunha-se ao prácrito – língua popular – ou linguagem vulgar.

Hoje há tradução de trechos da obra de Vjyasa, até em português e qualquer Enciclopédia dirá que este autor, do século XVI a.C. teria vivido cinqüenta lustros – o Matusalém asiático – dedicados às letras e aos princípios instituídos da sua era. Sua obra divide-se em três categorias: os Vedas, os Brahmanes e os Puranas.

Nos Vedas – ciência das revelações – encontramos a explicação da causa da vida, escrita sob a forma de poema, e das existências, a formação do mundo e a vontade superior da Criação. Divide-se nos seguintes tomos: Riga, Sama, Iadju, o Livro das Preces e o Artava, o mais recente dos Vedas, considerado, até, posterior à sua época.

Para explicá-los encontramos uma série de obras – como se fosse uma cabala com sua hermenêutica – dentre elas os Brahmánas (não confundir com brâhmanes), o Upanichad, destacando-se o mais antigo deles que é o Mahab-Harata – epopéia escrita pelo próprio Vjyasa onde descreve a vinda do filho de Deus à Terra. E aqui é que começa a verdadeira história do Cristianismo, a ponto de se dizer que este nada mais é do que o Hinduísmo grosseiramente adaptado ao Judaísmo.

Parece que, até mesmo as enciclopédias fazem uma terrível confusão a respeito do orientalismo hindu, por isso, nunca é demais fazer-se um resumo do assunto, para que se entenda a provável origem do Cristianismo.

Brahma, ao contrário do que se afirma, não é o Deus; representa o Poder da Criação, o que é muito diferente de ser o “Criador”; como tal, é a essência de tudo, de onde vem e advém a vida e emanam as reações, como sentimento e que mais.

Assim se formaria o Trimurti, com Brahma, Vichnu, o Espírito conservador do Universo e Xiva (Çiva ou Shiva), a fecundidade, responsável pelo bem e pelo mal, pela existência em si. Isto mostra que existe sempre uma trilogia que acabou dando Pai, Filho e Espírito Santo.

Vjyasa ainda se refere ao Avatára (hoje avatar), encarnação de Deus em Vichnu.

Nos Puranas – que é uma coleção de tomos considerados distintos –, encontra-se a instrução religiosa para os excluídos pela lei brahmânica do direito de ler (o sânscrito), estudar e conhecer os mistérios da Criação. Enfim, a doutrina para o povo.

Separadamente encontra-se o “Pandava”, termo patronímico dos sucessores de Pandu, condenados a renascer para resgatar as suas faltas – eram cinco os filhos putativos de Pandu. – Assim, os que seguissem os maus exemplos de Pandava estariam condenados à sua mesma sorte. Esta nada mais é do que a essência da filosofia palingenética que também será encontrada nas obras dos pensadores chineses.

Concluindo, também no Cristianismo tem-se o conhecimento eclesiástico dos que são encarregados de pregar essa doutrina, os mistérios que não podem ser revelados – ou conhecidos pelos fiéis não iniciados, por comprometedores – sob alegação de que é assunto superior, o pré-estabelecimento dos fundamentos doutrinários, por dizer, os dogmas, e finalmente, o culto. Como se vê, nada difere.

 

A origem das lendas

A Índia, ao velho tempo, dividia-se no que se pode chamar de principados ou Radjapunas, governados, sob forma imperial, pelo Radjah (ou rajá). Atualmente são 17 estados que falam a mesma língua, o hindi, que se diversifica em dialetos, todos, demonstrando a mesma etimologia. Por ser o país mais densamente povoado, possui as duas religiões de m aior número de adeptos, o Hinduísmo e o Budismo, este, muito conhecido no ocidente por sua corrente Zen de influência nipônica.

O Bhagavad-Ghitá (canto da bem-aventurança) teve sua primeira tradução parcial feita pela senhora Hélena Petrovna Blavatsky, quando misturou seu orientalismo com as correntes teosóficas de San Mantin e Swedenborb, criando o dito Ocultismo. Ela foi prudente em só traduzir aquilo que não causasse celeuma, motivo por que os ocidentais não tiveram acesso a certos conhecimentos que comprometeriam profundamente o Cristianismo adotado, em suas histórias.

