TODO AQUELE QUE CRÊ NUM DOGMA, ABDICA COMPLETAMENTE DE SUAS FACULDADES. MOVIDO POR UMA CONFIANÇA IRRESISTÍVEL E UM INVENCÍVEL MEDO DOENTIO, ACEITA A PÉS JUNTOS AS MAIS ESTÚPIDAS INVENÇÕES.

Terça-feira, 01 de Novembro de 2011

Análise

 

A luz clareia aqueles que abrem seus olhos, mas as trevas se espessam para aqueles que querem fechá-los (SIMEON).

O presente artigo não tem como espoco a depreciação da fé alheia. Segundo a Constituição Federal, todos os homens são livres para pensar e crer naquilo que mais lhe apraz, sem distinção de credo ou filosofia. Por este motivo temos o livre direito de nos expressar, pois somos livres pensadores para expormos nossas idéias. Não somos contra as pessoas, apenas não concordamos com as ideias retrógradas que obstruem o desenvolvimento do intelecto. Não nos importamos com o que os opositores falem, mas antes de fazê-lo, faz-se mister ler e refletir, ainda que posteriormente discorde do nosso ponto de vista, este é um direito inalienável do ser humano que exerce seu pleno direito de pensar.

 

Somente por volta século III afirmou-se ou creu-se que os livros constituintes do Novo Testamento eram inspirados; mas isso não nos parece verdade, pelo menos dentro de um conceito cientifico e racional. Os protestantes aceitaram essa ideia apenas em 1657, na Assembléia de Westminster. Mas, com uma leitura atenciosa, notaremos que a própria Bíblia desmente essa inspiração. No livro II de Timóteo lemos: "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça;" (II Timóteo 3,16). Ora, se esta citação consta no Novo Testamento, o autor só poderia estar se referindo ao Antigo Testamento, pois o Novo ainda não existia.

Se a Bíblia fosse inspirada por Deus, deveria:

a) ser um livro que nenhum outro homem pudesse escrever, além de conter a perfeição da filosofia;

b) estar totalmente de acordo com cada fato da natureza, sem os erros em astronomia, geologia ou em quaisquer outros assuntos ou ciências;

c) seus ensinamentos tinham que ser totalmente sublimes e puros;

d) suas leis e suas regras, para controle de conduta, deveriam ser justas, sábias, perfeitas e adequadas aos fins visados;

e) não conter quaisquer coisas que tornassem o homem cruel, vingativo ou infame;

f) estar repleta de inteligência, de justiça, de pureza, de honestidade, de clemência e de espírito de liberdade;

g) teria que se opor à contenda, à guerra, à escravidão, à cobiça, à ignorância, à credulidade e à superstição;

h) incentivaria a todos desenvolver o intelecto e civilizar o coração;

i) satisfaria o coração e a mente dos melhores e dos mais sábios;

j) ser inquestionavelmente verdadeira.

 

Será que o Velho Testamento satisfaz esses quesitos?

Como pode Deus criar o mundo e ainda conferir para ver se estava bom (Gn 1:10), bem como afirmar que a Terra tem quatro cantos (Apol.7:1), cujo escritor demonstra não ter a menor noção da esfericidade do planeta. Depois de criar os animais, Deus inspira o homem a dizer que o morcego é uma ave (Lv 11:13), que as lebres ruminam (Lv 11:6) e que os insetos possuem pés (Lv 11:23), e que as cobras comem pó (Gn 3:14). Cobras nunca comem pó! Agora observe essa citação; “E o que comeres será como bolos de cevada, e cozê-los-ás sobre o esterco que sai do homem, diante dos olhos deles. E disse o SENHOR: Assim comerão os filhos de Israel o seu pão imundo, entre os gentios para onde os lançarei (Ezq. 412,13). Tem certeza que tudo isso foi inspiração divina?

No livro do Gênesis o “próprio” Deus afirma que a Lua tem luz própria (Gn 1:16). No livro dos Salmos se diz que os ventos são guardados em reservatórios (Salmos 135:7). Reservatórios?!!!

Como pode um livro divinamente inspirado e infalível conter fatos científicos falsos como estes?

Se houve inspiração por que Deus não aboliu a escravidão considerando-a como imoral? Mas não o fez! Por que não inspirou os autores desse livro com a finalidade de instruir o mundo sobre astronomia, geologia ou qualquer ciência? Os fundamentalistas odeiam a ciência; é só falar de Charles Darwin, por exemplo. O Deus bíblico se preocupou em instruir seu “povo eleito” em detalhes sobre a maneira de manter escravos e de sacrificar diversos animais; e como pôde dizer que os pecados das pessoas podem ser transferidos a um bode? Um Deus civilizado sujaria seu altar com o sangue de bois, ovelhas e pombas? Transformaria todos sacerdotes em verdadeiros açougueiros? Deliciar-se-ia com o odor de gordura queimada (Lv 2,9)? E o que devemos pensar do fato de que, ao encerrar seu tratado, Deus não conseguiu pensar em nenhuma atividade humana mais premente e duradoura do que cobiçar escravos e animais domésticos? E o que dizer de um Deus que faz da maternidade uma ofensa que precisa ser compensada com uma oferenda? Dá pra acreditar numa coisa dessas em pleno século XXI ?