No terceiro livro das histórias – que não foi traduzido – é que se encontra a narração da vinda de Yésu, encarnação do Krishna anunciado pelos Iniciados (leia-se médiuns) na Sabedoria Suprema da Criação de Brahma e sua vida terrena em oitava encarnação.

 

1ª lenda – Os iniciados anunciam a oitava vinda do Krishna à Terra.

Como se vê, os hindus não tinham a pretensão de se julgarem os únicos privilegiados com os ensinamentos do Cristo – ou Krishna –, Guia do planeta em que habitavam.

Foi dito aos homens que viria entre eles o novo Enviado que nasceria entre eles para trazer os ensinamentos superiores; a narrativa é um pouco (ou bastante) confusa, mas dá conta de que o Rajá de Ragipur, ao saber que era anunciada tal vinda, tomou todas as providências para saber de quem se tratava e, talvez, por isso, não foi dito quem seria. A própria mãe o ignorava, o que fez com que o Rajá mandasse imolar todas as crianças que nascessem por aquela época. E conta:

Quis a sorte, porém – porque esta era a Vontade brahmânica – que sua emanação se dignificasse na véspera do nascimento e só nesse dia teria a mulher escolhida sagrada pela Criação, recebendo em seu ventre o sopro divino da fecundação de Brahma para que o filho nascesse no corpo de um bebê humano.

Como tal, foi escolhida uma mulher virgem.

Foi então providenciado para que esta mulher se encaminhasse ao estábulo – lugar sagrado na Índia – da purificação e lá nasceu Yésu, a oitava encarnação de Krishna que trazia em si o espírito de Vishnu e o Poder de Brahma, a Criação. O Pai, o Filho e o Espírito Santo, em linguagem e compreensão atual.

Escolhida a manjedoura porque na Índia é limpa e segura; porque nela habitam os animais sagrados – os bois –. Já na Palestina, teríamos um bostal da pior categoria onde o judeu jamais deixaria que lá nascesse, sequer, o filho de uma prostituta, pois tinham (e têm) pela maternidade um respeito absoluto.

 

2ª lenda – que fala da perseguição e do retiro.

Não podendo identificar o dia do nascimento do Enviado de Brahma, quis o Rajá que ele fosse exterminado, a fim de que não ferisse seu poder superior, mandando dizimar os recém-nascidos. Mais uma vez, os sacerdotes (chamemo-los assim, por falta de melhor termo) atuaram para que Yésu e sua mãe se retirassem para local ignorado, onde o novo Enviado teria sua formação terrena para poder cumprir sua missão. Posteriormente foi esclarecido que mãe e filho se recolheram ao Himalaia onde transcorreriam trinta e três anos até que completasse o ciclo da perfeição.

Tudo é muito coincidente, há que se convir, mas, se se levar em conta que as lendas do Hinduísmo foram escritas quinze séculos antes do nascimento de Jesus, não se pode dizer que as mesmas tenham sido forjadas na história evangélica . Pelo contrário, o que se pode admitir é que as lendas da Índia é que seriam consideradas subversivas aos interesses do Cristianismo.

Coincidência ou transcrição? Ou será que a História se repetiu?

Da existência de Jesus ninguém pode duvidar. Dos acontecimentos, não se tem provas.

 

3ª lenda – da revogação das castas.

Como se sabe, antes da instituição do Hinduísmo a religião brahmânica, em consonância, já naquele tempo, com o poder do Estado, dividia o povo em quatro castas sociais, sendo elas:

Brâmanes – a primeira delas, dos potentados, compreendendo primeiramente, os superiores religiosos (sacerdotes), senhores do poder da criação e que ditavam as leis do povo e os sacrifícios; seguiam-se os nobres e livres, arianos de origem, os chefes de estado e os senhores que detinham o poder, todos, tidos como superiores.

Xátrias – Os guerreiros, compondo a casta imediatamente inferior, contudo, com idênticos privilégios.

Vaixás – a terceira e última casta com credenciais de existência; compreendiam os agricultores, os criadores de gado, os comerciantes e os abastados que, com suas rendas, não só podiam pagar os tributos impostos pelos governantes como ainda tinham condições de viverem com certo conforto financeiro.

Além dessas três castas existia o que hoje chamaríamos de plebe e que eram os sudras, sem direito à vida eterna, tidos pelos tâmeis como sendo os párias da sociedade, cujos privilégios se resumiam à vida presente. Estes, quando morriam, eram considerados como findos.

O tâmul é a mais culta das línguas dravídicas, ou seja, asiáticas, falado pelos tâmeis, povo que hoje habita o Sri Lanka.

Yésu, após sua iniciação nos templos do Himalaia, veio à sociedade dizer que todos eram iguais, criados por Brahma e que, como tal, não podia existir diferença de castas; os privilégios sociais eram devidos ao mérito de cada um, porém, por ser um pária, quando morresse teria o mesmo destino que um brâhmane, ou seja, seria julgado pelos seus atos.

E as castas foram reformuladas, surgindo, assim, o Hinduísmo que, em resumo, baniu os privilégios, sob alegação de que, se tudo foi criado pelo Mayá de Brahma, nada pode gozar de privilégios fora dos que ostentam na existência terrena.

Mayá é a energia criadora de Deus.

Como se vê, se, de fato, Jesus vem a ser a reencarnação de Yésu o u não, seus princípios filosóficos das existências são rigorosamente idênticos.

Seguir o Cristo é nos orientarmos pelos desígnios de nosso Guia Supremo (terreno) em todos os tempos, porque, a cada passo, os mesmos ensinamentos, desde a pré -história, são rigorosamente pregados aos homens.

 

A análise da prudência

Do mesmo modo que há católicos-espíritas, (catoritas) isto é, aqueles que praticam a eucaristia, confessam-se e aceitam a salvação pela Igreja, mas procuram os pais-de-santo para se aconselharem, também pode-se encontrar o espírita-católico (espiritólico) que aceita a reencarnação, o médium, a intercomunicação com o além e os ensinamentos dos Espíritos mas que continuam presos aos princípios eclesiásticos, para os quais Jesus é muito mais que o Mestre Supremo na Terra, responsável pelo seu progresso, um deus ao qual devemos eterna reverência e respeito e que se afrontaria contra aquele que ousasse contestá-lo.

Para estes, qualquer consideração em contrário, não passa de blasfêmia; não levam em conta que Jesus, um luminar, jamais se ofenderia com qualquer opinião a seu respeito, porque ele está acima das vaidades humanas. E o evangelho é tido como sua palavra suprema.

No seu egoísmo, é uma tendência natural da criatura achar que o seu Guia espiritual seja o único e verdadeiro. Melhor do que todos. É, sem dúvida, uma aberração assim pensar, mas impossível tirar da imaginação do crente que adora e divinifica seu Senhor.

Ora, pois, para se considerar bom cristão, tem que se ter Jesus como Salvador e a Imagem do Criador na Terra. Os outros missionários seriam mero acaso na decorrência social da vida.

Perante o Espiritismo, de acordo com os ensinamentos espirituais, Jesus existiu como homem, sem corpo fluídico, sem ficções, sem divergências encarnatórias, foi o grande missionário que nos trouxe os ensinamentos do Cristo (guia do planeta) e, como tal, abriu o conhecimento da filosofia de vida à civilização ocidental, a quem legou seus ensinos no que tange às coisas divinas. Devemos a ele a Boa Nova, o conhecimento dos princípios da Criação e tudo mais que os orientais já sabiam através de seus enviados.

Se Jesus foi o Cristo ou se foi seu enviado, ou como afirmam outros, o seu médium, seja como for – o que não faz a menor diferença –, veio iluminar uma época e trazer a palavra do Alto a um povo que a fazia por ignorar. Se a civilização ocidental é a que se diz cristã, não lhe segue os verdadeiros ensinamentos, citando-o, apenas, como Mestre. Emmanuel, em “A Caminho da Luz”, declara que Jesus é um dos seres angélicos, responsáveis pelo planeta.

O que se pode ter em conta é que existe uma corte espiritual de Mentores de elevadíssima formação, acima do que possamos imaginar, encarregada de guiar o planeta para dar cabo à tarefa de encaminhar as criaturas que nele se encarnam. E Jesus pontifica entre eles, sem dúvida.

Pelo Hinduísmo, poder-se-ia concluir que Cristo Guia nosso Mestre e responsável pela orientação na Terra dos homens que devam ter seu progresso através de reencarnações neste planeta, se fez sempre presente através de enviados que nascem e trazem sempre o mesmo ensinamento acrescido dos conhecimentos a que o homem possa alcançar. Segundo uns, Yésu teria sido o oitavo e Jesus o nono ou décimo. E os outros?