Alguns questionamentos que o senso comum jamais formula:

Por que devemos aceitar os erros pela fé se pelo raciocínio continua sendo erro?

Por que devemos aceitar tudo cegamente só porque um homem disse que os textos são inspirados?

E os homens que criaram o Cânone eram tão bem qualificados quanto os especialistas de hoje?

E por que a opinião deles vale mais do que a nossa?

Não podemos pensar por nós mesmos? Como um homem pode estabelecer a inspiração de outro?

Como um homem inspirado pode provar que está inspirado?

Como ele próprio sabe que está inspirado?

O que é inspiração?

Deus usa homens como instrumentos?

Será que fez com que escrevessem seus pensamentos?

Tomou posse de suas mentes e suprimiu suas vontades de modo a sobressair a Sua?

Esses escritores estavam apenas parcialmente controlados; daí seus equívocos, sua ignorância e seus preconceitos estarem misturados com a sabedoria de Deus...

Como podemos distinguir os erros do homem daquilo que é realmente pensamento de Deus?

Podemos fazê-lo sem estarmos inspirados? Se os autores estavam inspirados, então os tradutores também deveriam estar, assim como os intérpretes da Bíblia para que a integridade dos textos fosse preservada. Como é possível a um ser humano ter consciência de que está inspirado por um ser infinito? Quais os critérios adotados para identificar uma inspiração? Mas, de uma coisa podemos ter certeza: um livro inspirado certamente deve ser superior a quaisquer outros livros produzidos por homens não inspirado e, acima de tudo, ser verdadeiro, repleto de sabedoria, prosperidade e beleza, além de ser perfeito.

Será que o Criador das galáxias, nebulosas, cometas e todo o universo infinito, escolheu a Terra justamente numa época que era habitada por seres semi-selvagens e selecionar meia dúzia de homens atrasados que viviam sujos e esfarrapados para lhes inspirar alguma coisa? Se uma árvore me inspirar a escrever um poema sobre ela, aquele poema são palavras minhas ou palavras da árvore? Ademais, inspiração não é o inspirador.

“Quem quer que afirme a verdade de forma absoluta, sem a suspensão da dúvida, está destinado ao dogmatismo e à intolerância. Onde quer que a verdade seja afirmada como posse, proíbe-se o exercício livre da razão, no chamado “livre exame”.

Todo aquele que possui a verdade, está condenado a ser um inquisidor”

Se Deus inspirou homens pouco inteligentes ensinando-os como escravizar pessoas, a matar crianças por que ele hoje não inspira os cientistas para que descubram novas vacinas? Por que não inspira os que se dedicam uma vida inteira de trabalho num laboratório para encontrar a cura da aids, do mal de Parkinson ou do Alzheimer? Por que não inspira os árabes para terminar com a guerra santa? Não é estranho o deus bíblico se preocupar com coisas tão mesquinhas e deixar as mais importantes de lado?

Até hoje nenhuma instituição religiosa apresentou um tratado, um registro, um critério lógico para justificar essa inspiração; apenas dizem que é inspirada e pronto!

Nem os dez mandamentos é coisa original; seus princípios tinham sido divulgados em 1.700 a.C, pelo rei Hamurábi da Mesopotâmia, conhecido como "código de Hamurábi"; Não é muita ingenuidade acreditar de forma literal que Deus levou 40 dias e 40 noites para cunhar as duas tabuinhas da lei, coisa que qualquer escultor faria com uma hora de serviço, ou pouco mais... Então que revelação foi esta se tudo já existia muito antes da Bíblia ser escrita? Veja o segundo mandamento; Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu. Que ensinamento moral pode ter este mandamento? Agora veja o terceiro; “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão”. Que mal Deus poderá fazer com seu filho se por alguma imperfeição humana for usado o nome dele? O quarto mandamento é sem pé nem cabeça; “guardará o dia de sábado”. Quem guarda o sábado senão judeus e adventistas? Ora, quem não sabe que isso é resultado da cultura judaica? Ninguém guarda esse dia e nem dia nenhum. Se esse livro fosse inspirado, Deus teria dispensado vários mandamentos sem sentido, e em seu lugar diria: "Não escravizarás o teu próximo".

Uma coisa é certa, uma mentira dita insistentemente um dia acaba se tornando uma falsa verdade, em virtude da eliminação das gerações presentes à ocorrência dos fatos posteriormente “transformados” em verdade. Nos Dez Mandamentos todas as ideias boas são antigas; todas as novas são tolas.

Teria deixado de lado a condenação sobre criar imagens esculpidas, e diria: "Não provocarás guerras de extermínio e não desembainharás tua espada senão em legítima defesa". No passado, todos que discordassem da maioria eram apedrejados até a morte. Investigar, era um crime. Maridos eram obrigados a denunciar e ajudar no assassinato de suas esposas descrentes. Como pode um livro que dizem ser inspirado ser inimigo da arte? "Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra": esta foi a morte da arte (Êxodo 20:4). A Palestina jamais produziu um pintor, senão o contemporâneo Ismaïl Shammut. Mas não se conhece nenhum escultor palestino.