Escreve, ainda, Geoffrey Watson, em citação de Morri s Sullivan, que uma corrente indiana defende a tese reencarnacionista de que Krishna teria nascido em Yésu, seu corpo para pregar o espírito divino da criação, unindo, da mesma forma, outra trindade numa só pessoa. Diz ele, ainda, que, com isso, a hipótese de Jesus ser o Cristo não é nenhuma inovação, apenas, a repetição de um dogma de determinada corrente hinduísta. Este não fala de outras encarnações.

Provavelmente o legendário Osíris, ou quem tenha orientado o povo egípcio àquele tempo, tenha sido o primitivo já que, historicamente, tudo indica seja o primeiro dos grandes enviados, anterior, até mesmo, a Kung-Fu Tséu (Confúcio). Buda pode ter sido o intermediário, pois viveu entre um e outro. Ou Sócrates, apontado a Kardec, segundo seus arquivos particulares, por determinada Entidade, como presidente da falange do Espírito de Verdade e, neste caso, o próprio Jesus. (Tese defendida por Dr. Pena Ribas)

E por que não?

Contudo, não nos esqueçamos de que todas essas considerações, curiosas e coincidentes, são especulações para estudo e não tábula rasa, sem discussões, tidas e havidas como absolutas.

Seria uma grande injustiça o privilégio de determinados povos sobre os demais terem eles tido o único e verdadeiro enviado do Kris, Krishna ou Cristo, inclusive, de acordo com o que pregou o próprio Jesus, o que justificaria, até mesmo, sua reação perante a vida e o sofrimento que enfrentou: estaria ante mais uma de suas missões.

O que não se admite é a fé cega. Ter Jesus como único e supremo é ignorar o resto do mundo, pensar que a injustiça teria punido os demais sem lhes dar o direito de seguirem o caminho certo, principalmente aos que viveram anteriormente à sua vinda ao mundo e, pior, negar a razão e as suas próprias palavras.

Há, ainda, uma corrente espiritualista que tem Jesus como o enviado ao nosso mundo, vindo de outro planeta superior, habitado, em missão, como Mestre, para ajudar-nos em nosso progresso espiritual. Um desses defensores é Pietro Ubaldi, no seu último livro, intitulado “Cristo”. A esse respeito há uma série de interpretações e considerações, alguns tentando explicar seu martírio, como uma necessidade para exemplo; outros esclarecem que seria resgate de seus últimos débitos trazido do mundo de origem. Na verdade, o que se afigura é que, o grande sofrimento de Jesus foi ver que a humanidade ainda não estava preparada para recebê-lo e entender-lhe as palavras, bem como o exemplo. O resto, as dores corpóreas, para ele, devem ter sido insignificantes.

O Espiritismo é universalista, este é um ponto fundamental; defende o direito de cada um e acha que o seu mérito está em suas ações e não em sua ideologia; o Cristianismo bíblico é restritivo e exclusivista, negando o direito aos demais, mesmo que perfeitos em suas ações, de se agraciarem com as benesses divinas se não o seguirem pela sua Igreja. Neste caso, o importante não é agir corretamente nem praticar os ensinamentos do bem, é ser de sua Igreja, independente da conduta que leve. Pratique o mal, mas salve-se na crença!

Foi contra isto que os ensinamentos dos Espíritos, legados a Kardec, se insurgiram. Está na hora de se tomar uma posição definitiva de liberdade e esta só será possível quando se conhecer a Verdade.

 

Carlos Imbassahy – obra; E... Deus Existe?

publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 00:11

mais sobre mim
pesquisar
 
Setembro 2010
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4

5
6
7
8
9

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24

27


Últ. comentários
Excelente texto. Parabéns!
É como você mesmo colocou no subtítulo do seu blog...
Ok, Sergio.O seu e-amil é só esse: oigres.ribeiro@...
Ok, desejaria sim.
Ola, Sérgio.Gotaria de lhe fazer um convite:Gostar...
Obrigado e abraços.
www.apologiaespirita.org
Ola, Sérgio.Gostei de sua postagem, mas gostaria s...

blogs SAPO


Universidade de Aveiro