Se a Bíblia é um livro inspirado, por que as casas publicadoras vivem fazendo revisões e mais revisões, correções e mais correções, atualizações e mais atualizações?

Estariam consertando os erros de Deus? Deus deveria ter escrito de forma clara e objetiva para não gerar tantas interpretações diferentes. Se Ele quis revelar suas leis na Bíblia, por que deixou surgir o Alcorão, o Zend-Avesta, o Upanishads, como livros sagrados muito antes dela? E por que restringiu essas leis somente aos judeus?

Não nos restam dúvidas de que as citações do AT nunca foram pronunciadas pela maior fonte de sabedoria do universo, mas por homens imperfeitos e supersticiosos que não tinham a mínima noção de ciências naturais, além de terem uma visão de mundo muito estreita.

Uma coisa é certa: a Bíblia é um livro que qualquer um pode usar qualquer versículo para defender qualquer ideia, seja ela boa ou ruim, certa ou errada. É por causa dessa pedagogia de teólogos ignaros, que os fiéis se acham mesmo superiores aos outros pelo que acreditam, intitulando-se "filhos de Deus", sempre deixando claro que o resto da humanidade, que não crê como eles, não passa de "criaturas de Deus", mas não filhos como eles o são; e essa distinção é feita por causa da crença religiosa irracional, causadora do fanatismo e do sectarismo.

Mas, por tudo isso é fácil entender o motivo de sustentarem esses absurdos. Se um líder reconhecer apenas um erro na Bíblia ela estará toda minada; então a religião ficará desacreditada; uma vez caindo no descrédito, as igrejas fecharão suas portas e seus líderes não terão do que viver. É por isso que se sustenta essa ideia de inspiração que não resiste à menor análise.

A afirmativa de que a Bíblia é inspirada ou a “palavra de Deus”, foi uma forma usada para dominar um povo simples e ignorante, fazendo-o acreditar na existência dum deus punitivo como Jeová dos exércitos; com isso, as pessoas passavam a ser subservientes ao poder teocrático. Hoje temos como exemplos dois regimes desse tipo: o do Vaticano, regido pela Igreja Católica e tendo como chefe-de-Estado o Papa; e o Irã, que é controlado pelos Aiatolás, líderes religiosos islâmicos, desde a Revolução Islâmica em 1979.

Como os líderes podem argumentar que os fatos científicos falsos da Bíblia citados acima são inspirados por Deus? Além disso, os fiéis ou fingem que acreditam ou não aprenderam a pensar e não conseguem concordar ou discordar dessas discrepâncias.

E por que eles não conseguem enxergar que suas estimadas doutrinas estão repletas de erros e contradições? Medo? Contudo, esta analise demonstra que a Bíblia não foi inspirada por Deus, o que abala a sua autoridade inquestionável absoluta que os pregadores esperam favorecer.

Lembremos que o iluminismo foi uma corrente filosófica puramente racionalista, grandes nomes da história fizeram parte desse movimento cultural que tinha por objetivo aumentar para todas as camadas sociais o saber e melhoramento e progresso para todos, mas o saber era privilégio de uma elite eclesiástica, de uma sociedade fechada, que deveria ser instrumento para todos. Mas a igreja preferiu manter o povo sob domínio e na ignorância.

As manifestações ocorridas no iluminismo em busca de um progresso era um ponto importante, o iluminista defendia que a razão é a base para chegar a um conhecimento seguro. Descartes afirmava que a dúvida metódica, racional, pode-se chegar a compreensão até mesmo de Deus. Rousseau também afirmava que a razão pode chegar a uma concepção de Deus mais pura e verdadeira do que aquela apresentada pelas religiões, que criou o Deus antropomorfo.

Aqui, encerramos nossa crítica em respeito a inteligência do leitor, mas poderíamos mostrar muito mais coisas ridículas e absurdas; agora, cabe a cada um fazer o livre exame. Acreditamos que os questionamentos podem quebrar paradigmas instituídos ao longo dos séculos que não exprimem a verdade. Toda a ideia seja religiosa, filosófica ou cientifica, precisa passar pelo crivo da razão para testar sua veracidade; mas isso o senso comum não faz; porém nós o fazemos, para todas as coisas de nossa vida.

O leitor inteligente percebeu que a Bíblia esta totalmente em Xeque, sendo reprovada sumariamente nos quistos ciências naturais, astronomia, geografia, princípios de higiene e inspiração divina. Por este motivo não devemos deixar os outros dizer no que temos de acreditar, pois muitos desejam que fiquemos na ignorância na qual eles se encontram. O artigo serve para todas as pessoas de qualquer credo, filosofia ou pensamento, que possuem consciência do certo e do errado, pois o princípio da crítica vale para todos os momentos e situações de nossa vida.

Luciano Ribeiro

Maio 2010

publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 00:55

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Excelente texto. Parabéns!
É como você mesmo colocou no subtítulo do seu blog...
Ok, Sergio.O seu e-amil é só esse: oigres.ribeiro@...
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